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Publicada em 01 de Junho de 2026 às 00:25

Máquinas inteligentes adaptam-se à crise climática gaúcha

Plantadeira foi desenvolvida para atender às demandas específicas

Plantadeira foi desenvolvida para atender às demandas específicas

/AGCO/Divulgação/JC
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Eduardo Torres
Eduardo Torres Repórter
O desequilíbrio climático tem determinado uma adaptação tecnológica no campo, especialmente na macrorregião retratada neste capítulo do Mapa Econômico do RS, e as mudanças também incluem o manejo do solo. As máquinas e implementos agrícolas são aliados importantes neste processo. Os principais polos produtores no Rio Grande do Sul estão justamente nesta região, e para garantir a adesão dos produtores gaúchos com baixa capacidade de investimento, o setor também se adapta.
O desequilíbrio climático tem determinado uma adaptação tecnológica no campo, especialmente na macrorregião retratada neste capítulo do Mapa Econômico do RS, e as mudanças também incluem o manejo do solo. As máquinas e implementos agrícolas são aliados importantes neste processo. Os principais polos produtores no Rio Grande do Sul estão justamente nesta região, e para garantir a adesão dos produtores gaúchos com baixa capacidade de investimento, o setor também se adapta.
Levantamento do Jornal do Comércio mostrou que 2022, com alta nas commodities e os ganhos de uma supersafra, foi o ano de ápice nos investimentos dos produtores gaúchos em máquinas e implementos agrícolas de precisão para as suas lavouras. Agora, após uma série de safras prejudicadas pelas estiagens, alto custo da produção e baixa rentabilidade, reduziram os preços dos maquinários em quase 50%, no caso das colheitadeiras e tratores para atender a um produtor que, agora, precisa pesar ainda mais o retorno deste investimento.
"A empresa tem direcionado seus projetos para equipamentos mais versáteis, confiáveis e produtivos, com foco em maior capacidade de adaptação a janelas operacionais irregulares, aumento da precisão e velocidade de operação e soluções que contribuam para manter a produtividade, mesmo em safras marcadas por instabilidade climática. Esse desenvolvimento considera não apenas o desempenho da máquina, mas também a tomada de decisão mais rápida pelo produtor, permitindo respostas mais eficientes às variações climáticas entre safras e dentro do mesmo ciclo produtivo", explica o diretor de engenharia de colheitadeiras da AGCO América do Sul, Alberto Hoher.
O desenvolvimento acontece em Santa Rosa, na Fronteira Noroeste. E é neste ambiente que sai a referência para os engenheiros desenvolverem equipamentos mais "inteligentes e adaptáveis":
"A principal referência é a alta variabilidade climática observada no Rio Grande do Sul, especialmente os efeitos alternados de El Niño e La Niña, que impactam diretamente o regime e a distribuição das chuvas ao longo do ano agrícola. Em anos de La Niña, por exemplo, a redução das precipitações e períodos mais prolongados de estiagem exigem máquinas com maior eficiência operacional, capazes de aproveitar janelas de trabalho mais curtas, reduzir perdas e operar com menor consumo de combustível e insumos. Já em anos influenciados por El Niño, com volumes elevados e má distribuição de chuvas, o desafio passa a ser a agilidade na operação, garantindo plantio e colheita rápidos sempre que as condições de campo permitem".
Um exemplo concreto da sinergia entre o desenvolvimento de maquinário e as mudanças nas lavouras gaúchas é a Momentum 18-24, uma plantadeira dobrável, desenvolvida para atender às demandas específicas dos terrenos do Rio Grande do Sul. O equipamento conta com o sistema exclusivo AGCO de copiagem de solo, que assegura a deposição da semente na distância e profundidade corretas, contribuindo diretamente para o aumento da produtividade das lavouras. Além disso, sua largura reduzida para transporte proporciona maior facilidade no deslocamento entre áreas, ampliando a eficiência operacional do produtor no campo.
O equipamento foi desenvolvido na planta da montadora em Ibirubá, no Alto Jacuí. Lá, a AGCO instalou o seu Centro de Desenvolvimento de Plantadeiras.
"Nossos times de engenharia, marketing e gerenciamento de produtos realizam visitas técnicas e entrevistas com produtores do Rio Grande do Sul para entender, na prática, os desafios relacionados ao relevo, aos sistemas de manejo, às condições climáticas e, mais recentemente, às transformações provocadas pela estiagem. Todas as informações são incorporadas diretamente ao desenvolvimento dos nossos produtos. A validação dessas soluções é realizada em conjunto com os produtores rurais, que utilizam os equipamentos em seu dia a dia e nos fornecem feedbacks qualificados e análises consistentes sobre sua experiência prática, permitindo um processo contínuo e estruturado de aprimoramento tecnológico", detalha o diretor global de engenharia para plantio e preparo de solo da AGCO, Vinicius Fior.
Com plantas industriais em Santa Rosa (colheitadeiras e plataformas de corte) e Ibirubá (plantadeiras e implementos agrícolas), além da produção de tratores em Canoas, na Região Metropolitana, a AGCO é um dos expoentes do setor que vislumbra uma janela de oportunidade para a economia da região a partir do acordo entre União Europeia e Mercosul. Para que se tenha uma ideia da relevância do eixo norte gaúcho neste cenário, recentemente, na Agritechnica 2025, ocorrida em Hannover, na Alemanha, havia mais de 140 empresas gaúchas participando e expondo o que tem sido desenvolvido por aqui.
"Vai ampliar o acesso das tecnologias desenvolvidas no Brasil ao mercado europeu, ao mesmo tempo em que facilita a chegada de soluções e inovações produzidas na Europa aos produtores brasileiros. Naturalmente, também existem desafios relacionados à competitividade, requisitos regulatórios e harmonização de normas, mas entendemos que o saldo tende a ser positivo, estimulando inovação, eficiência e integração entre os mercados", avalia Fior.
Entre estes requisitos globais está, por exemplo, a questão ambiental, e aí o desenvolvimento da montadora também mostra que já entrou nessa corrida. Na Agrishow deste ano, a AGCO lançou o seu motor AGCO Power, movido a etanol e com desempenho semelhante ao diesel. Foi resultado de três anos de desenvolvimento e pesquisa no Brasil.
De acordo com Fior, o novo motor apresenta um potencial de diminuição de até 90% de CO₂ equivalente, o que pode, inclusive, gerar receita ao produtor no mercado de créditos de carbono.

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