Porto Alegre,

Anuncie no JC
Assine agora

Publicada em 10 de Abril de 2026 às 14:10

Produção de hortifrutis da Serra gaúcha conquista mercados no exterior

Petry Alimentos produz schmier colonial, chimias e geleias

Petry Alimentos produz schmier colonial, chimias e geleias

Petry Alimentos/Divulgação/JC
Compartilhe:
Eduardo Torres
Eduardo Torres Repórter

A cidade com melhor índice de qualidade de vida do Rio Grande do Sul, conforme o ranking do Instituto Imazon, levando em conta indicadores de educação, saúde e segurança, é Presidente Lucena, no Vale do Paranhana. Com seus pouco mais de três mil habitantes, tem a indústria calçadista, especialmente com a fábrica da Luz da Lua, como sua principal exportadora. No entanto, tem um gostinho bem natural e recheado de tradição que transforma em "tipo exportação" um produto dessa comunidade – expectativa reforçada com o acordo entre Mercosul e União Europeia: o município é conhecido como a Capital da Schmier Colonial.

A cidade com melhor índice de qualidade de vida do Rio Grande do Sul, conforme o ranking do Instituto Imazon, levando em conta indicadores de educação, saúde e segurança, é Presidente Lucena, no Vale do Paranhana. Com seus pouco mais de três mil habitantes, tem a indústria calçadista, especialmente com a fábrica da Luz da Lua, como sua principal exportadora. No entanto, tem um gostinho bem natural e recheado de tradição que transforma em "tipo exportação" um produto dessa comunidade – expectativa reforçada com o acordo entre Mercosul e União Europeia: o município é conhecido como a Capital da Schmier Colonial.

A schmier trata-se de um doce de melado com batata doce. Em indústrias como a Petry, que emprega 191 pessoas e responde pelo terceiro maior retorno de ICMS do município, o produto ganha dimensão industrial. Na origem da empresa, há 65 anos, era produzido a granel para venda na Região Metropolitana. A partir dos anos 2000, a Petry passou a produzir também as chimias e geleias, com frutas, e, há oito anos, as conservas de pepino. Este, inclusive, é o atual produto exportado pela empresa na América Latina. A Petry já é uma das três maiores produtoras de conservas do Brasil e a maior do Rio Grande do Sul. A exportação de conservas responde por 1% das vendas de Presidente Lucena ao Exterior.
"O mercado europeu está no nosso radar. A schmier tem um apelo muito bom em diversos países, e temos o plano de explorar esse aspecto. Temos aqui em Presidente Lucena um ambiente muito favorável para a produção e o crescimento. Hoje, a nossa produção divide-se em 50% para conservas, 40% entre os doces e outros 10% em polpas de frutas, em uma área de 8 mil metros quadrados", explica o diretor administrativo da Petry, Luciano Fick.
Em 2025, a empresa concluiu um investimento de R$ 12 milhões entre aquisição de maquinários, reforma do prédio e melhorias na automação da produção.  Um processo, como faz questão de salientar o diretor, que começa muito antes do chão da fábrica. "Nesta região, temos o benefício da grande disponibilidade de fritas e legumes como morango, figo, batata doce, abóbora, uva e cana. São pelo menos 100 produtores rurais que dependem diretamente da nossa indústria e são nossos fornecedores", detalha.
Ao todo, a Petry produz até 800 toneladas de doces e conservas por mês.

