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Publicada em 11 de Maio de 2026 às 00:25

Entre recordes de exportação e os buracos do caminho

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Eduardo Torres
Eduardo Torres Repórter
Com uma movimentação de quase R$ 90 bilhões entre 2024 e 2025, o Porto Seco de Uruguaiana consolida-se como um dos maiores do Brasil, em alguns momentos superando até mesmo as instalações de Foz do Iguaçu, operadas pela mesma empresa, a Multilog, que também gerencia, no Rio Grande do Sul, os portos secos de Jaguarão e Santana do Livramento. Entre os principais produtos que cruzaram a fronteira entre Uruguaiana e Paso de Los Libres, na Argentina, neste período estiveram automóveis, carrocerias e equipamentos para passageiros e cargas, que representam alto valor agregado à economia.
Com uma movimentação de quase R$ 90 bilhões entre 2024 e 2025, o Porto Seco de Uruguaiana consolida-se como um dos maiores do Brasil, em alguns momentos superando até mesmo as instalações de Foz do Iguaçu, operadas pela mesma empresa, a Multilog, que também gerencia, no Rio Grande do Sul, os portos secos de Jaguarão e Santana do Livramento. Entre os principais produtos que cruzaram a fronteira entre Uruguaiana e Paso de Los Libres, na Argentina, neste período estiveram automóveis, carrocerias e equipamentos para passageiros e cargas, que representam alto valor agregado à economia.
Conforme os relatórios dos dois últimos anos, foram 293,9 mil caminhões cruzando o Porto Seco de Uruguaiana, representando 21% de toda a movimentação rodoviária existente entre Brasil e Argentina, e também favorecendo o fluxo de produtos com o Uruguai e o Chile, por exemplo. Em 2025, houve crescimento de 17,8% no fluxo de caminhões em Uruguaiana, e quase 30% a mais em relação ao fluxo de exportações.
A curva positiva de fluxo na fronteira seca, no entanto, não se repetiu no primeiro trimestre deste ano. Com a movimentação de 34.111 veículos, houve redução de 5,9% no fluxo comparado com o período entre janeiro e março do ano passado.
Mesmo com números recentes tão positivos, a limitação de infraestrutura mostra que ainda há um potencial não explorado e, principalmente, alto custo para movimentar a economia por essa rota.
"O Porto Seco fica na ponta da BR-290, uma vergonha. São 670 quilômetros no Rio Grande do Sul de buracos e pista simples. O único trecho não duplicado na rodovia que vai até Fortaleza, é justamente um trecho vital para setores industriais muito importantes economicamente para o Brasil. Esse problema estrutural muitas vezes trava exportações e importações, obriga os transportadores a usarem vias alternativas, e isso encarece o frete, o produto final e, no caso do agro, prejudica o produtor, que ganha menos", explica o vice-presidente de Infraestrutura da Federasul, Antônio Carlos Bacchieri.
Até o final do ano passado, somente 14 quilômetros estavam duplicados, em Pantano Grande. Já em Minas do Leão, as obras pararam. A estimativa do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) é de que faltam R$ 828 milhões a serem executados para concluir quatro lotes de duplicação que abrangem somente a região Centro-Sul e Metropolitana.
A última revitalização da ponte internacional, que liga Uruguaiana a Paso de Los Libres, aconteceu em 2023. Era esperado que nos primeiros meses deste ano o Dnit assinasse o contrato para executar o projeto e uma reforma estrutural mais complexa da ponte, com investimento de R$ 59,1 milhões licitado no final de 2025. Os trabalhos são previstos para serem executados em mais de dois anos, incluiriam reforço dos pilares, concretagem da pista, impermeabilização, novo pavimento e sinalização.

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