Turfe e as identidades de gaúchos e uruguaios

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A proximidade geográfica é uma das afinidades entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai. Mais relevantes são as intimidades culturais. Os pampas ao norte do Rio da Prata constituem uma autêntica nação. O linguajar, o chimarrão, a pecuária, a paixão pelos cavalos configuram um povo único: o gaúcho. Ações recentes vêm estimulando mais conexões. O Estado uruguaio tem dado ênfase primordial ao turfe, ativo imaterial do país. Os progressos obtidos no modelo de parceria público-privada entre empresas como a Hípica Rioplatense Uruguay e a Dirección General de Casinos, órgão regulador da atividade econômica, têm sido significativos. O número de nascimentos de cavalos de corrida a cada ano, por exemplo, dobrou na última década.
Os cidadãos uruguaios sentem os benefícios, pois, nos arredores do hipódromo de Las Piedras foram instaladas duas policlínicas e um Centro de Atenção à Primeira Infância. O turfe proporciona conteúdo, docentes e instalações para capacitar os profissionais que pretendem atuar no setor por meio de cursos de qualificação na Universidad del Trabajo del Uruguay. E os hipódromos estão funcionando como equipamentos públicos de incentivo à convivência. O Rio Grande do Sul, detentor de tradição no turfe, caso pretenda atingir o mesmo incremento de divisas, deve se aliar aos uruguaios. É fundamental promover intercâmbios e competição entre animais. A internacionalização estimulará a concorrência e promoverá melhoria genética.
O Grande Prêmio Bento Gonçalves, maior prova do turfe gaúcho, foi uma oportunidade para demonstrar as afinidades. Inclusive, a nova pista do hipódromo do Cristal, que, em breve, deverá ser inaugurada, foi construída pelos engenheiros que delinearam as reformas inovadoras no hipódromo de Maroñas, em Montevidéu. Não se trata de sonho ver os turfes do Rio Grande do Sul e Uruguai integrados em uma agenda positiva.
 Presidente do Jockey Club do Rio Grande do Sul