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Publicada em 11 de Maio de 2026 às 00:25

Doces de Pelotas na rota dos novos negócios

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Eduardo Torres
Eduardo Torres Repórter
Reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial e certificados com Indicação de Procedência, os doces de Pelotas estão entre os produtos em uma potencial vitrine de proteção com o acordo costurado entre o Mercosul e a União Europeia. Levar esse produto, totalmente artesanal e delicado, até ao mercado externo, porém, seria um desafio logístico gigante. Então, o que tem sido feito no município do Sul do Estado é atrair o turista, com a estruturação da cidade e das empresas doceiras, e aguçar o paladar e curiosidade de potenciais clientes.
Reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial e certificados com Indicação de Procedência, os doces de Pelotas estão entre os produtos em uma potencial vitrine de proteção com o acordo costurado entre o Mercosul e a União Europeia. Levar esse produto, totalmente artesanal e delicado, até ao mercado externo, porém, seria um desafio logístico gigante. Então, o que tem sido feito no município do Sul do Estado é atrair o turista, com a estruturação da cidade e das empresas doceiras, e aguçar o paladar e curiosidade de potenciais clientes.
"O momento, em termos de visibilidade dos doces de Pelotas, não poderia ser melhor. Temos vivenciado esse reconhecimento aqui e fora de Pelotas. Onde se vai, falam de nós. Existe um movimento, principalmente das maiores empresas, de levar suas lojas por outras regiões do País, o que é muito bom para dar aquele ‘gostinho’ do doce daqui. Mas sempre reforçamos que, consumido aqui, é melhor ainda", valoriza a presidente da Associação Doce Pelotas, Simone Bica.
A associação hoje agrega 22 empresas doceiras de todos os portes, que envolvem de 80 a quase 700 trabalhadores nos períodos de pico, como a Fenadoce. Em 95% dos casos, são empresas lideradas por mulheres. É a partir da associação que elas têm levado a imagem dos seus doces para feiras nacionais, como em Gramado e Curitiba.
"Em cada uma dessas feiras, é maior o número de pessoas interessadas em conhecer como produzimos em Pelotas e talvez levar para as suas regiões. O convite a essas visitas é feito e tem resultado em melhorias na estrutura para recebê-los na nossa cidade", conta a doceira.
Um desses movimentos, liderado por empresas como a Berola e a Monalu, em Pelotas, e a Imperatriz, em Capão do Leão, é a visitação à fábrica, com uma experiência semelhante ao que já é feito, por exemplo, em vinícolas da Serra. Ainda é um roteiro incipiente, mas tem estimulado outras doceiras a investir.
É o caso da Dona Chica, liderada por Simone. Ela começou a produzir há 18 anos, de maneira temporária, para a Fenadoce. Hoje, tem uma loja no bairro Três Vendas e planos de triplicar a sua produção, com aumento da fábrica e criação de um roteiro de visitação e experiência com os doces para turistas.
A cidade também abraçou o projeto e, finalmente, a Rua do Doce, na área central de Pelotas, foi estruturada há três anos, com espaço para sete lojas, cada uma, mantida por duas a três associadas.
"Era um espaço que existia há muito tempo como ponto de concentração da venda de doces, mas não era bonito, eram barraquinhas que iam e vinham de acordo com a vontade do governo do momento. Agora, com o nosso espaço definido e atraente, temos ciência do número de pessoas de fora da cidade que circulam por Pelotas, e todas querem levar doces. É um local no calçadão, onde podemos apresentar com carinho o nosso produto", diz Simone.
Por outro lado, a Associação Doce Pelotas se movimenta para consolidar na cidade, definitivamente, a cultura de transformar em atração turística a tradição doceira. É desenvolvido um projeto para levar às escolas a arte de produzir doces, a partir das crianças. 
Tudo culmina, é claro, com a Fenadoce que, em 2025, recebeu mais de 300 mil visitantes e vendeu mais de 1,8 milhão de doces.
A lista de doces reconhecidos e certificados limita-se a 14 iguarias artesanais, que se complementam com a cadeia produtiva que se inicia na produção de frutas entre o Centro-Sul e o Sul do Estado, para abastecer a produção de doces e conservas de frutas. Pelotas é, por exemplo, o maior produtor de pêssegos do Estado. E, com quatro vinícolas ativas no último ano, produziu 49,9 mil litros de vinhos – 85% deles de mesa – a partir de uvas bordô cultivadas na região.
 

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