O Rio Grande do Sul é um dos principais produtores de azeite de oliva extravirgem do Brasil. No cultivo da sua matéria-prima, a azeitona, fruto da oliveira, a Região Sul se destaca com os três municípios com as maiores áreas de olivais. Entretanto, nos últimos anos, foi necessário dar um passo atrás nos trabalhos: com uma queda na produtividade em 2024 e em 2025, é necessário investir em pesquisa para retomar os patamares dos anos anteriores. A avaliação é do presidente do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), Flávio Obino Filho.
A safra 2023/24 foi frustrante para muitos produtores. Na anterior, de 2022/23, a produção havia sido expressiva, com 580.228 litros de azeite e, no ano seguinte, esperava-se, inicialmente, superar o valor, chegando a 696.274, um aumento de 20%. Entretanto, eventos climáticos como ciclones, ventos fortes e menor intensidade do frio, levaram a uma queda de 67% na produtividade. Ao todo, foram 193.150 litros de azeite, 73% a menos do que o previsto.
Apesar dos entraves, era esperada outra supersafra em 2024/25. Mas o excesso de chuvas de 2024 indicam que, novamente, o cenário de menor produtividade deverá se repetir: a Ibraoliva estima um crescimento em relação à última safra, mas com números ainda inferiores que a de 2022/23. Os dados ainda não foram fechados, mas deverão ser disponibilizados neste primeiro semestre do ano.
A expectativa é de que, nos próximos anos, as pesquisas do Ibraoliva contribuam para identificar se os cultivares utilizados atualmente são os melhores para o clima gaúcho e, também, os impactos nos olivais dos defensivos hormonais utilizados na produção de soja em áreas próximas. "Nós vamos voltar para dentro da porteira para entender o que está acontecendo", pontua Obino.
"Se nós tivéssemos mantido aquele ritmo de crescimento, hoje nós estaríamos com certeza com mais de 8 mil hectares plantados", avalia o presidente do Ibraoliva. Apesar da queda de produtividade, a qualidade do azeite, considera, não foi reduzida: "nós temos, talvez, o melhor azeite do mundo e um parque fabril preparado, mas temos que ter oliva", acrescenta.
A expectativa de Obino é de que a área plantada seja ampliada nos próximos anos, assim como a produtividade. Para a safra de 2025/26, ele projeta a possibilidade de produzir entre 600 e 800 mil litros de azeite, a depender do clima e que, nos próximos anos, possa chegar a 1 milhão, a partir de pomares mais produtivos. Além disso, espera que os azeites gaúchos conquistem pelo menos 5% do mercado nacional, quintuplicando o percentual no mercado consumidor.
Maiores áreas de olivais nas regiões
- Pinheiro Machado
- Canguçu
- Caçapava do Sul
- Santana do Livramento
- São Gabriel
Fonte: Secretaria da Agricultura, 2024