O fortalecimento da cadeia produtiva suína tem sido também uma mola propulsora para o cultivo do milho, uma tradição da região que, atualmente, tem área de cultivo e capacidade de abastecimento aos produtores reduzida. Enquanto a produção de soja chega a quase sete milhões de hectares, também no verão, a de milho gira em torno de 800 mil hectares no Estado. O resultado é a necessidade de importação de milho para dar conta da demanda. De acordo com o diretor executivo do SIPS, Rogério Kerber, em 2025 foi preciso comprar 2,9 milhões de toneladas de milho de outros estados ou dos países da região para atender a pelo menos 30% da demanda do setor de suínos gaúcho.
"A tradição da suinocultura na faixa Noroeste e Norte do Estado prosperou historicamente pelo também tradicional cultivo do milho na região, que dá sustentação à produção de proteína animal. Mas atualmente, somos deficitários no grão, e isso, para nós da suinocultura é um desafio cada vez maior e com alto custo para a indústria. Isso acaba pesando na competitividade da carne gaúcha", explica Kerber.
Nesta safra, porém, foi justamente o milho que deu um fôlego às lavouras de verão. No caso da Cotrijal, por exemplo, houve crescimento de 40% na quantidade recebida pela cooperativa. Algo que, com o avanço da irrigação, tende a se consolidar, como tem acontecido na Coopatrigo, em São Luiz Gonzaga, que é o terceiro maior produtor do grão e o segundo maior irrigante no Rio Grande do Sul.
"Com o sistema de irrigação, é possível fazermos duas safras fortes de verão. Planta-se o milho em agosto e, no início de janeiro, colhe, já plantando a soja. Quem está adotando esse ciclo duplo, torna viável, inclusive, o pivot de irrigação. É o milho que paga o investimento e a expectativa é de que a soja garanta lucro", comenta o presidente da Coopatrigo, Paulo Pires.
O resultado, segundo Pires, ainda é uma novidade positiva para os produtores, e isso tem incentivado, inclusive, a cooperativa a levar adiante o seu único investimento no ano, de R$ 36 milhões, em uma nova unidade de recebimento e beneficiamento de grãos em Santo Antônio das Missões.
Segundo Pires, metade da produção de milho da cooperativa, com este ciclo positivo, é destinada à exportação. A outra metade atende à demanda interna no Rio Grande do Sul.