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Publicada em 21 de Maio de 2026 às 16:39

Infraestrutura precária e isolamento prejudicam desenvolvimento de Quaraí

Prefeito de Quaraí, Jeferson Pires reivindica melhorias na rodovia BR-290

Prefeito de Quaraí, Jeferson Pires reivindica melhorias na rodovia BR-290

Dani Barcellos/Especial/JC
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Gabrieli Silva
Gabrieli Silva Repórter
A cidade de Quaraí, na fronteira com o Uruguai, enfrenta desafios históricos de infraestrutura que impactam diretamente sua integração logística e desenvolvimento econômico. Dependente quase exclusivamente do modal rodoviário, o município convive com limitações que vão desde a precariedade das estradas até a ausência de alternativas como ferrovia, hidrovia e transporte aéreo.
A cidade de Quaraí, na fronteira com o Uruguai, enfrenta desafios históricos de infraestrutura que impactam diretamente sua integração logística e desenvolvimento econômico. Dependente quase exclusivamente do modal rodoviário, o município convive com limitações que vão desde a precariedade das estradas até a ausência de alternativas como ferrovia, hidrovia e transporte aéreo.
A rodovia BR-290, principal eixo de ligação com o restante do Estado, concentra grande parte desses entraves, somando problemas de conservação, segurança e de conectividade ao longo do trajeto.
A avaliação é do prefeito de Quaraí, Jeferson Pires (Republicanos), também presidente do Codepampa (Consórcio de Gestão Pública da Fronteira Oeste e Pampa Gaúcho). Ele detalhou os principais gargalos logísticos do município e os impactos diretos da rodovia na economia local durante participação em debate na Federasul com gestores públicos municipais da Fronteira Oeste, em maio. Pires concedeu entrevista ao Jornal do Comércio.
Jornal do Comércio  Qual é o principal gargalo logístico de Quaraí?
Jeferson Pires – O principal gargalo é a BR-290. Dependemos dela para praticamente tudo. A partir de Rosário do Sul, seguimos pela 290 e depois acessos regionais, mas o problema central continua sendo a rodovia e suas condições.
JC – Que tipo de problemas o município enfrenta nesse trajeto?
Pires – Temos um trecho entre Santana do Livramento e Quaraí com mais de 100 quilômetros que é uma verdadeira "zona muda": não tem sinal de telefone, internet quase inexistente e comunicação muito precária. É uma demanda de décadas que nunca foi resolvida.
JC – E quanto à infraestrutura da estrada?
Pires – A conservação é ruim, falta manutenção e sinalização. Muitas vezes placas caem e não são repostas. Os trevos ficam abandonados, e se a prefeitura não agir, continuam perigosos. Isso aumenta muito o risco de acidentes.
JC – A rodovia atende à demanda da região de Fronteira Oeste?
Pires – Atende com muita limitação. O fluxo é intenso, inclusive com muitos uruguaios utilizando a estrada. É uma via extremamente movimentada, com caminhões pesados e sem a estrutura adequada para isso.
JC – Existem alternativas logísticas para além do transporte rodoviário?
Pires – Não. Quaraí depende exclusivamente da rodovia. Não temos aeroporto, ferrovia foi desativada e não há hidrovia estruturada. Isso isola o município e dificulta inclusive a chegada de autoridades e investimentos.
JC – Como essa realidade impacta o dia a dia da gestão e da economia local?
Pires – Impacta muito. Viajar é caro e arriscado. É comum ter problemas com veículos, como pneus danificados ou acidentes. Isso encarece a logística, o transporte de mercadorias e até a operação da prefeitura.
JC  O que mudaria com melhorias ou duplicação da BR-290?
Pires – Mudaria muita coisa. Reduziria custos, aumentaria a segurança e facilitaria o deslocamento. Hoje, a estrada é perigosa, com alto índice de acidentes e tráfego pesado em alta velocidade.
JC – A falta de infraestrutura afeta os preços e o comércio local?
Pires – Sim. Os produtos chegam mais caros em Quaraí por causa da distância e das condições da estrada. Mesmo assim, o comércio se mantém forte porque há grande presença de consumidores uruguaios.
JC – O senhor avalia que falta atenção do poder público?
Pires – Falta investimento, principalmente do governo federal. A Fronteira precisa ser mais olhada. Mas também estamos mudando a forma de agir, com união entre prefeitos, lideranças políticas e setor produtivo para pressionar por soluções.
JC – Qual é a prioridade mais urgente hoje?
Pires – Melhorar as condições da BR-290. Isso impacta tudo: o agronegócio, o comércio, o custo de vida e a integração da região. É a base para qualquer desenvolvimento.

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