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Cabaré político
Neste mundo de altos e baixos, tudo se transforma, se modifica ao correr do tempo. É o caso do cabaré. Originalmente, era um local de espetáculos, não faltando o bom de beber e nem iguarias delicadas, ao sabor das quais eram apresentadas canções alegres e satirizavam-se aspectos da atualidade político-social, essencialmente sob o aspecto cultural, que do imoral a seara era escassa. O primeiro cabaré de que se tem notícia foi fundado por um boêmio, em Montmartre, lá em Paris, ao final do século XIX. Logo e logo essa “nobre” casa de cativantes diversões se alastrou por outros países até com caráter de vanguardismo político-social. Mas o tempo, como agente transmutador, foi como que transformando a “distinta” vivenda em local de tolerância moral, em cabaré como lugar de encontro com mulheres de vida fácil ou permissiva. Oh, tempos! Oh, costumes!
Cabaré assim, hoje, como o primitivo, é coisa do passado, pois o motel o substituiu com mais discrição. Ou se transformou em frege, baixo local de escândalos ou conflitos. Analogicamente, porém, o cabaré como que se transformou com pompa e circunstância no campo da política partidária do Brasil destes tempos de tantas misturas. Os maldosos até diriam (ou dizem?) que se trata de casa da sogra, onde não há o devido respeito, nem a disciplina ou a boa e cordial educação. Ou pior: como que foi incendiada a casa da suplicação, hoje um local de desordem e confusão, para não dizer de “bagaceirice”. Não é mesmo?
Veja-se o índice de degradação a que chegou a prática da política cabocla, transformada, salvo raríssimas exceções, em palco da mais exuberante permissividade, da mais eloquente promiscuidade. Coerência, disciplina, fidelidade a princípios doutrinários e éticos são normas de museu, substituídas na vivência partidária pelo lusque-fusque das alcovas ornadas pela devassidão das bacantes do tesouro público. Será preciso exemplificar? Não creio necessário. Os exemplos são por demais fartos e gritantes! Tem exceções? Evidentemente que sim. E importa apoiá-las. Não é lícito ficarmos indiferentes, apáticos.
Ex-secretário da Administração, ex-diretor do Banrisul, ex-prefeito de Bagé e ex-superintendente da Sudesul