O momento de alta da produção bovina na região da Campanha e Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul abre oportunidade para a exportação de boi vivo. É o produto que garante, por exemplo, Capão do Leão como o 12º maior exportador gaúcho no primeiro trimestre deste ano, tendo negociado em torno de US$ 80 milhões com o Exterior na venda dos animais, a maior parte para a Turquia. A venda de boi vivo a partir da estrutura portuária do Sul do Estado também garante mais de 30% das exportações de Pelotas.
Em breve, Cerrito, com menos de seis mil habitantes, também estará neste mercado. O Grupo Sentinela Livestock, que já opera uma propriedade de confinamento e preparação de gado para exportação em Capão do Leão, investe R$ 22 milhões em uma nova propriedade, de 157,8 hectares, com capacidade prevista, em seu pico de operação, para manter até 110 mil animais, não apenas para confinamento e exportação, mas também para terminação e venda ao abate. A fazenda já passou por vistoria e foi aprovada pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). Resta agora a inspeção pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
A intenção da empresa é liberar a unidade em módulos. Na primeira fase, já liberada, serão quatro mil animais por ciclo; na segunda, chegando a 10 mil; a terceira etapa, prevista para ser atingida no final de agosto deste ano, compreenderá a capacidade para 16 mil animais. E, finalmente, no primeiro bimestre de 2027 é prevista a capacidade de manter, simultaneamente, 22 mil animais na propriedade, que vai operar em cinco ciclos anuais.
Atualmente, a operação em Capão do Leão é feita pela Fazenda Astúrias, prestadora de serviços à Sentinela. A intenção do grupo é manter o negócio nos dois municípios da região. Em Capão do Leão, a capacidade estática é de 10 mil animais, totalizando 48 mil anuais.
O projeto em Cerrito começou a ser gestado em 2019, depois dos investidores terem visitado mais de 40 propriedades em 20 municípios. O projeto prevê a autossuficiência da propriedade em diversos aspectos, com o envolvimento de ações sustentáveis. Um desses projetos é o uso dos dejetos dos animais como fertilizante orgânico e a perspectiva de aumentar em cerca de 200% a produção de forrageiras que alimentarão o gado. A propriedade contará também com geração de energia a partir de biodigestores e de uma usina fotovoltaica ainda em fase de estudos.
O sistema hidráulico da propriedade garantirá ainda a hidratação dos animais com uso sustentável de energia, criando um modelo de chegada da água por gravidade, com a energia solar levando a água ao ponto mais alto da propriedade. Serão quatro mil metros de canos. A hidratação do gado é considerada pelos especialistas como um dos principais pilares deste tipo de operação.