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Presidenciável José Serra busca apoio do PMDB gaúcho

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Em meio ao corpo a corpo com o eleitorado gaúcho, o candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, aproveitou a visita a Porto Alegre, ontem à tarde, para prestigiar apoiadores e concentrar os esforços na conquista de possíveis aliados para sua campanha no Estado. O PMDB gaúcho foi o foco da viagem.
Em menos de três horas, o tucano fez duas reuniões estratégicas: uma com os principais líderes estaduais do PSDB DEM, PP, PPS, PHS e parte do PMDB - todos já aliados - e outra com o ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça, que disputou o Piratini pelo PMDB.
Pouco depois das 14h, no Hotel Everest, Serra reuniu deputados estaduais e federais e membros da executiva das siglas aliadas, além da governadora Yeda Crusius (PSDB), para agradecer o apoio e pedir que a campanha seja intensificada no segundo turno.
O tucano tenta uma recuperação no Rio Grande do Sul, já que o Estado no primeiro turno deu vitória à candidata petista Dilma Rousseff, que abriu mais de 400 mil votos. Para tanto, a equipe de Serra distribuiu santinhos e adesivos com a foto e o número do candidato, que devem ser distribuídos pelos colaboradores.
Depois de caminhada pelo Centro da Capital, o ex-governador de São Paulo encerrou as atividades na cidade com um encontro com Fogaça. Acompanhado do deputado federal Osmar Terra, Serra conversou por cerca de 20 minutos com Fogaça, a quem encheu de elogios.
Evitando constranger o peemedebista - que durante a campanha ao Piratini optou por manter em sigilo o nome do seu candidato à presidência -, Serra negou que tenha pedido apoio a Fogaça e disse ter feito apenas uma visita de amigo. "Fogaça foi o melhor senador com quem convivi", derreteu-se, sem poupar elogios.
A visita de Serra, no entanto, deve ser decisiva para a manifestação de Fogaça na reunião do diretório estadual do PMDB, que acontece hoje, às 14h, para avaliar se o partido irá orientar o voto a favor de Serra ou se continuará formalmente neutro na disputa nacional, liberando os filiados.
Durante encontro da sigla na semana passada, Fogaça acalmou os ânimos de deputados estaduais e federais que desejavam anunciar imediatamente o alinhamento à candidatura de Serra. O ex-prefeito de Porto Alegre fez apelo para que prefeitos fossem ouvidos antes de o partido anunciar a decisão.
Ontem, após a visita do candidato do PSDB, Fogaça recusou-se a dizer sequer se irá se manifestar a favor da candidatura petista ou tucana. "Sempre tive uma posição pessoal, mas acima dela está uma decisão coletiva partidária que irá orientar minha posição", afirmou.
De acordo com Osmar Terra, Fogaça irá apoiar Serra mesmo que o PMDB opte por manter a neutralidade. "Independentemente da posição que o diretório tomar, Fogaça deve se manifestar pró-Serra", garantiu. "Fogaça é Serra. Ele não colocou claramente isso na campanha, porque respeitava o PDT, que apoia Dilma", completou dizendo que acreditava que agora o ex-prefeito da Capital "se sente liberado" para apoiar Serra.
Deputados estaduais e federais do PMDB trabalham desde a semana passada para convencer prefeitos simpáticos a Dilma de que a vitória de Serra é mais produtiva para o partido no Estado.
Um dos argumentos é o de que o apoio ostensivo de Dilma ao governador eleito Tarso Genro (PT) durante a campanha foi decisivo para a derrota de Fogaça e, consequentemente, para o encolhimento das bancadas estadual e federal do PMDB gaúcho.
Em discurso que antecedeu a fala de Serra no hotel, o deputado federal Ibsen Pinheiro (PMDB), que falou por todos os apoiadores de Serra ontem, afirmou que o PMDB está dividido. Mas os deputados do PMDB afirmam que a maioria dos correligionários está fechada com Serra.
O deputado estadual Alceu Moreira (PMDB) observa que o número de apoiadores de Dilma no PMDB estadual é pequeno e não deve impedir que o partido declare apoio ao tucano. "No mínimo o PMDB vai aconselhar o voto em Serra", projeta. Moreira sugere que os cerca de 20 prefeitos que fazem questão de fazer campanha para a ex-ministra devem ser liberados, ou seja, não irão sofrer represália se optarem por apoiar candidatura diferente da escolhida pelo partido.
O deputado federal Darcísio Perondi (PMDB) também dá como certo o alinhamento do PMDB estadual a Serra. "O apoio é majoritário", sustentou.
O coordenador do comitê suprapartidário do presidenciável tucano no Estado, Germano Bonow (DEM), concentrou seus esforços sobre o PMDB ontem e recorreu à agenda telefônica para tentar convencer líderes peemedebistas a defender apoio a Serra na reunião de hoje.

José Serra pede votos e faz promessas para o Rio Grande

Durante ato de campanha em Porto Alegre, ontem, o candidato do PSDB ao Planalto, José Serra, repetiu tática usada em 2002 e 2006 pelos tucanos, e pediu que os eleitores conseguissem um voto a mais para garantir sua vitória. Serra também fez promessas para os gaúchos e afirmou que irá trabalhar para fortalecer o Mercosul. "Vamos revisar o Mercosul de maneira satisfatória para trazer investimentos para o Rio Grande do Sul."
O tucano lembrou ainda que uma de suas propostas é a construção do metrô de Porto Alegre. "É imprescindível para a Copa", justificou. O candidato do PSDB prometeu erguer a segunda ponte do Guaíba e disse que "o Rio Grande precisa de mais infraestrutura." Serra falou também em criar o Ministério Extraordinário para Pessoas com Deficiência, para cuidar de políticas públicas para o grupo.
O candidato sustentou que, se for eleito, "o Rio Grande do Sul terá um presidente amigo, próximo e envolvido com o Estado". Na caminhada, populares declararam apoio, inclusive um que portava uma bandeira do PV. Era do presidente dos verdes de Sapucaia do Sul, João Camargo, que decidiu manifestar sua posição mesmo sem a definição da sigla.
Além de divulgar propostas, o tucano mostrou-se descontraído com o público e brincou com a rivalidade dos gaúchos no futebol, dizendo que torcia para Inter e Grêmio. No roteiro pelo Centro, posou para fotos ao lado de dois meninos, vestidos com camisas da dupla Gernal.
Só não mostrou tanta desenvoltura com os jornalistas e voltou a criticar a imprensa. Por duas vezes, ignorou perguntas dos profissionais, afirmando que eram "pauta petista". Ao invés de responder ao repórter do Valor Econômico, acusou o jornal de atuar em favor da adversária Dilma Rousseff (PT).