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Publicada em 01 de Junho de 2026 às 00:25

Whey domina as prateleiras e dita o ritmo da indústria leiteira

Fase 2 do projeto vai exigir investimentos de R$ 55 milhões

Fase 2 do projeto vai exigir investimentos de R$ 55 milhões

/Whey do Brasil/Divulgação/JC
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Eduardo Torres
Eduardo Torres Repórter
Um ano após o início da produção em Palmeira das Missões, a Whey do Brasil – resultado da união entre sete laticínios da região – está em pleno processo de ampliação industrial e avanço no seu plano de entrada no cada vez mais atraente mercado de proteína isolada a partir do soro do leite. Na chamada fase 2 do projeto, são desembolsados R$ 55 milhões para erguer uma nova torre de filtragem de processamento do soro e em cinco novos concentradores, além de mais automação na planta industrial. A nova torre, que vai dobrar a capacidade de processamento da indústria, deve estar operando em abril de 2027.
Um ano após o início da produção em Palmeira das Missões, a Whey do Brasil – resultado da união entre sete laticínios da região – está em pleno processo de ampliação industrial e avanço no seu plano de entrada no cada vez mais atraente mercado de proteína isolada a partir do soro do leite. Na chamada fase 2 do projeto, são desembolsados R$ 55 milhões para erguer uma nova torre de filtragem de processamento do soro e em cinco novos concentradores, além de mais automação na planta industrial. A nova torre, que vai dobrar a capacidade de processamento da indústria, deve estar operando em abril de 2027.
Com isso, a Whey do Brasil chegará à capacidade de processar até dois milhões de litros de soro diariamente. A meta é chegar à formulação da proteína a até 95% de concentração, considerado o mais alto padrão para a formulação de produtos que vão da nutrição esportiva à animal.
"Sabíamos que tínhamos um mercado muito competitivo e com preços em crescimento pela alta demanda. Temos buscado todas as oportunidades para nos firmarmos como um ativo importante neste mercado. É um desafio normal para uma nova indústria, mas estamos evoluindo muito bem", diz o proprietário da Mandaká, um dos laticínios sócios do projeto, Wlademir Dalbosco.
Somente no Rio Grande do Sul, são pelo menos quatro indústrias ativas no processamento de soro, que até um tempo atrás era considerado resíduo pelos produtores de queijo e outros derivados do leite, para o isolamento proteico. Todas na macrorregião Norte, onde se concentra a maior bacia leiteira gaúcha. Em Três de Maio, por exemplo, ainda em 2015 a Nutrifont. que hoje faz parte do Grupo Lactalis, foi pioneira no País. Em Estação, a Sooro tem a sua produção. E o bom momento, inclusive, fez com que a Nestlé retomasse seus planos de atuação no Rio Grande do Sul.
Em março, a multinacional concluiu um investimento de R$ 60 milhões que permitiu a retomada de parte do que já foi uma unidade da própria Nestlé em Carazinho, especificamente para a produção a partir do soro do leite. Conforme a companhia, o Rio Grande do Sul assumiu papel estratégico neste mercado. A Nestlé é a única fabricante de fórmulas infantis no Brasil, a partir da sua produção no interior de São Paulo. A proteína obtida a partir do soro é matéria-prima fundamental. Segundo a Nestlé, 60% do soro que gera as fórmulas vem do Estado, com uma rede de 15 cooperativas e queijarias da região.
A intenção da empresa, com este investimento, é ampliar em 15% a sua capacidade de processamento de soro do leite até 2029. A planta industrial, implantada pela própria Nestlé em 2010 em Carazinho, havia sido repassada à Piracanjuba que, com essa nova estratégia, seguirá operando o processamento de leite UHT e outros derivados na unidade.
Curiosamente, a planta industrial onde a Whey do Brasil passou a produzir também já foi da Nestlé. Neste primeiro momento, até 1 milhão de litros de soro por dia enviados pelos associados está gerando proteína isolada com 34% de concentração. Essa é considerada a quantidade mínima para o mercado de formulação de suplementos alimentares e rações de alta performance. De acordo com Dalbosco, com dois novos concentradores, ainda com a capacidade de produção desta primeira etapa do projeto, o objetivo é chegar às concentrações de 60% – ideal, por exemplo, para iogurtes e bebidas lácteas – e 80% – muito utilizado em misturas secas e produtos lácteos.
"É uma fábrica inteiramente dedicada ao isolamento de proteína. Não está entre os nossos objetivos no momento criar produtos, mas fornecer essa proteína como matéria-prima para as indústrias, desde as de produtos lácteos, de nutrição, até a fabricação de rações. E dentro deste objetivo, estamos trabalhando para garantir cada vez mais qualidade no leite. É uma exigência cada vez maior do mercado", explica Wlademir Dalbosco.
A partir da proteína isolada gerada pela Whey do Brasil, a própria Mandaká, que hoje produz queijo e requeijão, planeja em breve lançar uma marca própria de whey protein, além de avançar nas formulações de iogurtes e outros produtos lácteos.
E se a operação em Palmeira das Missões representou uma solução ao soro, e até de rentabilidade com o desenvolvimento de novos produtos aos laticínios sócios do projeto, ela também garante praticamente a eliminação de desperdício na cadeia leiteira.
É que, do processo de isolamento da proteína, resta o chamado "permeado" do soro. E ele não vai fora. Também é negociado pela Whey do Brasil como matéria prima para produtos de panificação, biscoitos, bebidas, balas e achocolatados em pó.
"Também garantimos inovação no processamento do permeado para termos valor agregado em todos os nossos produtos", aponta o empresário.

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