O primeiro projeto de produção de hidrogênio verde do Sul do Estado deve entrar em operação em julho, no distrito industrial de Rio Grande, junto à área portuária e, principalmente, às portas da cadeia produtiva de fertilizantes que opera no local. É que o complexo projetado pela empresa Fontes Verdes, com três plantas industriais conjuntas, tem como objetivo fornecer amônia verde – obtida a partir da produção de hidrogênio com geração solar –, que é matéria prima para a produção de fertilizantes, atualmente importada pelos fabricantes do País sem origem limpa, que será garantida com a futura fábrica.
De acordo com o CEO da Fontes Verdes, Guilherme Fontana, as plantas em Rio Grande, que recebem R$ 240 milhões em aportes, são o único projeto da empresa no Estado e o mais adiantado entre 64 plantas de hidrogênio da Fontes Verdes no País.
"Garantiremos ao setor de fertilizantes, que é muito dependente da importação de insumos, que vêm de zonas muito instáveis no mundo, uma eficiência financeira, previsibilidade estratégica e produção sustentável. Hoje, os derivados da amônia importados são obtidos a partir de combustíveis fósseis e dependem, ainda, do transporte marítimo, também poluente", aponta Fontana.
O conjunto de plantas industriais terá capacidade de produzir 12 mil toneladas de amônia por ano, que resultam em até 39 mil toneladas de nitrato ou 27 mil toneladas de ureia. Uma quantidade ainda em um patamar baixo para a exigência da produção de fertilizantes. Para que se tenha uma ideia, somente a Yara demanda 40 mil toneladas de amônia anuais. Mas a Fontes Verdes garantirá um pontapé inicial na redução da dependência de insumos importados, e abrirá caminho a novos projetos semelhantes. A Infravix, por exemplo, anunciou em 2025 a intenção de erguer uma planta de hidrogênio verde e gerar amônia também na região portuária de Rio Grande, mas em escala bem mais arrojada, com aporte de até R$ 840 milhões para produzir até 100 mil toneladas anuais. O projeto, porém, ainda não teve avanço.
No caso da Fontes Verdes, a energia que movimentará o processo de hidrólise (separação do hidrogênio da água) terá fonte solar. O processo envolve ainda uma espécie de filtro do ar, devolvendo o oxigênio à atmosfera. Com hidrogênio e nitrogênio, é feita a amônia, que, processada com CO₂ de origem industrial, gera a ureia.
"Este produto estará na porta dos fabricantes de fertilizantes", resume o CEO da empresa.
Ele não revela detalhes, mas confirma haver alguns produtores da região com negociações avançadas para receberem a matéria-prima da Fontes Verdes.
No primeiro bimestre deste ano, houve redução na movimentação de matérias primas para fertilizantes no Porto de Rio Grande. Foram 664,8 mil toneladas em dois meses. Em todo o ano passado, foram 8,1 milhões de toneladas, uma média de 676 mil toneladas mensais.