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Publicada em 01 de Junho de 2026 às 00:25

Norte gaúcho amplia demanda por energia e expansão da região exige novos investimentos

Creral - Subestação Creral-Entre Rios - Mapa Econômico do RS

Creral - Subestação Creral-Entre Rios - Mapa Econômico do RS

/Creral/Divulgação/JC
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Ana Esteves
O Norte do Rio Grande do Sul vive um dos momentos mais dinâmicos de sua história recente, impulsionado pelo crescimento do agronegócio, da agroindústria, da indústria de transformação e da expansão urbana de cidades-polo. Diante desse cenário se verifica um incremento considerável da demanda por energia, transformando o setor em um dos principais alicerces para sustentar o desenvolvimento econômico dos próximos anos. Para a presidente do Sindienergia-RS, Daniela Brondani, o Norte do Estado se consolidou como uma das regiões mais promissoras para novos investimentos, pois o crescimento, especialmente de setores relacionados ao setor primário, vem sendo acompanhado por projetos relacionados aos biocombustíveis e à transição energética. “A região está concentrando uma indústria do agro muito pujante. Temos acompanhado investimentos importantes ligados à produção de grãos, biodiesel e combustíveis renováveis, criando uma demanda crescente por energia”, afirma.
O Norte do Rio Grande do Sul vive um dos momentos mais dinâmicos de sua história recente, impulsionado pelo crescimento do agronegócio, da agroindústria, da indústria de transformação e da expansão urbana de cidades-polo. Diante desse cenário se verifica um incremento considerável da demanda por energia, transformando o setor em um dos principais alicerces para sustentar o desenvolvimento econômico dos próximos anos. Para a presidente do Sindienergia-RS, Daniela Brondani, o Norte do Estado se consolidou como uma das regiões mais promissoras para novos investimentos, pois o crescimento, especialmente de setores relacionados ao setor primário, vem sendo acompanhado por projetos relacionados aos biocombustíveis e à transição energética. “A região está concentrando uma indústria do agro muito pujante. Temos acompanhado investimentos importantes ligados à produção de grãos, biodiesel e combustíveis renováveis, criando uma demanda crescente por energia”, afirma.
Dessa maneira, cooperativas, distribuidoras e entidades representativas do setor trabalham para ampliar a capacidade de fornecimento, modernizar redes de distribuição e acelerar investimentos em geração renovável, garantindo que a infraestrutura energética acompanhe o ritmo de crescimento da economia regional. Entre elas está a Cooperativa Regional de Eletrificação Rural do Alto Uruguai (Creral), que atende 37 municípios do Norte gaúcho e acompanha de perto a evolução do consumo energético da região. Nos últimos quatro anos, a cooperativa registrou crescimento de 38,5% no volume de energia comercializada, saltando de 77,4 GWh para 106,8 GWh anuais. A expansão é reflexo direto da instalação e ampliação de agroindústrias, frigoríficos, unidades de processamento de grãos, cooperativas agropecuárias e empreendimentos ligados à cadeia de produção de alimentos. Atualmente, embora 57% dos associados da Creral pertençam à classe rural, é o setor industrial que concentra a maior fatia do consumo energético: 58% de toda a energia distribuída pela cooperativa é destinada às indústrias. “Somente no primeiro trimestre deste ano, o crescimento na distribuição de energia pela cooperativa foi de 6,26% em comparação ao mesmo período de 2025, evidenciando que a demanda continua avançando”, afirma o presidente da Creral, Alderi do Prado. A área atendida pela Creral possui cerca de 1,9 mil Km de redes de distribuição, em 37 municípios, exigindo constantes melhorias para garantir qualidade e segurança no fornecimento.
