A rodovia ERS-630, no trecho entre Dom Pedrito e São Gabriel, é um dos gargalos históricos de infraestrutura
na Campanha Gaúcha e Fronteira Oeste. Com 92,66 quilômetros de extensão, a maior parte da estrada não tem pavimentação, impactando a logística regional, o custo de produção e a competitividade de uma das áreas mais relevantes do agronegócio gaúcho.
Nos últimos cinco anos, o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) informa ter feito um investimento aproximado de R$ 4 milhões em serviços de conservação ao longo da rodovia, com ações como patrolagem, limpeza de valetas, instalação de bueiros e melhorias no revestimento primário.
As intervenções, no entanto, têm caráter contínuo e corretivo, sem resolver o problema estrutural. Diante desse cenário, municípios passaram a articular uma agenda conjunta para viabilizar a pavimentação da ERS-630, mobilizando lideranças políticas, setor produtivo e instituições regionais em torno de uma proposta faseada de execução.
Segundo dados do Daer, apenas 4,76 quilômetros são pavimentados, enquanto 87,99 quilômetros seguem em leito natural. A autarquia classifica o estado geral como "razoável" dentro do contexto de uma rodovia não pavimentada, com necessidade de intervenções recorrentes, como revestimento primário e melhorias em drenagem.
"Na prática, trata-se de uma estrada de chão batido, com trafegabilidade instável, especialmente em períodos de chuva", afirma a vice-prefeita de Dom Pedrito, Luciane Rodrigues Moura. Em períodos de maior precipitação, há registros de bloqueios parciais, inclusive em função da elevação do Rio Vacacaí, na região do Passo do Pedroso.
Vice-prefeita de Dom Pedrito, Luciane Rodrigues Moura cita limitação a municípios
TÂNIA MEINERZ/JC
A ausência de pavimentação é apenas um dos entraves. Problemas de drenagem, desgaste do leito e pontes incompatíveis com a demanda atual da logística rural ampliam a vulnerabilidade da rodovia, especialmente diante de eventos climáticos extremos.
Ainda assim,
a via funciona como alternativa à BR-293 e encurta distâncias entre municípios da Fronteira Oeste e o Centro do Estado, eixo fundamental para o escoamento da produção agropecuária, especialmente o arroz, base econômica da região. A rodovia também se conecta a
estruturas como as barragens de Jaguari e Taquarembó, ampliando sua relevância para a segurança hídrica e a produção irrigada.
"A precariedade da ERS-630 encarece o transporte, reduz previsibilidade logística e limita a competitividade de uma região altamente produtiva", destaca a vice-prefeita de Dom Pedrito.
No campo estrutural, não há projeto executivo de pavimentação em andamento. A rodovia está incluída na programação do órgão para contratação de anteprojeto, etapa inicial para viabilização técnica da obra.
Em paralelo, há um cronograma de recuperação de pontes. Entre março e maio de 2026, foram recuperadas três estruturas de madeira — nos arroios Passo do Batista, Sanga Preta e Passo Pedroso III — com previsão de conclusão de outras quatro até outubro.
Diante do cenário, a proposta defendida pelos municípios prevê execução em etapas: atualização dos estudos técnicos, requalificação de pontes e drenagem e, por fim, pavimentação integral. Entre as estratégias discutidas estão a inclusão da obra em programas estaduais de infraestrutura, a busca por recursos federais e até a possibilidade de federalização da rodovia. O projeto já avançou institucionalmente e aguarda evolução técnica para consolidação.