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União terá programa para negociar dívidas de empresas, afirma ministro
"Desenrola da Pessoa Jurídica vai ter um enorme efeito, principalmente porque esses são setores que geram emprego", afirma Paulo Pimenta
Por Bolívar Cavalar
O terceiro governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Brasil completou um ano em 1º de janeiro de 2024. Contando as gestões da ex-presidente Dilma Rousseff, este é o quinto mandato petista no mais alto cargo da política brasileira desde 2003. Nesta nova gestão, Lula buscou reativar programas implementados no passado, resgatando o "Minha Casa, Minha Vida" na habitação e o Bolsa-Família.
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O terceiro governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Brasil completou um ano em 1º de janeiro de 2024. Contando as gestões da ex-presidente Dilma Rousseff, este é o quinto mandato petista no mais alto cargo da política brasileira desde 2003. Nesta nova gestão, Lula buscou reativar programas implementados no passado, resgatando o "Minha Casa, Minha Vida" na habitação e o Bolsa-Família.
O governo federal também lançou o programa Desenrola Brasil, focado no refinanciamento de dívidas, com o objetivo de recuperar as condições de crédito de devedores que possuam dívidas negativadas.
Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social e deputado federal gaúcho Paulo Pimenta (PT), afirmou que o Executivo estuda lançar, ainda em 2024, um programa nos moldes do Desenrola voltado para pequenas e médias empresas.
"Até março, nós vamos estar lançando o Desenrola da pessoa jurídica, que vai ter um enorme efeito, principalmente porque esses são setores que geram emprego", disse o ministro da Secom.
Pimenta também comentou sobre as obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), o Novo PAC, ou PAC 2, no Rio Grande do Sul, atualizando a meta para a conclusão de obras na BR-116, BR-290 e outras rodovias do Estado.
O titular da Secom ainda falou sobre eventos adversos resultantes da crise climática, cada vez mais frequentes em solo gaúcho, e sobre a crise de falta de energia elétrica, que afetou milhares em diversas partes do Estado nas últimas semanas.
Jornal do Comércio - O presidente Lula completou um ano no cargo neste terceiro mandato no Planalto. Quais foram os principais programas novos que o governo implementou neste primeiro ano?
Paulo Pimenta - Tem o programa Desenrola, que é um sucesso. Nós encontramos o País com uma parcela enorme da população endividada. Isso, além de criar um problema para as pessoas, em saber que estão devendo e o juro aumentando, a pessoa perde o acesso a crédito e acaba perdendo até mesmo a própria dignidade. Então, o presidente Lula determinou uma série de ações de renegociação de dívidas, como as dívidas do Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior). Mas o Desenrola é uma iniciativa inédita que envolve dívidas bancárias, em lojas.
JC - Como tem sido o desempenho do Desenrola?
Pimenta - Um sucesso porque, em alguns casos, a negociação chega a 96% do valor da dívida em um parcelamento muito simples e imediatamente a pessoa sai com o nome limpo. E nós vamos prorrogar o programa até o dia 31 de março para que mais brasileiros e brasileiras possam ser beneficiados. E a grande novidade no Desenrola é que o Ministério da Fazenda está estudando o Desenrola para pessoa jurídica.
JC - Como deve funcionar esse Desenrola?
Pimenta - Então, as pessoas que estão devendo MEI (Microempreendedor Individual), pequenos empreendedores, microempreendedores, até março vamos estar lançando o Desenrola da Pessoa Jurídica. Que vai ter um enorme efeito, principalmente porque esses são setores que geram emprego. Então, que bom que a gente está prorrogando o Desenrola até 31 de março e quero ver se até março a gente está lançando o Desenrola da Pessoa Jurídica. Temos também o programa Pé de Meia, que é uma novidade e que traz um incentivo, uma poupança, para os alunos da escola pública que estão no Ensino Médio.
JC - Como os jovens poderão acessar o programa?
Pimenta - Hoje, nós temos uma enorme defasagem. Nós temos vários filtros na educação brasileira. O aluno da escola pública que chega ao Ensino Médio já é um público muito pequeno, mas o que conclui o Ensino Médio é um número ainda mais reduzido. Então, criar uma poupança, um incentivo, todos os técnicos e especialistas entendem que é uma maneira de efetivamente incentivar, de criar um mecanismo que vai ter como consequência a permanência desses jovens na escola e fazer o seu pé de meia. Ele vai poder tirar uma parte a cada ano, mas o grosso desse valor vai ficar numa poupança que ele vai poder sacar quando ele concluir o Ensino Médio. E experiências nesse sentido têm tido um resultado muito positivo.
JC - O mercado financeiro revisou diversas vezes para cima as previsões econômicas do Brasil. A que se deve isso?
Pimenta - No início do ano passado, o presidente Lula, em uma reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Hiroshima, no Japão, encontrou a representante do FMI que insistia que o Brasil cresceria menos de 1%. Ela previa 0,9% na época. O presidente Lula foi muito enfático, isso no início de 2023, dizendo que ela não conhecia o Brasil. A capacidade de reação da economia brasileira nesse novo ambiente de confiança, de segurança jurídica, de atração de investidores, desse novo protagonismo que o Brasil tem no mundo, até mesmo pela liderança do presidente Lula. E nós ficamos em 2023 com o PIB na casa de 3%, três vezes mais do que o mercado apostou. Nós tivemos um ano em que a inflação ficou controlada, a taxa de desemprego caiu e o PIB cresceu 3%. Temos o maior número de pessoas com carteira assinada da história do Brasil. Então, o resultado econômico foi muito bom. Aprovamos a reforma tributária depois de 40 anos, aprovamos o novo marco fiscal, então a nossa expectativa para 2024 é muito positiva.
