Santana do Livramento, na Fronteira Oeste, concentra em seu campo o maior volume de um dos trunfos do Rio Grande do Sul com o potencial acordo entre Mercosul e União Europeia: a produção de vinhos nobres e espumantes. E neste ano, a região atingiu safra recorde. Somente na Almadén, que é a propriedade do Miolo Wine Group no município, a colheita chegou a 5,3 mil toneladas de uvas, o maior volume já colhido desde que o grupo assumiu a antiga vinícola construída por norte-americanos na fronteira gaúcha. Em 2025, com cinco vinícolas ativas em Santana do Livramento, a colheita total havia sido de 5,5 mil toneladas.
Se considerada a safra da Seival, vinícola do grupo em Candiota, na Campanha, são mais 2,2 mil toneladas de uvas neste ano – em 2025, haviam sido 1,2 mil toneladas. O grupo, que tem origem na Serra e também expandiu seus vinhedos ao Nordeste brasileiro, com duas vinícolas e 650 hectares produtivos, responde por mais da metade dos vinhedos entre a Campanha, Fronteira Oeste, Sul e Centro-Sul. Ao todo, conforme dados do Sistema de Declarações Vinícolas do RS, a macrorregião concentra oito vinícolas com produção ativa no ano passado.
"Entre a Almadén e a Seival, temos hoje mais de 50% do volume de uvas do grupo Miolo, e a perspectiva é de produzirmos metade dos vinhos do grupo neste ano", diz o agrônomo Alécio Demori, responsável pela produção do Miolo Wine Group na região.
E o que sai dessa produção, pensando nos diferenciais para um mercado mais competitivo, mas que valoriza a identidade de cada terroir, é muita riqueza de qualidades próprias.
"A Campanha é mais seca e quente do que a Serra. Os vinhos daqui, em geral, são mais alcoólicos e menos ácidos, e guardam, de acordo com o ponto da região, algumas diferenças importantes, que se refletem no produto final. Em Candiota, por exemplo, o solo é mais argiloso e com matéria orgânica. Em Santana do Livramento, as plantas sentem menos a seca, mas o solo é mais arenoso e sensível, o que exige maiores cuidados com a cobertura nos vinhedos. Em Candiota, normalmente chove menos, o que faz a colheita ser mais alongada e os vinhos mais alcoólicos", detalha o especialista.
Enquanto na Almadén o agrônomo destaca a produção a partir das uvas Tannat, em vinhas de mais de 50 anos mantidas na propriedade, na Seival o destaque fica por conta do espumante rosé e branco, a partir da Sauvignon Blanc e Tempranillo, ou ainda pela Pinot Noir, que tem a maior quantidade da produção.