Atualmente, no território gaúcho, as regiões Sul, Campanha e Fronteira Oeste concentram o maior potencial para o desenvolvimento de futuros parques eólicos. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aponta que hoje há no Rio Grande do Sul 55 projetos de usinas eólicas listados como “com a construção não iniciada”, que atingem cerca de 2,15 mil MW. Desse total, 52 empreendimentos estão situados na Metade Sul, o que soma 2,08 mil MW.
Essa potência é justamente a capacidade eólica já em operação no Rio Grande do Sul, gerada por 80 usinas. Ou seja, se as iniciativas indicadas pela Aneel na região Sul saírem do papel, o Estado dobraria sua atual capacidade de produção de energia eólica. De acordo com o órgão regulador do setor elétrico, todos os empreendimentos citados como “com a construção não iniciada” no seu Sistema de Informações de Geração (Siga) já possuem outorga e, para indicar o início da operação comercial, é necessário um despacho da área de fiscalização da agência.
O atlas eólico do Rio Grande do Sul também indica a Metade Sul gaúcha como propícia para esse tipo de geração de energia. O principal destaque é o município de Santa Vitória do Palmar, que, conforme o levantamento, tem potencial para uma capacidade instalada de 9,99 mil MW (ou 9,99 GW), em operações onshore (em terra), a 100 metros de altura.
No momento, Santa Vitória do Palmar possui 33 usinas eólicas em operação, que somam 627,89 MW. O prefeito do município, André Selayaran, ressalta a importância econômica que os complexos eólicos representam para a cidade. Segundo ele, as usinas já em operação significam uma receita de aproximadamente R$ 20 milhões ao ano para o município. “As empresas que mais retornam ICMS são as relacionadas à energia eólica”, enfatiza Selayaran.
Ele reforça que, além das usinas que já estão em funcionamento, há várias outras iniciativas em estágio avançado para sair do papel, assim como alguns estudos embrionários em relação a parques eólicos offshore (a serem desenvolvidos no mar). Porém, o prefeito admite que causou um pouco de incerteza sobre qual será o futuro desse segmento a recente oficialização, pelo governo federal, da unidade de conservação do Parque Nacional Marinho do Albardão. Ele teme que essa situação possa afastar o investidor para outras regiões.
Se a energia offshore ainda é uma incógnita, a onshore, em Santa Vitória do Palmar, segue despertando o interesse de empreendedores. Atualmente, há 25 projetos que totalizam 947,8 MW e que não tiveram a construção iniciada para serem feitos no município, segundo a Aneel. Um dos mais adiantados é o projeto Electra Ventos do Sul, que soma mais de 120 MW de capacidade instalada e deverá entrar em operação no primeiro semestre de 2028.
O secretário de Planejamento de Santa Vitória do Palmar, Antônio Carlos Souza Filho, destaca que o investimento médio a cada MW eólico onshore instalado é geralmente de R$ 10 milhões. “E temos a possibilidade de colocar várias ‘Itaipus de ventos’ aqui na região”, celebra o secretário, fazendo alusão à gigantesca hidrelétrica binacional.
Quem também estuda a possibilidade de construção de um novo empreendimento de energia renovável em Santa Vitória do Palmar é a empresa Statkraft. Segundo nota da companhia, “o projeto encontra-se em fase de desenvolvimento, e sua evolução depende de etapas como licenciamento ambiental, condições de mercado e processos internos de decisão. Aspectos como início da operação, volume de investimento ou modelo de comercialização da energia serão avaliados e definidos futuramente, em função das condições de mercado vigentes e conforme o avanço da estruturação do projeto”.