JC - Ainda na área econômica, quais são os principais projetos e desafios para 2024?
Pimenta - O ano de 2023 foi o ano da gente colocar a casa em ordem e o presidente Lula costuma dizer que foi o ano do plantio. E 2024 vai ser o ano da colheita, tenho certeza disso. E uma colheita farta, e generosa, em todas as áreas. A gente teve que colocar em pé os programas, o programa Minha Casa Minha Vida, o programa Mais Médicos, as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), a retomada das obras paradas na saúde, na educação… Algumas dessas obras você precisava de um prazo para poder licitar, licenciar. E agora, a partir de 2024, começa a tomar outro ritmo. E isso vai gerar emprego, criar oportunidades, ajudar na distribuição de renda e principalmente melhorar a qualidade do serviço que a gente leva até a população. Então eu estou bastante entusiasmado. Só para ter uma ideia, o programa de ensino integral, de escola em tempo integral, nós a partir de março teremos 1 milhão de novas vagas. E no estado do Rio Grande do Sul são 40 mil vagas. São 40 mil crianças e adolescentes que vão ter a oportunidade de acesso à escola em tempo integral. Isso muda a vida das famílias, isso muda a vida das pessoas e a cada ano o presidente Lula quer trazer um milhão de novas vagas para o Brasil. Então as famílias, a partir de março, já vão começar a sentir no dia a dia essa grande mudança.
JC - No ano passado, o governo lançou o Novo PAC, que engloba um conjunto de políticas tendo como prioridade a realização de investimentos públicos e faz referência ao programa lançado originalmente em 2007, que destinou recursos a diferentes obras de infraestrutura. Qual é a situação das obras do PAC 2 no Rio Grande do Sul?
Pimenta - As obras do PAC no Rio Grande do Sul estão avançando dentro do ritmo que a gente previu. A duplicação da BR-116 em direção a Pelotas nós estamos com todos os lotes em obras e queremos, até o final de 2024, ter toda a pista concluída, da duplicação até Pelotas.
JC - E como está a previsão para o sentido Norte da rodovia?
Pimenta - As melhorias no sentido Norte que envolvem a ponte dos Sinos, viaduto da Scharlau e uma série de obras de melhorias na BR-116 nesse trecho entre Canoas e Estância Velha também. Vão avançar bastante nesse ano a duplicação da BR-290, queremos até a metade desse ano ter o projeto da expansão da BR-448, da Rodovia do Parque, até Portão, queremos concluir a travessia urbana de Santa Maria, uma obra do Centro do Estado que, para nós, é uma obra importante. Além de uma série de outras obras, como a nova ponte de Jaguarão, a revitalização da ponte de Uruguaiana, a licitação da Ponte do Ibicuí, na BR-472, entre Itaqui e Uruguaiana, a ponte do Rio Uruguai em Porto Xavier. Então são várias obras de infraestrutura importantes. Nós vamos investir no ano de 2024 um valor que é maior que o que o governo anterior investiu em quatro anos. Então, o ritmo de execução de obras é muito superior, além de um grande problema de recuperação e manutenção das rodovias. Nós recebemos uma malha rodoviária bastante deteriorada, já melhorou bastante em 2023, mas em 2024 a gente pretende melhorar muito mais.
JC - Durante todo o ano de 2023, o RS sofreu com um volume anormal de chuvas, que deixaram prejuízos de diversas naturezas a milhões de gaúchos. Especialistas dizem que eventos climáticos adversos devem ser cada vez mais frequentes. Que medidas o governo federal poderá adotar para evitar mais estragos?
Pimenta - Infelizmente, mais uma vez, o Rio Grande do Sul foi atingido pelas fortes chuvas e mais um temporal que atingiu também a região centro do Estado, Santa Maria foi bastante atingida, a Região Metropolitana. Desde o início do ano passado, a gente vem enfrentando essas consequências das mudanças climáticas do El Niño. Primeiro, nós tivemos mais de 300 municípios em situação de emergência por conta da estiagem e depois as fortes chuvas que agora se repetem no início de 2024. O governo federal tem dado toda a assistência às prefeituras dos municípios e aos governos estaduais e, desde o primeiro momento, nós continuamos acompanhando e à disposição de todas as cidades, para a ajuda humanitária, para o trabalho de desobstrução e para o trabalho de reconstrução.
JC - Acompanhou a crise da falta de energia elétrica que durou dias para milhares de pessoas após o forte temporal do dia 16 de janeiro?
Pimenta - Sem dúvidas as pessoas estão perplexas com a capacidade de resposta dessas empresas que assumiram as companhias de energia dos estados. Para nós, do Rio Grande do Sul, é algo alarmante. Eu, durante toda a minha adolescência e a minha infância em Santa Maria, acompanhei muito de perto o trabalho da Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE) e em todo o estado do Rio Grande do Sul. E eu me lembro que, quando faltava luz, era uma questão de horas para que o trabalho fosse restabelecido. Hoje, nós vivemos numa situação onde são dias e dias, em alguns casos mais de 10 dias. O prejuízo que isso causa para o pequeno comerciante, para o cidadão, para as pessoas dentro de casa, estraga tudo. Hoje em dia, a gente depende do celular, depende do computador para o trabalho, o transtorno que isso gera. Então, essas privatizações foram feitas sem ter uma garantia da qualidade do serviço. É um absurdo. E estamos vendo o povo pagar o custo da irresponsabilidade daqueles que venderam as empresas públicas a preço de banana sabe-se lá para quais interesses, mas que criaram a situação que hoje nós estamos vivenciando.