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Publicada em 01 de Junho de 2026 às 00:25

Produção de leite cada vez mais profissionalizada

Gadolando - Coleta do Leite - Crédito Isabele Kleim - Mapa Econômico do RS 2026 Região Norte

Gadolando - Coleta do Leite - Crédito Isabele Kleim - Mapa Econômico do RS 2026 Região Norte

/Isabele Kleim/Divulgação/JC
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Eduardo Torres
Eduardo Torres Repórter
Mesmo com a redução no número de produtores de leite nos últimos anos, a eficiência das propriedades tornou-se uma constante. No Noroeste Gaúcho, que em 2023 concentrou a maior produção leiteira entre as mesorregiões leiteiras do Brasil, entre 2003 e 2023, houve aumento de 108% no volume de leite produzido anualmente, chegando a 2,7 bilhões de litros naquele ano, conforme a Embrapa Leite. Índice que só não foi maior do que o crescimento verificado no Oeste Catarinense.
Mesmo com a redução no número de produtores de leite nos últimos anos, a eficiência das propriedades tornou-se uma constante. No Noroeste Gaúcho, que em 2023 concentrou a maior produção leiteira entre as mesorregiões leiteiras do Brasil, entre 2003 e 2023, houve aumento de 108% no volume de leite produzido anualmente, chegando a 2,7 bilhões de litros naquele ano, conforme a Embrapa Leite. Índice que só não foi maior do que o crescimento verificado no Oeste Catarinense.
A explicação para a melhoria, de acordo com o presidente da Associação dos Criadores de gado Holandês (Gadolando), Marcos Tang, é a conjunção de fatores como a aptidão dos produtores dessa região, a genética das vacas leiteiras, da raça Holandesa, e a qualidade dos campos, com um relevo favorável, no Noroeste.
"Quando o Rio Grande do Sul tinha 120 mil famílias envolvidas na produção leiteira, a média da produção não chegava a 100 litros por propriedade a cada dia, e isso representa a necessidade de maior custo logístico para a industrialização, impactando no rendimento do produtor. No Noroeste, com terra ainda disponível, os produtores que resistiram, investiram em empreendimentos para 100 a 200 vacas, e hoje vão para mais de 4 mil litros produzidos por dia na propriedade", detalha Tang.
As vacas holandesas representam 90% da produção leiteira gaúcha e, ao avaliar os dados dos associados, os números são ainda mais positivos. Vacas registradas chegam a produzir até 12 mil litros de leite por dia (média de 35 a 45 litros por dia), enquanto a média geral no Rio Grande do Sul é de 3 mil litros por ano -- considerada a melhor do Brasil.
"O fato é que, para termos competitividade e fazermos perdurar a boa posição, como uma proteína animal, não há mais espaço para amadores. Estamos falando de muito desenvolvimento genético e de propriedades que têm, por exemplo, três coletas por dia. Exige investimentos, e aí está um desafio para o setor", comenta o dirigente.
O custo da produção muitas vezes não é compensado pelo preço pago ao produtor. Enquanto é necessário investir em irrigação, reservatórios e insumos para melhoria na alimentação dos animais, a variação do preço do leite atende à disponibilidade do mercado e à condição do consumidor para pagar pelos produtos lácteos. 
O setor enfrentou mais de quatro anos de muita dificuldade nos preços, viveu uma grande melhora no começo do ano passado e, em seguida, o valor foi lá embaixo. O litro do leite chegou a ser vendido por R$ 2 pelos produtores, que tinham um custo de R$ 2,20 para produzir cada litro. Agora, houve recuperação e, no começo de maio, as vendas eram de R$ 2,50.
"Ainda chegará o dia em que falaremos da venda do leite, e não da entrega. O produtor não pode ser refém do preço ou da barganha", desabafa.
O desafio dos preços, porém, atinge o restante da cadeia produtiva. Para que se tenha uma ideia, o custo logístico – aquilo que se paga para recolher o leite – da matéria-prima para a produção de queijo no Rio Grande do Sul chega a 6% do valor final do produto, na Argentina, esse custo é de 1,5%.
Agora, por exemplo, o preço do quilo do queijo mussarela estabilizou em R$ 30 para a indústria e R$ 40 no mercado, como aponta o proprietário da Mandaká, Wlademir Dalbosco, agora está "a um preço aceitável para o consumidor". Isso porque o produto chegou a ser comercializado acima de R$ 50 o quilo durante a variação ocorrida entre o segundo semestre de 2025 e o começo deste ano.

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