Em 2025, entrou em operação a primeira subestação de 138 kV da cooperativa, instalada em Entre Rios do Sul com investimento em torno de R$ 20 milhões e foi acompanhado pela construção de 33 quilômetros de redes trifásicas, interligando municípios como Entre Rios do Sul e Trindade do Sul, Floriano Peixoto e Sananduva, além de Centenário e Carlos Gomes. Nos próximos meses será inaugurada a nova subestação de Sananduva, resultado de um aporte de R$ 26 milhões. Paralelamente, a cooperativa executa a modernização de mais de 40 quilômetros de redes trifásicas para atender a unidade industrial do frigorífico Bugio e cerca de 30 comunidades rurais. Já está em planejamento uma terceira subestação, desta vez no município de Getúlio Vargas, onde a área para instalação já foi adquirida.
A CPFL RGE, responsável por cerca de dois terços da distribuição de energia no território gaúcho, também tem forte atuação na região Norte do Estado, onde mantém um plano de investimentos voltado à modernização e ao aumento da resiliência da rede elétrica. Em 2025, mais de 80% dos aportes foram direcionados para iniciativas de automação, digitalização e aumento da confiabilidade do fornecimento. “A companhia segue avançando no fortalecimento da infraestrutura elétrica, com foco em confiabilidade, resiliência da rede, eficiência operacional e qualidade do serviço prestado aos clientes. Os investimentos priorizam tanto a expansão e consolidação de tecnologias já adotadas quanto a incorporação de novas soluções digitais e operacionais, ampliando a capacidade do sistema de responder a cenários cada vez mais complexos, especialmente diante do aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos”, afirma o diretor-presidente da CPFL RGE, Ricardo Dalan.
Considerando apenas as cidades atendidas pela CPFL RGE, a Região Norte recebeu mais de R$ 397 milhões em investimentos ao longo de 2025, voltados ao reforço, modernização e ampliação da rede elétrica. As entregas do período priorizaram a resiliência da rede, a automação e a adaptação a eventos climáticos, beneficiando clientes em toda a área de concessão. Entre as principais ações, foram substituídos 14.754 postes por estruturas mais modernas, aumentando a segurança e a confiabilidade do sistema. Também foram construídos ou reformados 752,8 quilômetros de redes de média tensão, ampliando a capacidade de atendimento e reduzindo vulnerabilidades operacionais. Além disso, a companhia instalou 118 novos religadores telecomandados, equipamentos que permitem isolar falhas e restabelecer o fornecimento de energia de forma remota em poucos segundos, reduzindo o impacto de interrupções para os clientes. “Entre as obras estruturantes, destaca-se a construção da Subestação Erechim 4 e Frederico Westphalen 2, com investimento superior a R$ 101 milhões e impacto direto para mais de 90,6 mil clientes. Também foram entregues reforços em linhas de distribuição, como as linhas de 69 kV Sananduva–Paim Filho e de 138 kV Vila Maria–Serafina Corrêa, além da ampliação da Subestação Lagoa Vermelha 1”, elenca o executivo. Esses empreendimentos fazem parte de um conjunto mais amplo de investimentos estruturantes da companhia na região, que somam mais de R$ 160 milhões e ampliam significativamente a capacidade, a confiabilidade e a flexibilidade operacional do sistema elétrico.  A CPFL RGE prevê, para o ciclo de 2025 a 2029, cerca de R$ 9 bilhões em investimentos em sua área de concessão, contemplando ações de expansão, modernização e reforço do sistema elétrico.
Esses aportes abrangem todas as regiões atendidas pela distribuidora, incluindo o Norte do Rio Grande do Sul, e são definidos com base em estudos técnicos e projeções de crescimento da demanda, considerando fatores como a expansão econômica regional, o avanço do agronegócio e o aumento do consumo de energia. “É importante destacar que o sistema elétrico opera de forma integrada. Por isso, investimentos realizados em uma determinada localidade, como a construção de subestações, novas linhas ou reforços estruturais, frequentemente geram benefícios que se estendem a municípios vizinhos ou até a outras regiões, ampliando a capacidade, a confiabilidade e a flexibilidade operacional do sistema como um todo”, destaca Dalan.
