Considerada uma das principais vias de escoamento da produção rural gaúcha, por onde circulam até 70% do PIB do Rio Grande do Sul, a duplicação da BR-386 avança, neste ano, na região do Alto da Serra do Botucaraí. De acordo com o diretor da Motiva Viasul, Fernando Henrique de Marchi, serão 55 quilômetros duplicados entregues até o final de 2026. Outros 18 quilômetros, no Vale do Taquari, já haviam sido concluídos no começo deste ano.
Agora, a concessionária executa obras nos trechos entre Fontoura Xavier e Soledade, e entre Soledade e Tio Hugo. Assim como aconteceu nos primeiros trechos concluídos, também houve atraso no cronograma dessas obras, que deveriam ter sido entregues entre o começo do ano passado e deste ano. A expectativa, como aponta o diretor, não se traduz exatamente com o aumento do fluxo na rodovia, mas com o aumento da confiabilidade para quem depende da via para movimentar a economia do eixo norte gaúcho.
"Onde já entregamos a 386 duplicada, percebemos muita melhora na condição de tráfego. Eram trechos que registravam constantes acidentes e congestionamentos com a pista simples. Agora, há mais segurança, menos paradas e uma valorização natural da economia ao redor da rodovia", comenta o diretor.
Depois de um desembolso total de mais de R$ 1 bilhão no Estado no ano passado, neste ano a ViaSil pretende investir em torno de R$ 600 milhões nas rodovias gaúchas que administra.
No Vale do Taquari, um novo polo logístico foi afirmado. A ideia é que, nos arredores de Soledade, possa acontecer um fenômeno semelhante.
Isso porque, já em julho é prevista a entrega dos 25 quilômetros entre Fontoura Xavier e Soledade. Neste trecho, serão dois novos retornos, duas intersecções, duas novas pontes, oito quilômetros de vias alternativas e uma passagem inferior na rodovia. Ao todo, a obra, que chegou a maio com 90% da execução, teve investimentos de R$ 300 milhões.
Já o trecho entre Soledade e Tio Hugo, com outros 30 quilômetros, tem entrega prevista para o final do ano, com três novas pontes, cinco retornos, quatro intersecções, 2,5 quilômetros de vias marginais e uma passarela, totalizando R$ 330 milhões desembolsados.
Já há no cronograma o próximo trecho de duplicação a ser iniciado, que, justamente, ligará o Vale do Taquari ao Alto da Serra do Botucaraí, com obras previstas entre Marques de Souza e Fontoura Xavier. No entanto, essa futura etapa de duplicação só deve ser iniciada em 2030.
"A partir da cheia de 2024, solicitamos uma revisão de prazos, porque, na época, todo o nosso time de projetos e engenharia esteve empenhado em reconstruir trechos afetados e, somente agora retornam ao desenvolvimento de novos projetos, inclusive mais resilientes do que o originalmente pensado. Mas, mesmo sem novas duplicações previstas para iniciarem entre 2027 e 2029, seguiremos fazendo aportes importantes nos trechos concedidos", explica Fernando Henrique de Marchi.
A concessionária ainda negocia com a ANTT o reequilíbrio econômico do contrato a partir dos valores desembolsados com a recuperação de rodovias atingidas pela cheia.