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Publicada em 01 de Junho de 2026 às 00:25

Armazenagem é desafio estratégico para sustentar crescimento do agro no Norte gaúcho

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Ana Esteves
A capacidade de armazenagem de grãos continua sendo um dos principais desafios para o agronegócio do Rio Grande do Sul. Embora as regiões Norte e Noroeste do Estado concentrem a maior estrutura de estocagem gaúcha, lideranças do setor alertam que o volume disponível ainda está longe do ideal para acompanhar o potencial produtivo das lavouras e garantir competitividade aos produtores. O diretor de produção agrícola da Cotripal Agropecuária Cooperativa, de Panambi, João Carlos Pires, diz que a região Norte tem capacidade de armazenar entre 75% e 80% da sua necessidade, percentual que ainda não é ideal. “Isso conseguimos na capacidade dinâmica, pela estática não se consegue. Entra o trigo, e parte dele é comercializado, depois vem o milho, aí vem a soja e vamos conseguindo fazer essa dinâmica. A maior capacidade instalada está em Passo Fundo, Cruz Alta, Carazinho e Ijuí”, diz Pires. 
A capacidade de armazenagem de grãos continua sendo um dos principais desafios para o agronegócio do Rio Grande do Sul. Embora as regiões Norte e Noroeste do Estado concentrem a maior estrutura de estocagem gaúcha, lideranças do setor alertam que o volume disponível ainda está longe do ideal para acompanhar o potencial produtivo das lavouras e garantir competitividade aos produtores. O diretor de produção agrícola da Cotripal Agropecuária Cooperativa, de Panambi, João Carlos Pires, diz que a região Norte tem capacidade de armazenar entre 75% e 80% da sua necessidade, percentual que ainda não é ideal. “Isso conseguimos na capacidade dinâmica, pela estática não se consegue. Entra o trigo, e parte dele é comercializado, depois vem o milho, aí vem a soja e vamos conseguindo fazer essa dinâmica. A maior capacidade instalada está em Passo Fundo, Cruz Alta, Carazinho e Ijuí”, diz Pires. 
O presidente da Associação dos Cerealistas do Rio Grande do Sul (Acergs) e diretor da Cepal Cereais, Roges Pagnussat, diz que a região Norte é a que tem maior capacidade de armazenamento no Estado, colocando o Rio Grande do Sul no topo do ranking brasileiro de armazenagem, mas que, mesmo assim, ainda padece de um déficit considerável. “O Estado consegue armazenar aproximadamente 50% da produção. O ideal seria avançarmos para uma relação próxima à dos Estados Unidos, que trabalha com capacidade equivalente a três vezes o volume produzido”, aponta o dirigente. O cenário torna-se ainda mais preocupante diante da expectativa de recuperação das safras gaúchas, após uma sequência de perdas provocadas por estiagens e enchentes. Somente nos últimos quatro anos, o Estado deixou de colher mais de 20 milhões de toneladas de soja em razão de eventos climáticos extremos. Na safra atual, considerada próxima da normalidade, a produção da oleaginosa deve chegar a 19 milhões de toneladas, conforme dados da Emater-RS/Ascar. Em anos de plena produtividade, porém, o volume pode superar 24 milhões de toneladas, ampliando a pressão sobre a infraestrutura de armazenagem. “Se as safras vierem cheias esse gargalo da armazenagem crescerá ainda mais”, diz o dirigente. 
O déficit de capacidade gera impactos diretos na renda dos produtores, pois um dos principais problemas ocorre no momento da comercialização, quando grandes volumes de grãos precisam ser escoados simultaneamente para exportação. “O mercado internacional sabe das nossas limitações logísticas e de armazenagem. Quando há concentração de oferta, os prêmios pagos nos portos acabam sendo reduzidos, o que significa perda de receita para o produtor gaúcho”, explica. Na busca por alternativas para armazenagem, muitos produtores têm utilizado o Silo-bolsa, um mecanismo instalado nas lavouras que permite que parte dos grãos colhidos fiquem estocados. “Não resolve o problema, mas reduz danos, é barato e permite que o produtor guarde a produção na propriedade”, afirma o diretor vice-presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) e presidente da comissão de Trigo e Cultivares de Inverno da entidade, Hamilton Jardim. 
Além da comercialização, a armazenagem também é considerada fundamental para garantir maior regularidade no abastecimento da indústria. O avanço do processamento de soja no Estado, impulsionado pela expansão do biodiesel e de outros biocombustíveis, aumenta a necessidade de oferta contínua de matéria-prima ao longo do ano. “Estamos industrializando cada vez mais soja dentro do Rio Grande do Sul. Quanto maior a capacidade de armazenagem, maior será a estabilidade de fornecimento para as indústrias e melhor será a organização da cadeia produtiva”, destaca.
Atualmente, cooperativas agropecuárias e grandes empresas cerealistas lideram os investimentos em armazenagem. Entre os principais operadores do setor estão cooperativas regionais e empresas privadas que ampliaram significativamente suas estruturas nos últimos anos. É o caso da Cotripal que, noa últimos cinco anos aumentou a capacidade de armazenagem em 60 mil tonaleladas, ou 1 milhão de sacas a mais. “Com o incremento a capacidade de recebimento e estocagem chegou a 450 mil toneladas”, afirma Pires. Também foram feitos investimentos na instalação de novos secadores com mais capacidade, ou em unidades que não tinham essa ferramenta. “Aumentou muito a produção de milho aqui na nossa região e o cereal sempre vem com umidade mais alta, assim como o trigo, por isso precisamos ter uma capacidade boa de secadeira”, diz Pires. 
Ente os principais gargalos do setor, Pagnussat aponta o acesso ao crédito como entrave, especialmente para cerealistas provados. “Enquanto as cooperativas contam com linhas específicas de financiamento para armazenagem, a iniciativa privada enfrenta dificuldades para acessar recursos destinados à construção e ampliação de silos e armazéns. O armazenamento é uma questão de segurança alimentar e de segurança nacional. Precisamos ampliar os mecanismos de financiamento para que todo o setor possa investir em infraestrutura”, afirma.

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