Daniela observa que o avanço da produção agrícola e industrial exige uma discussão cada vez mais ampla sobre eficiência energética e um dos temas prioritários para o setor é o custo da energia utilizada na irrigação. Levantamento realizado pelo Sindienergia-RS aponta que aproximadamente 30% do custo operacional dos sistemas de irrigação por pivô central corresponde ao consumo de energia elétrica. Quando são somados os tributos incidentes sobre a conta de luz, esse percentual ultrapassa 50% do custo total de operação. “Diante desse cenário, o sindicato tem defendido a adoção de modelos energéticos mais eficientes, capazes de reduzir custos para os produtores e ampliar a competitividade da produção agrícola gaúcha”, diz a dirigente.
Estudos do setor indicam que, apenas na agricultura irrigada, a demanda por energia elétrica no Brasil pode crescer cerca de 43% até 2040, evidenciando a necessidade de uma infraestrutura elétrica mais robusta e preparada para esse cenário. “A CPFL RGE acompanha essa evolução e incorpora essas necessidades em seu planejamento de investimentos, elaborado com base em critérios técnicos e regulatórios e submetido à aprovação da ANEEL. A atuação ocorre tanto de forma estruturada, com a expansão e o reforço da rede em regiões com maior crescimento de carga, quanto de forma individualizada, por meio do atendimento a solicitações de aumento de carga e conversão para redes trifásicas feitas pelos clientes”, afirma Dalan.
Outro tema considerado estratégico é a gestão dos recursos hídricos. As sucessivas estiagens e enchentes registradas nos últimos anos reforçaram a necessidade de investimentos em infraestrutura hídrica capaz de armazenar água durante períodos de abundância e garantir abastecimento em momentos de escassez. “Estamos falando de segurança social. Precisamos reduzir os impactos das enchentes e, ao mesmo tempo, garantir disponibilidade de água nos períodos de estiagem”, destaca Daniela. Segundo ela, a discussão sobre reservação de água precisa estar integrada ao planejamento energético, especialmente em uma região onde a irrigação se tornou fundamental para garantir produtividade agrícola e estabilidade econômica. 
Além da expansão da distribuição, a geração distribuída também vem ganhando espaço no Norte gaúcho. Na área de atuação da Creral, os sistemas solares já representam 28% da capacidade de carga instalada da cooperativa. Atualmente, cerca de 420 usinas fotovoltaicas estão conectadas às redes de distribuição. Embora a procura por novos projetos continue ocorrendo diariamente, a cooperativa observa que os produtores rurais têm buscado analisar de forma mais criteriosa a viabilidade econômica dos investimentos em geração própria antes de instalar novos sistemas. “A aposta na matriz renovável, entretanto, segue sendo uma das marcas da cooperativa. Atualmente, a Creral mantém um parque próprio composto por 17 usinas solares, oito pequenas centrais hidrelétricas e uma usina de biomassa, acumulando mais de duas décadas de atuação na geração de energia limpa”, acrescenta Prado.
Os desafios do setor, porém, vão além da ampliação da oferta, pois as mudanças climáticas impõem novas exigências à infraestrutura elétrica. Eventos extremos, como temporais, ventos intensos e enchentes, tornaram-se mais frequentes e exigem investimentos permanentes em resiliência das redes. Em função disso, desde 2016, toda a rede da Creral passou a utilizar postes de concreto, substituindo estruturas mais vulneráveis. Atualmente, a cooperativa já trabalha com modelos ainda mais robustos e investe em sistemas de monitoramento remoto, chaves automatizadas e comunicação online para identificar falhas rapidamente e reduzir o tempo de interrupção do fornecimento. Apesar dos avanços, especialistas apontam que a competitividade regional dependerá também de melhorias estruturais fora do setor elétrico e destacam que o Rio Grande do Sul ainda enfrenta custos elevados para investimentos quando comparado a outras regiões do país. Além disso, defendem a retomada de projetos ferroviários e hidroviários que possam reduzir custos logísticos e contribuir para uma economia de baixo carbono. “O desenvolvimento sustentável exige integração entre energia, logística, infraestrutura hídrica e inovação. A região Norte está crescendo de forma consistente e precisa que esses investimentos acompanhem essa evolução”, afirma Daniela.

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