A implantação de um bilhete único para todos os modais do transporte público da Região Metropolitana foi discutida ontem na Capital, durante a apresentação do Sistema Integrado de Transporte feita pela Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan) e por outros órgãos do setor, no Tribunal de Contas do Estado. A ideia é unir os seis tipos de cartões inteligentes da região, que são o TRI, o TEU, o SIM, o BEM e os dos ônibus urbanos de Montenegro e de Cachoeirinha, e o catamarã. De acordo com o prefeito de Canoas e presidente do Conselho Deliberativo Metropolitano (CDM), Jairo Jorge, dentro de 11 meses, o projeto-piloto do bilhete já estará em funcionamento em algumas cidades, e se estenderá para as outras de forma gradativa.
“A população está reclamando da incapacidade e da falta de sensibilidade dos gestores públicos. Quem utiliza o transporte público diariamente sabe que é um tormento. Esta é a resposta para as pessoas, principalmente para as mais necessitadas”, afirma. Para Jorge, o bilhete único representa a liberdade de escolha do meio de transporte do usuário. “Esse é o real significado do termo mobilidade”, acredita.
De acordo com o prefeito de Canoas, o sistema integrado será uma revolução para os quatro milhões de moradores da região. Ele ressalta que o projeto contraria interesses, entretanto, considera que foram essas interferências que levaram ao caos atual, que hoje é criticado pelo povo nas ruas. “Todos nós precisaremos abrir mão de alguma coisa para que o modelo funcione. É necessário também que exista um acordo entre os prefeitos, porque todos fazem parte dessa solução. O transporte público adquiriu um caráter de urgência, por isso, precisamos de rapidez”, argumenta.
A previsão de estar com o bilhete em funcionamento já na Copa de 2014 é considerada adequada, mas longa. Ele afirma que gostaria de vê-lo implantado já no final deste ano. Porém, o prefeito admite a existência de elementos complicadores, principalmente em relação à decisão de quem irá administrar o modelo. Segundo Jorge, como inicialmente será um projeto-piloto, a ideia sugerida foi a de utilizar o Trensurb, junto com o transporte das cidades por onde ele passa, como elemento inicial de integração. Depois, aumentar a adesão dos outros municípios.
Oscar Gilberto Escher, superintendente da Metroplan, explica que a integração metropolitana permitirá que, durante duas horas, o usuário utilize qualquer modal com tarifa única. De acordo com ele, essa padronização de valor trará economia para a população, pois não haverá mais somatório de passagens. “A definição de como será a divisão dos valores para cada um dos modais ainda será feita, e isso implica em mudar as regras atuais”, afirma. Escher ressalta que as experiências com integração mostram que o sistema é vantajoso para todos, pois faz com que o transporte seja mais equilibrado.
Agergs aprova redução de 4,69% nas tarifas
O Conselho Superior da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs) aprovou ontem a redução de 4,69% nas tarifas do transporte público metropolitano. A recuada nos valores atinge 32 cidades. Os novos valores devem estar valendo a partir do início da próxima semana.
Durante a sessão que definiu a redução nas tarifas, a Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan) e a Associação dos Transportadores Intermunicipais Metropolitanos de Passageiros (ATM) pediram a suspensão da análise dos conselheiros para que mais estudos a respeito do cálculo do valor das passagens fossem aprofundados. A solicitação foi negada.
Conforme o superintendente da Metroplan, Oscar Gilberto Escher, a decisão da Agergs irá gerar um passivo financeiro às empresas que operam o serviço. “Pode haver um desequilíbrio no sistema. Por conta da desmobilidade das vias urbanas e da redução de passageiros, as empresas estão apresentando déficit operacional”, afirma. Conforme Escher, é do interesse do governo do Estado reduzir tarifas. “Mas que seja em cima de estratégias técnicas que não criem instabilidade na sociedade e desestabilidade nas empresas.”
O conselheiro relator do processo, Carlos Martins, por sua vez, afirma que o índice de redução aprovado não incorrerá em passivo para as empresas. “Os cálculos estão redondos. O que estipulamos ainda para este ano é a atualização do índice de aproveitamento econômico, que pode fazer com que a tarifa varie para mais ou para menos. O percentual de 4,69 está correto, considera todas as desonerações tributárias e o reajuste anual”, destaca.
Uma das recomendações da agência definida na sessão de ontem é de que a Metroplan dê início, o mais rápido possível, ao processo de licitação do serviço. “Essa é a questão mais importante. É a pauta em que a Metroplan está trabalhando. As licitações têm de acontecer”, enfatiza Escher.