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Publicada em 01 de Junho de 2026 às 00:25

Irrigação abre mercado de sementes de soja para os gaúchos

Pelo menos cinco cooperativas das Missões reservam áreas irrigadas para a produção de sementes

Pelo menos cinco cooperativas das Missões reservam áreas irrigadas para a produção de sementes

/Coopatrigo/Divulgação/JC
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Eduardo Torres
Eduardo Torres Repórter
A irrigação, apontada por especialistas como uma das formas de melhor enfrentar o desequilíbrio climático para o cultivo no verão no Estado, avança a passos curtos na macrorregião Norte. Em São Luiz Gonzaga, nas Missões, por exemplo, fica a maior área já irrigada com o uso de pivôs nessa parte do Rio Grande do Sul. A Cooperativa Tritícola Regional Saoluizense (Coopatrigo), que concentra a maior parte dos produtores do município, contabiliza, no entanto, somente 80 mil hectares, do total de 550 mil hectares cultivados com soja na região, já com sistemas de irrigação instalados. Mesmo com dados que comprovam a produtividade muito maior nessas condições, a irrigação não tem alterado muito a estatística final da produção em São Luiz Gonzaga. No entanto, tem aberto a oportunidade para um nicho do mercado agrícola que dá fôlego aos produtores locais: o desenvolvimento de sementes de soja.
A irrigação, apontada por especialistas como uma das formas de melhor enfrentar o desequilíbrio climático para o cultivo no verão no Estado, avança a passos curtos na macrorregião Norte. Em São Luiz Gonzaga, nas Missões, por exemplo, fica a maior área já irrigada com o uso de pivôs nessa parte do Rio Grande do Sul. A Cooperativa Tritícola Regional Saoluizense (Coopatrigo), que concentra a maior parte dos produtores do município, contabiliza, no entanto, somente 80 mil hectares, do total de 550 mil hectares cultivados com soja na região, já com sistemas de irrigação instalados. Mesmo com dados que comprovam a produtividade muito maior nessas condições, a irrigação não tem alterado muito a estatística final da produção em São Luiz Gonzaga. No entanto, tem aberto a oportunidade para um nicho do mercado agrícola que dá fôlego aos produtores locais: o desenvolvimento de sementes de soja.
"É uma forma garantir valor agregado à produção e fazer o sistema se pagar. Eu diria que hoje as Missões se tornaram uma referência na produção de sementes irrigadas. No caso da cooperativa, produzimos primeiro para atender ao nosso produtor, mas hoje já estamos comercializando inclusive no Paraná", comenta o presidente da Coopatrigo, Paulo Pires.
Segundo ele, este ainda é um mercado em expansão. Representa somente 5% do faturamento da cooperativa, que reúne oito mil associados. Hoje, pelo menos cinco cooperativas da região reservam áreas irrigadas para a produção de sementes de soja e de milho no verão.
Conforme a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi), a produção da soja em áreas irrigadas garante 80% mais produtividade. No entanto, mesmo com um crescimento de 85,2% nas áreas irrigadas para esse cultivo entre 2020 e 2025, chegando a 242 mil hectares no Estado, isso representa somente 3,6% de toda a área plantada com o grão pelos produtores gaúchos. Um levantamento da Famurs aponta que 18% da área hoje cultivada em sequeiro no Rio Grande do Sul teria potencial para instalação de sistemas de irrigação. Seriam 3,6 milhões de hectares. E mesmo que esse montante não fosse atingido, a entidade demarca também aquelas terras com aptidão muito elevada para esses sistemas, que representam 1,1 milhão de hectares, ou quase cinco vezes mais do que o atingido até o momento nas lavouras do Rio Grande do Sul.
A estimativa é de que a produção gaúcha de soja neste ano chegue a 19 milhões de toneladas em uma área de 6,6 milhões de hectares. De modo geral, melhor do que os pouco mais de 13 milhões de toneladas colhidos em 2025, mas novamente houve desequilíbrio nas condições climáticas.
No caso da Coopatrigo, atuante nas Missões, por exemplo, mesmo concentrando produtores no segundo município com maior volume de irrigantes, a quebra chega a 45%, semelhante ao que aconteceu no ano passado e que se repetiu nos últimos cinco anos. Poderia ser diferente, comenta Paulo Pires, se as condições para implantação da irrigação fossem outras.
"Costumo dizer que a irrigação é a verticalização da lavoura. É o que nos dá condições de produzir mais em menos hectares, porque, com o uso da tecnologia, o produtor ganha confiabilidade no resultado e segurança para investir na lavoura, sem o risco de perda. O problema é que, mesmo avançando, o aumento de áreas irrigadas não está no ritmo que o governo estadual divulga, por exemplo. Hoje, quem quer fazer irrigação, encontra dificuldades legais e burocráticas entre o licenciamento e a fiscalização. E, claro, há ainda o endividamento. Com fertilizantes e combustíveis em alta, investir na lavoura sem garantias está cada vez mais difícil", aponta o dirigente.

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