Para marqueteiros, Tarso Genro está no segundo turno
Os responsáveis pelo mar-keting dos principais candidatos ao Palácio Piratini avaliaram nesta quinta-feira que o candidato do PT ao governo do Estado, Tarso Genro, estará no segundo turno. A outra vaga seria disputada entre José Fogaça (PMDB) e Yeda Crusius (PSDB).
Fábio Bernardi - que cuida da campanha de Fogaça - e Alfredo Fedrizzi, que assessora Tarso, falaram sobre as estratégias de marketing político em reunião-almoço da Federasul. O responsável pelo marketing de Yeda Crusius (PSDB), Paulo Buffara, também foi convidado a participar do evento, mas não compareceu.
Bernardi e Fedrizzi refutam a tese de que o marqueteiro tem plenos poderes numa eleição. Para Bernardi, que atua na área de criação da agência Paim e se licenciou para trabalhar com o peemedebista, uma das principais funções é preservar a imagem do político.
Fedrizzi, que também ficará afastado da Escala no período eleitoral, explicou que as estruturas partidárias influenciam no trabalho da equipe de marketing. "Não existe um marqueteiro superpoderoso." Ele avalia que investir em ataques durante a campanha política não é uma boa estratégia. "A sociedade brasileira recebe de forma negativa as agressões entre candidatos."
Os dois concordam que o marqueteiro precisa ter afinidade política e pessoal com o político assessorado. "Não consigo trabalhar para alguém que eu não acredite ser a melhor opção no pleito", afirmou Bernardi.
Descontraído, Bernardi respondeu, ao ser questionado pelo público, que nunca solicitou que Fogaça alterasse alguma característica pessoal. "A única coisa que pedi para ele mudar foi o time, mas ele não virou colorado", brincou. Antes do painel, os publicitários concederam entrevista coletiva.
‘Essa não é a eleição da internet'
Na eleição de 2004 à prefeitura de Porto Alegre, a estratégia de Fogaça era manter o que estava bom e mudar o que estava ruim. Esse será o discurso na disputa atual?Fábio Bernardi - Todo mundo dizia que não daria certo em 2004, e deu. A situação agora é diferente, não dá para fazer isso. O governo do PT tinha 57% de aprovação. E 75% dos porto-alegrenses já tinham votado no PT em algum momento. Naquela época, não tinha como ir contra. Agora, o governo Yeda (Crusius) não tem toda essa aprovação. Seria um contrassenso pegar um governo com um alto nível de rejeição e adotar esse discurso. É certo que ela cresceu na campanha. Mas cresceu porque nunca teve o tamanho de 7%. Ela é governadora do Estado. Nenhum governador vai ter menos de 15% dos votos. É uma adversária difícil. Tem o governo na mão e está usando isso como nunca. Vai crescer mais do que está crescendo, mas a campanha de Fogaça não é contra ela. Tarso está no segundo turno. Não compartilho com a ideia de que é possível ir a um segundo turno entre Fogaça e Yeda.
Quais os fatores decisivos em uma disputa eleitoral?
Bernardi - A decisão passa por muitos fatores pequenos e críticos. Por exemplo, a ordem dos programas na propaganda política. Isso tem uma importância absurda. Se o (Germano) Rigotto (PMDB) não fosse logo depois do Tarso (Genro) em 2002, talvez não tivesse ido ao segundo turno. Isso conta para o nível de audiência e atenção do eleitor. E a forma para distribuição do tempo de rádio e tevê é um câncer da democracia brasileira. Sem tempo de tevê, candidato nenhum tem chance de se eleger. Até o final dos anos 1990 ainda era possível, porque havia comício, campanha de rua, com uma militância que compensava. Hoje a campanha é muito televisiva. Não tem mobilização, todos os partidos trabalham com cabos eleitorais pagos. E isso fortalece alianças sem sentido, porque os partidos precisam buscar tempo de tevê. A solução passa por ter uma reforma política. É preciso tornar os tempos independentes da aliança.
Como o senhor avalia a influência da internet na campanha?
Bernardi - Essa não é a eleição da internet. Ainda vamos levar mais uns quatro anos para ter no Brasil uma campanha assim. A tendência dos políticos é entupir a caixa de e-mail, botar um monte de perfis falsos no Twitter para ficar acuando os adversários. Isso vai saturar rapidamente o eleitor, e a informação vai perder a confiabilidade. É muito difícil mediar as relações da política nas redes sociais. Vai haver um ganho de visibilidade nessas eleições, mas não acredito que a rede social vai se tornar um meio para captação dos votos indecisos.
‘Campanha se faz antes das eleições', ensina Fedrizzi
É mais confortável ser marqueteiro de um candidato que lidera as pesquisas?
Fedrizzi - Ninguém tem vida mansa em campanha. Não existe eleição ganha de antemão. Claro, cada vez mais se fala em Dilma (Rousseff, PT) ganhar no primeiro turno. Isso ajuda a campanha do Tarso. Preservando-se os espaços que estão aí, ele e o partido têm seus lugares assegurados (no segundo turno), e duas outras candidaturas disputam a segunda vaga. Pelo que as pesquisas têm indicado, Tarso sempre esteve em primeiro lugar. Nenhuma registrou o contrário.
Qual a importância da atuação do marqueteiro em uma campanha?
Fedrizzi - Campanha se faz antes das eleições. Se o candidato não mostrou quem é e não cativou uma série de segmentos da população num período em que todos estão mais mansos, em que não estão desconfiados com promessas, não será agora - quando o cidadão está com um pé atrás - que ele vai conseguir. Os candidatos e partidos têm toda uma trajetória, comitês político e suprapartidários, tudo isso interfere. Esse superpoder que se atribui ao marqueteiro, até num sentido mais negativo do que positivo, não existe. Alguns ganharam mais notoriedade, como Duda Mendonça, mas via de regra não se tem essa bola toda. O candidato tem opiniões. Eu comparo uma campanha política à produção de um filme. Há um roteiro, um objetivo a cumprir, e se vai agregando profissionais e pessoas que colaboram nisso. Cada um dá sua contribuição.
Como a internet pode ajudar em disputas eleiotrais?
Fedrizzi - A internet vai permitir, de uma maneira mais fácil, que se possa manter uma relação constante com o eleitorado. Mas, nesse aspecto, tem gente que não fazia nada até agora e começará a fazer. Via de regra, os Twitters de candidatos são absolutamente desinteressantes. Só escrevem que estão indo para a cidade tal, que acabaram de chegar a tal lugar. Eles não entendem, na maioria das vezes, a linguagem dessas redes.