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Publicada em 11 de Maio de 2026 às 00:25

Mesmo com geração de vagas, região Sul não acompanha geração de empregos do RS

Em São José do Norte, há variações anuais devido à força do polo naval, que funciona conforme a demanda por novas embarcações

Em São José do Norte, há variações anuais devido à força do polo naval, que funciona conforme a demanda por novas embarcações

Prefeitura de São José do Norte/Divulgação/JC
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Ana Stobbe
Ana Stobbe Repórter
A Macrorregião Sul está entre as áreas do Rio Grande do Sul que aumentaram o número de empregos formais no comparativo interanual dos meses de janeiro de 2025 e 2026 com base nos dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged). A variação foi de 1%, levemente inferior ao total do Estado, de 1,27%. Entretanto, ao esmiuçar os dados, é possível encontrar dificuldades: a participação regional no mercado de trabalho estadual é inferior ao percentual da população gaúcha que ali reside ao comparar ambos indicadores, além disso, há uma baixa industrialização, setor que contribui para a geração de vagas de emprego formais, e uma alta taxa de informalidade. 
A Macrorregião Sul está entre as áreas do Rio Grande do Sul que aumentaram o número de empregos formais no comparativo interanual dos meses de janeiro de 2025 e 2026 com base nos dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged). A variação foi de 1%, levemente inferior ao total do Estado, de 1,27%. Entretanto, ao esmiuçar os dados, é possível encontrar dificuldades: a participação regional no mercado de trabalho estadual é inferior ao percentual da população gaúcha que ali reside ao comparar ambos indicadores, além disso, há uma baixa industrialização, setor que contribui para a geração de vagas de emprego formais, e uma alta taxa de informalidade. 
“O Sul concentra bastantes problemas graves, sérios, na comparação com o resto do território. Não se identifica um setor específico que esteja puxando, que esteja se destacando. Tem um crescimento no emprego meio vegetativo, meio conjuntural, localizado em diferentes municípios e atividades, sem que exista um foco mais dinâmico e promissor se consolidando. Além disso, tem indicadores inferiores ao restante do Rio Grande do Sul no PIB (Produto Interno Bruto) e no Idese (Índice de Desenvolvimento Socioeconômico)”, avalia o sociólogo e pesquisador do Departamento de Economia e Estatística do Estado (DEE-RS), Guilherme Xavier. 
Neste cenário, o mercado formal de trabalho é mais um indicador de fragilidade. Afinal, apesar de concentrar cerca de 16% da população gaúcha, a região responde por apenas 10,7% do emprego formal do Rio Grande do Sul. “Isso significa que tem mais gente inativa e na informalidade. Porque o emprego formal pesa menos do que a população ao avaliar as fatias ocupadas pela macrorregião no total dos indicadores do Rio Grande do Sul”, acrescenta Xavier.
O que mais chama atenção é a baixa industrialização. Afinal, analisando o retrospecto dos últimos seis anos, sempre tendo como referência o mês de janeiro, é perceptível uma estagnação. A Macrorregião Sul é a que menos participa no total de empregos formais do setor do Rio Grande do Sul, sendo responsável por 6,2% das vagas, uma leve redução em relação aos 6,3% registrados em 2020. E, enquanto, no Estado, cerca de 25,3% dos postos de trabalho estão na indústria, entre os Coredes que compõem este capítulo do Mapa Econômico do RS, variam de 10,5% a 22,5%. 
“Nossas grandes regiões são bem desbalanceadas em termos demográficos e econômicos. Enquanto o Sul tem 6,2% dos empregos industriais do Estado, a Serra tem 32,5% e a Macrorregião Metropolitana 29,5%. Então, não é uma parte do Rio Grande do Sul muito industrializada”, reflete Xavier. 
Os dados demonstram, ainda, que, embora todas as regiões tenham variado abaixo da média estadual na geração de empregos entre 2025 e 2026, ao comparar os últimos seis anos, os cenários variam. Enquanto o RS ampliou em 14,3% o número de empregos formais, a Fronteira Oeste e o Centro-Sul cresceram acima da média, respectivamente, 17,9% e 21,3%, enquanto Sul (13,1%) e Campanha (10,1%) estiveram abaixo. Mesmo assim, a variação não chega perto das áreas que mais avançam no território gaúcho, como o Alto da Serra do Botucaraí (46,6%) e o Médio Alto Uruguai (33,6%). 
No caso da Região Sul, que, entre 2025 e 2026 avançou 0,32%, é possível destacar a cidade de Rio Grande que criou 354 empregos ao todo e teve uma variação um pouco superior à do Corede, com um crescimento de 0,8%. É, também, uma das cidades com o maior volume absoluto de postos de trabalho formais, atrás apenas da vizinha Pelotas. 
Ali, nos últimos seis anos, algumas das variações superiores e inferiores na geração de empregos estiveram relacionadas à construção civil — cresceram a construção de edifícios e os serviços de arquitetura e engenharia, enquanto recuaram os serviços especializados para construção e as obras de infraestrutura. Também avançaram os serviços prestados a empresas, as atividades de atenção à saúde humana, o setor de logística e a fabricação de serviços químicos. 
Outro ponto de atenção na Região Sul é São José do Norte, onde há intensas flutuações no número de empregos formais relacionadas às demandas do polo naval. Enquanto outros segmentos pouco foram alterados ao longo dos últimos anos, os serviços relacionados à construção de embarcações chegaram a passar de 641 vagas de emprego, em 2022, para 3.287, em 2023. O número caiu em 2024, para 2.863. Depois, recuou fortemente a 564, até atingir o patamar de 366 em janeiro de 2026. É esperada mais uma temporada de movimentação no mercado de trabalho com a contratação de novos navios no Estaleiro Rio Grande, recentemente confirmada. 
A Campanha teve o segundo pior desempenho entre os Coredes do Sul, com crescimento de 0,55%. A indústria local segue com baixa representatividade econômica e de geração de empregos. Os principais destaques em número de empregos são Bagé, com 18.429 postos de trabalho formais registrados em janeiro de 2026, e Dom Pedrito, com 6.448. 
Já o Centro-Sul, embora concentre alguns dos indicadores mais preocupantes do levantamento — como a última posição entre os 28 Coredes no ranking do Idese — avançou próximo à média da macrorregião, com um pequeno avanço, de 0,95%. As cidades com maiores números absolutos de emprego formal são Camaquã e Charqueadas. Ali também está Minas do Leão, que cresceu 16,3% os postos de trabalho entre 2025 e 2026, o que representou 193 vagas geradas. 
A Fronteira Oeste é a que concentra o melhor indicador ao analisar o emprego. Além de ter crescido 1,15% e puxado para cima a variação da Macrorregião Sul, abriga seis dos dez municípios com o maior número de empregos formais dessa parte do Estado: Uruguaiana, Santana do Livramento, Alegrete, São Borja, São Gabriel e Itaqui. Ainda assim, os dados mostram baixa participação industrial e dificuldades para consolidar um dinamismo econômico mais permanente ao compará-la com o restante do RS. 

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