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Publicada em 11 de Maio de 2026 às 00:25

Sistema de barragens será fôlego contra a estiagem no campo

Barragem Jaguari - Crédito Mauro Nascimento Secom Governo do Estado - Mapa Econômico do RS 2026 Região Sul

Barragem Jaguari - Crédito Mauro Nascimento Secom Governo do Estado - Mapa Econômico do RS 2026 Região Sul

/Mauro Nascimento/SecomRS/JC
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Eduardo Torres
Eduardo Torres Repórter
Uma estrutura gigante na paisagem do campo tomou forma com a inauguração, no final de março deste ano, da Barragem de Jaguari, em São Gabriel. Até o final do ano, a previsão é de que também esteja concluída a obra de outra grande barragem, no Arroio Taquarembó, em Dom Pedrito. Somados, os dois reservatórios poderão garantir 254 milhões de metros cúbicos de água que, a partir de sistemas de canais, levarão irrigação – além da regularização do abastecimento público para quase 350 mil habitantes – para um potencial de até 117 mil hectares, e, com isso, alento às regiões da Campanha e Fronteira Oeste, que contabilizam as maiores perdas nas lavouras, especialmente de soja, com a sequência de estiagens no Estado. Nos últimos 30 anos, a estimativa é de que, no eixo entre São Gabriel e Bagé, tenha havido perda de até 70% no potencial produtivo de soja em virtude da falta de água.
Uma estrutura gigante na paisagem do campo tomou forma com a inauguração, no final de março deste ano, da Barragem de Jaguari, em São Gabriel. Até o final do ano, a previsão é de que também esteja concluída a obra de outra grande barragem, no Arroio Taquarembó, em Dom Pedrito. Somados, os dois reservatórios poderão garantir 254 milhões de metros cúbicos de água que, a partir de sistemas de canais, levarão irrigação – além da regularização do abastecimento público para quase 350 mil habitantes – para um potencial de até 117 mil hectares, e, com isso, alento às regiões da Campanha e Fronteira Oeste, que contabilizam as maiores perdas nas lavouras, especialmente de soja, com a sequência de estiagens no Estado. Nos últimos 30 anos, a estimativa é de que, no eixo entre São Gabriel e Bagé, tenha havido perda de até 70% no potencial produtivo de soja em virtude da falta de água.
"São obras de infraestrutura que já esperamos há muito tempo. Há oito anos, contratamos um estudo que constatou que, a partir do momento em que as barragens estiverem operando a pleno, o investimento feito nas estruturas retorna em, no máximo, três anos à economia do Estado. Representa um salto na direção contrária do que temos visto nos últimos anos. Para se ter uma ideia, nas últimas quatro décadas, a cada ciclo de cinco anos, três são de seca, um é normal e somente um é positivo", diz o produtor rural Sérgio Giulianni, que preside a Associação dos Usuários de Água da Bacia do Rio Santa Maria, onde desaguam os arroios Jaguari e Taquarembó.
Somente vinculados à associação, são 189 produtores rurais, mas o volume é muito maior. Logo na saída da barragem do Jaguari são 500 famílias produtoras em um assentamento. Ao todo, depois de 18 anos entre idas e vindas, as obras das barragens consumirão investimento de mais de R$ 600 milhões entre recursos do Estado e da União. A estimativa é de que serão 18 meses até que a Barragem de Jaguari, já concluída, esteja cheia. O processo de contratação de empresa para a construção dos canais que levarão a água às cidades e lavouras foi iniciado e a perspectiva é de que os primeiros bons efeitos da barragem na região sejam percebidos em 2028. Processo semelhante deve acontecer em relação a Taquarembó. O resultado, aponta o Governo do Estado, virá na produtividade das lavouras.
Atualmente, mesmo com quatro municípios da macrorregião figurando entre as dez maiores áreas de plantio de soja no Rio Grande do Sul – São Gabriel, Dom Pedrito, Alegrete e São Borja –, somente São Borja está no top 10 quando é avaliada a quantidade de grãos produzida. Não é coincidência. O município e Dom Pedrito são os únicos da macrorregião entre os dez do Estado com maior volume de sistemas de irrigação implantados nas lavouras de soja.
Desde o início da série do Mapa Econômico RS, foram avaliadas as safras de soja entre 2021, ano de supersafra, e 2024. Neste período a área plantada entre as cinco maiores lavouras da macrorregião aumentou 26,2%, no entanto, a produção nesses mesmos cinco municípios despencou 21%. A exceção é justamente São Borja, onde houve avanços em irrigação. No município, a área plantada aumentou 50% no período e a produção saltou em 71%, mesmo no comparativo entre um ano de supersafra e um de estiagem.
Conforme a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi), nas áreas onde há irrigação, a produtividade da soja chega a ser 80% maior. Mesmo tendo quase dobrado a área de lavouras com sistemas implementados entre 2020 e 2025, chegando a 242 mil hectares, só 3,6% das áreas cultivadas com o grão no Rio Grande do Sul contam com irrigação.
Em São Gabriel, onde Sérgio Giulianni produz em uma área de quatro mil hectares, está a segunda maior área cultivada de soja do Estado, com 137 mil hectares, representando um crescimento de 50% da área cultivada em uma década. No entanto, com 193,1 mil toneladas colhidas em 2024, São Gabriel foi somente o 14º gaúcho no volume de grãos. 
Na propriedade de Giulianni, que fica no limite com Lavras do Sul, foi implantado um sistema de irrigação em 700 hectares (17,5% da área cultivada).
"Estamos fazendo testes com o limite de água que temos, e os resultados são incomparáveis com a área onde não há irrigação. Na área de coxilha, saltamos de 18 para 55 sacos por hectare, e na várzea, de 35 para 80 sacos por hectare. Mesmo com menos de 20% da área irrigada, eu diria que hoje em torno de 40% da produção sai desse trecho da propriedade", aponta o produtor.
Mais do que isso. A implantação da irrigação tem permitido a ele agregar valor à produção. É no trecho irrigado que Giulianni tem desenvolvido sementes, que são vendidas a outros produtores e cooperativas.
"A chegada das barragens, com a irrigação, é uma maneira de tornar a produção em toda a região mais sustentável, do ponto de vista econômico, mas também humano. O abastecimento público será normalizado", comemora Sérgio Giulianni.
Atualmente, por exemplo, os produtores da bacia do Santa Maria, em virtude da indisponibilidade de água no verão, só produzem sob uma outorga especial, determinada pelo Estado em virtude da condição especial dessa bacia hidrográfica. Com as barragens, será possível, finalmente, conceder outorgas definitivas a quem produz na região.
No caso da Barragem do Jaguari, os municípios de São Gabriel, Lavras do Sul e Rosário do Sul são os mais beneficiados. Na do Taquarembó, estão Lavras do Sul, Dom Pedrito, Rosário do Sul e Santana do Livramento.

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