Quando o navio PGC Taormina, com bandeira de Malta e carregado com gás bruto, terminou o percurso desde o Porto de Rio Grande até Porto Alegre pela Lagoa dos Patos, em abril, representou um marco para a logística hidroviária gaúcha. Depois de 42 anos, foi possível retomar a navegação noturna na principal via nas águas internas do Rio Grande do Sul.
A operação foi resultado de um planejamento iniciado cerca de três meses antes, após a liberação do canal para grandes embarcações, com a execução de trechos de dragagem e reforço na sinalização previstos nos investimentos destinados pelo Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) para dragagens dos canais de navegação à Portos RS, após a cheia de 2024.
"Aquele aporte de R$ 731 milhões terá sua complementação total neste ano, com a sequência do contrato iniciado em 2025 para dragagem em Rio Grande, e continuidade de dois lotes de canais hidroviários em processo de dragagem. Neste ano, ainda será licitado o último lote de quatro canais a serem dragados para completarmos o projeto iniciado após a cheia e a recuperação da capacidade de navegação no Rio Grande do Sul", explica o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger.
Ao todo – incluindo valores do Funrigs –, a companhia deve desembolsar R$ 370 milhões em operações de dragagem neste ano. O avanço logístico da rota noturna tende a refletir em redução de custos e de tempo e, por consequência, uma maior atratividade ao uso da hidrovia. "É ganho de eficiência, redução de custos e mais competitividade para nossos portos. Essa vantagem chega, inclusive, aos consumidores finais", avalia o dirigente.
O canal na Lagoa dos Patos, com aproximadamente 260 quilômetros, é o principal trecho da hidrovia no Rio Grande do Sul que é alvo do projeto para concessão por parte do Governo Federal. Pelo modelo proposto, a iniciativa privada passará a ser responsável pela manutenção da infraestrutura dos canais de navegação internos do Estado, assumindo operações como dragagens e batimetria. Um modelo que, na opinião de Cristiano Klinger, tende a tornar as operações mais eficientes.
"Hoje, sempre que existe uma necessidade, precisamos abrir todo um processo de licitação para que seja executada, por exemplo, uma dragagem. Isso torna o processo moroso e mais caro. A modelagem de contrato com longo prazo, além de dar segurança jurídica, técnica e operacional, vai reduzir custos para manter os calados e acesso às operações portuárias, tanto em Rio Grande quanto ao longo da hidrovia", avalia.
Em breve, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) deve publicar o chamado para uma audiência pública que avaliará o modelo de concessão, depois, o processo ainda passará por avaliação do Tribunal de Contas da União e só então estará pronto para ser levado a leilão.