Na gaúcha Alibem Alimentos, o momento de aquecimento da produção de suínos na região é simbólico. Recentemente, a empresa ampliou em 60 módulos, com capacidade para 1 mil suínos, a sua rede integrada de fornecimento para a indústria. A procura de produtores foi tamanha que, em menos de dois meses, o módulo já estava completo, fazendo, inclusive, com que a empresa planeje mais uma expansão de matrizes.
"Temos uma premissa de valorizar esse produtor. Ele fornece para a Alibem, mas mantém, na sua propriedade, outras produções, como grãos. Geramos mais empregos e garantia de renda no campo. Atuamos com granjas 100% verticalizadas e rastreadas, que recebem toda a assistência, alimentação e logística da Alibem, e hoje formam um plantel com 80 mil matrizes e mais de 1 milhão de suínos criados", conta o diretor administrativo da Alibem, Ângelo Meneghetti.
São mais de 160 produtores integrados em dez municípios, todos na Macrorregião Norte do Rio Grande do Sul, formando uma das mais capilarizadas redes de produtores integrados entre as indústrias do setor no Estado.
Hoje com capacidade de abate de oito mil suínos por dia, e empregando 5,5 mil pessoas, a Alibem tem unidades industriais em Santa Rosa, onde abate e produz cortes para exportação e o mercado nacional, em Santo Ângelo, dedicada à exportação, e em Estação, onde só produz processados e cortes para o mercado interno. Não à toa, Santa Rosa e Santo Ângelo figuram entre os maiores exportadores gaúchos nos últimos anos. Somados, os dois municípios negociaram mais de US$ 230 milhões em carne suína e miudezas com o Exterior no ano passado.
"Hoje somos a quinta maior indústria do setor no Brasil, e começamos de uma maneira um pouco diferente do tradicional, já com vocação e desbravando o mercado externo. Exportamos 65% de toda a produção atualmente, e temos uma posição bem consolidada. A proteína suína é a mais consumida no mundo, e nós podemos dizer que aqui temos excelência na produção", explica Meneghetti.
A Alibem foi criada em 2000, e em 2003 entrou de vez na exportação. No ranking do setor no Brasil, estão à frente JBS, MBRF, Aurora Alimentos e, muito próximo da Alibem, a Pamplona. Entre todos eles, somente Pamplona não tem unidades no Rio Grande do Sul.
Já a entrada da Alibem como marca própria no mercado interno aconteceu mais tarde, e tem priorizado cortes em menor quantidade, com valor agregado, e processados. E, assim como outras empresas do setor, esbarra no gargalo da limitação de mão de obra.
"Temos investido tanto na automatização quanto na melhor ergonomia das nossas estruturas como forma de reter as pessoas em um ambiente mais agradável para trabalhar. Essa dificuldade não chega a travar nossos planos no mercado interno, mas muitas vezes não conseguimos chegar aos volumes de produção que desejamos no tempo adequado", explica o executivo.
A empresa tem, permanentemente, entre 50 e 100 vagas disponíveis em suas plantas industriais.