As organizações se encontram diante de um dilema: a inovação. Nos produtos e em todos os processos ela precisa ser constante e constantemente divulgada, para que tenha credibilidade e aceitação por parte de consumidores, colaboradores e acionistas. O mais difícil de tudo não é encontrar a inovação nos discursos, pois lá ela está em abundância. Mas por onde ela anda no dia-a-dia? Nos produtos e serviços em geral, se encontram atributos que credenciam a dizer que o consumidor está sendo mais bem atendido ou servido do que antigamente? Ou que suas necessidades estão mesmo sendo antecipadas e atendidas de maneira diferenciada e inovadora? O primeiro erro do conceito de inovação está justamente onde ela mais está aparecendo: no discurso. Fica-se falando que a inovação é uma novidade. Ora, parece que está se esquecendo das inovações das ferramentas no período da pedra lascada ou então as inovações que existem há mais de 100 anos no automobilismo, na aviação, na medicina, enfim, fala-se de algo novo, mas como diria o poeta: “o que há de mais moderno ainda é um sonho muito antigo”.
Saindo no discurso e entrando na prática, ali está o segundo erro crucial. A inovação aparece, de vez em quando, nos produtos, mas as práticas de gestão das organizações ainda estão nos mesmos moldes, na mesma maneira de contratar, no mesmo modo de tratar os fornecedores, de lidar com os clientes e assim por diante. Claro que vez ou outra se percebe alguma prática de gestão inovadora. Ela aponta novos caminhos. Mas precisa ficar atendo a uma coisa: Apontar novos caminhos também é algo muito velho. As organizações necessitam incorporar o real sentido de inovação e trazer resultados reais para os consumidores ao invés de subestimar a inteligência dos mesmos com discursos infundados. Essa onda de inovação parece um jovem de 20 e poucos anos que chega ao mercado e acha que tudo começou agora. As relações pessoais no trabalho começaram agora, os processos começaram agora. Tudo é novo. Nada foi experimentado ainda e tudo que é antigo não serve como parâmetro. Afinal, a inovação vem para substituir ou agregar? Os carros perderam suas quatro rodas de 1900 pra cá? Para ficar mais simples, basta lembrar-se de uma máxima da lei da natureza: nada se perde, tudo se transforma.
Publicitário, coordenador