Porto Alegre,

Anuncie no JC
Assine agora

Publicada em 09 de Abril de 2026 às 12:35

Desigualdades na cadeia produtiva do vinho frente a acordo com União Europeia preocupam o setor

No Rio Grande do Sul estimativa é que pelo menos 20 mil famílias estejam ligadas à produção vinícola

No Rio Grande do Sul estimativa é que pelo menos 20 mil famílias estejam ligadas à produção vinícola

Anderson Pagani/Divulgação/JC
Compartilhe:
Eduardo Torres
Eduardo Torres Repórter
O avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia, que entrará em vigor no dia 1º de maio, está longe de ser plenamente positivo para o setor vitivinícola gaúcho. Ao contrário, as entidades do setor já manifestaram grande preocupação com a abertura do mercado brasileiro para os produtos europeus, um risco especialmente aos vinhos gaúchos. O Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), em nota oficial, alertou que "a eventual eliminação de tarifas de importação ao longo dos próximos anos exige atenção redobrada às condições internas de competitividade".
O avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia, que entrará em vigor no dia 1º de maio, está longe de ser plenamente positivo para o setor vitivinícola gaúcho. Ao contrário, as entidades do setor já manifestaram grande preocupação com a abertura do mercado brasileiro para os produtos europeus, um risco especialmente aos vinhos gaúchos. O Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), em nota oficial, alertou que "a eventual eliminação de tarifas de importação ao longo dos próximos anos exige atenção redobrada às condições internas de competitividade".
A nota complementa que a preocupação maior está na assimetria em relação aos produtos europeus. "Em importante nações produtoras, como Itália, Espanha, Portugal e Argentina, o vinho recebe reconhecimento como alimento, patrimônio cultural ou nacional, além de contar com cargas tributárias mais equilibradas, políticas de incentivo, subsídios e instrumentos de proteção à produção", detalha. E segue: "há risco de aprofundamento das desvantagens competitivas já enfrentadas pelo vinho brasiileiro, hoje pressionado pela concorrência de produtos importados, inclusive de países do próprio Mercosul".
Com isso, o setor está se mobilizando. "Agora, com o avanço da concretização do acordo, é hora de agirmos nos bastidores. Nas atuais condições, temos hoje muito mais a perder do que a ganhar com esse novo cenário. Por isso, antes de entrarmos nele, é preciso haver simetria no tratamento aos produtores gaúchos em relação ao que os importados terão. Em Portugal, por exemplo, o governo libera 1 bilhão de euros aos produtores, na França, têm políticas fortes de incentivo. Já no Brasil, é o contrário. É preciso incentivar a produção, porque, no Rio Grande do Sul, estamos falando das vidas de pelo menos 20 mil famílias. Estamos falando da sobrevivência de uma cadeia produtiva", avalia o diretor de marketing e vendas da Cooperativa Vinícola Aurora, Rodrigo Arpini.
E há ainda o agravante do excesso de vinhos nos grandes países produtores. Naturalmente, o Brasil se torna um mercado em potencial. Serão vinhos, como diz Arpini, entrando no País a 1 euro. Em uma balança, diferente dos espumantes, em desequilíbrio com o produto local. Para que se tenha uma ideia, Flores da Cunha é o município com maior volume produzido de vinhos no Rio Grande do Sul em 2025, com 85,7 milhões de litros, dos quais, 78% são vinhos de mesa, mais populares. Conforme a avaliação das entidades do setor, este tende a ser, nas atuais condições, o segmento mais afetado pelo acordo com os europeus.
Na Aurora, são 1,1 mil produtores associados. A produção cooperativa predomina entre as principais vinícolas da Serra, e esta, aponta Arpini, pode ser uma ferramenta de proteção. "Os produtores acabam fortalecidos pela ação coletiva. Nós estamos preocupados em dar condições a essa ponta inicial da cadeia produtiva, porque aqui no Estado, e na Serra, produzimos um vinho de muita qualidade, com o olhar do produtor", garante.

Ranking da produção de vinhos, espumantes e suco de uva

Em 2025, o Rio Grande do Sul produziu 235,2 milhões de litros de vinho, 43,8 milhões de litros de vinhos finos e espumantes, 91,2 milhões de litros de sucos de uva

Maiores produtores de vinho (2025)

  • Flores da Cunha 85,7 milhões de litros
  • Bento Gonçalves 29,3 milhões de litros
  • Farroupilha 24,2 milhões de litros
  • Campestre da Serra 18,05 milhões de litros
  • Garibaldi 16,9 milhões de litros
 

Maiores produtores de vinhos finos e espumantes (2025)

  • Bento Gonçalves 17,2 milhões de litros
  • Farroupilha 7,9 milhões de litros
  • Garibaldi 7,6 milhões de litros
  • Flores da Cunha 3,7 milhões de litros
  • Caxias do Sul 850 mil litros

Maiores produtores de sucos (2025)

  • Bento Gonçalves 20,6 milhões de litros
  • Flores da Cunha 20,4 milhões de litros
  • Farroupilha 10,9 milhões de litros
  • Veranópolis 9,4 milhões de litros
  • São Marcos 7,3 milhões de litros
(Fonte: SISDEVIN)

Notícias relacionadas