Natureza que conquista paladares

Frutas são atrativos levados a feiras internacionais pela Bom Princípio

Frutas são atrativos levados a feiras internacionais pela Bom Princípio

Bom Princípio Alimentos/Divulgação/JC
A produção de frutas entre os vales do Paranhana, Caí e Serra garante a movimentação de um setor industrial de alto potencial e diferencial em outros contextos mundiais.
"Vemos com bons olhos a possibilidade de abertura do mercado europeu para os nossos produtos. Hoje existe ainda uma barreira para produtos com leite na composição e não está muito claro se esse nível de rigor vai reduzir com o acordo. Mas ganhamos muito em competitividade justamente pela nossa base diferenciada de frutas. Já percebemos isso sempre que estamos em feiras internacionais. O consumidor estrangeiro busca as nossas frutas, a tropicalidade. Nós conseguimos, com isso, entrar bem em novos mercados com valor agregado", explica o gerente comercial e de exportação da Bom Princípio Alimentos, Vinícius Corrêa.
A partir de investimentos que ultrapassam R$ 4 milhões em 2026 na ampliação fabril em Tupandi, no Vale do Caí, principalmente na produção das suas bases de cremes de avelã, chimias e chocolates, a estimativa é aumentar a produção em 15%. Em relação ao faturamento, a perspectiva é ficar entre 15% e 20% de aumento em 2026. No ano passado já houve crescimento de 20%.
Além da fábrica em Tupandi, a empresa conta com centros de distribuição em Sapucaia do Sul, no Vale do Sinos, além de Pernambuco, de onde há distribuição dos produtos no Norte e Nordeste, e no Espírito Santo, para a logística no Sudeste e Centro-Oeste. A aposta da Bom Princípio, porém, está na conquista dos mercados no Exterior. Hoje, as exportações respondem por 1% do faturamento. A meta, de acordo com Corrêa, é chegar a 3% ainda em 2026 e, em cinco anos, 10%.
"Nossa atenção atual está direcionada à toda a América Latina e nos Estados Unidos. A linha de food service deve crescer muito. Somos, por exemplo, os fornecedores de quase toda a rede hoteleira de Punta Cana, na República Dominicana. Por vezes, adaptamos nosso produto ao gosto do consumidor de outras localidades. Os principais produtos exportados hoje são cremes de avelã, recheios e coberturas também de frutas e chocolates. Uma das tendências em novos produtos desenvolvidos pela nossa pesquisa e desenvolvimento é a valorização das frutas", aponta.
Entre os lançamentos já feitos pela empresa em 2026 está, por exemplo, um recheio de abacaxi ao vinho, que vai da linha de sorvetes à produção de cucas.
Em todo o ano passado, a Bom Princípio exportou US$ 347,4 mil, uma média de US$ 28,95 por mês, e respondeu por 2% de todas as exportações de Tupandi. Somente em janeiro deste ano, foram comercializados US$ 76,4 mil, ou 6,2% do total de vendas ao Exterior por empresas do município.
Um dos principais exemplos de produção de conservas gaúchas para exportação fica justamente no Vale do Caí. A partir de São Sebastião do Caí, a Oderich comercializou quase US$ 70 milhões entre conservas de carnes e miudezas em 2025, com 26,5% destinados à Europa e 25,7% à África. E isso garante o município entre os 50 maiores exportadores gaúchos, com um crescimento de 11,5% em relação a 2024.
 

Produção de frutas nos municípios da região

Maiores produtores de uvas

  • Flores da Cunha
  • Bento Gonçalves
  • Farroupilha
  • Caxias do Sul
  • Monte Belo do Sul

Maiores produtores de abóbora

  • Santa Maria do Herval
  • Caxias do Sul
  • São Francisco de Paula
  • Ipê
  • Campestre da Serra

Maiores produtores de ameixa

  • Caxias do Sul
  • Antônio Prado
  • Farroupilha
  • Campestre da Serra
  • Ipê

Maiores produtores de batata doce

  • Feliz
  • Presidente Lucena
  • Nova Petrópolis
  • Linha Nova
  • Coronel Pilar

Maiores produtores de figo

  • Feliz
  • Caxias do Sul
  • Nova Petrópolis
  • Gramado
  • Antônio Prado

Maiores produtores de goiaba

  • Feliz
  • Vale Real
  • Caxias do Sul
  • Bom Princípio
  • Linha Nova

Maiores produtores de laranja

  • São José do Hortêncio
  • Tupandi
  • Montenegro
  • São José do Sul
  • Harmonia

Maiores produtores de maçã

  • Vacaria
  • Caxias do Sul
  • Bom Jesus
  • Muitos Capões
  • São Francisco de Paula

Maiores produtores de morango

  • Ipê
  • Bom Princípio
  • Caxias do Sul
  • São Sebastião do Caí
  • Vacaria

Maiores produtores de bergamota

  • Montenegro
  • Pareci Novo
  • São José do Sul
  • Harmonia
  • São José do Hortêncio

Maiores produtos de pêssego

  • Pinto Bandeira
  • Caxias do Sul
  • Antônio Prado
  • Farroupilha
  • Campestre da Serra

Maiores produtores de tomate

  • Caxias do Sul
  • Nova Bassano
  • Flores da Cunha
  • São Francisco de Paula
  • Ipê
 

Notícias relacionadas