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Publicada em 20 de Junho de 2026 às 00:25

Vocação para cultivo de frutas se consolida no Litoral Norte

Banana é o principal cultivo da região, seguido do abacaxi

Banana é o principal cultivo da região, seguido do abacaxi

/Ana Esteves/especial/JC
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Ana Esteves
* especial para o JC

A produção de frutas desempenha papel estratégico na economia do Litoral Norte gaúcho, onde os cultivos de banana e de abacaxi se consolidaram como duas das principais atividades agrícolas da região. Municípios como Três Cachoeiras, Mampituba, Morrinhos do Sul e Terra de Areia concentram parte significativa da produção estadual, beneficiados por condições climáticas favoráveis e por um sistema produtivo que vem incorporando novas tecnologias para garantir produtividade e produção sustentável.
* especial para o JC
A produção de frutas desempenha papel estratégico na economia do Litoral Norte gaúcho, onde os cultivos de banana e de abacaxi se consolidaram como duas das principais atividades agrícolas da região. Municípios como Três Cachoeiras, Mampituba, Morrinhos do Sul e Terra de Areia concentram parte significativa da produção estadual, beneficiados por condições climáticas favoráveis e por um sistema produtivo que vem incorporando novas tecnologias para garantir produtividade e produção sustentável.
A banana é a principal fruta cultivada na região, seguida pelo abacaxi, que também possui importância econômica para os produtores familiares locais. No caso da bananicultura, o cenário brasileiro reforça a relevância da atividade, já que o Brasil está entre os maiores produtores e consumidores mundiais da fruta. Praticamente toda a produção nacional é destinada ao mercado interno, responsável por absorver cerca de 99% do volume colhido.
No caso do Litoral Norte gaúcho, a banana é principal cultivo, plantada em 10,6 mil hectares que representam mais de 90% dos 11,7 mil hectares totais com a fruta no Estado, a produtividade média gira em torno de 13,7 toneladas por hectare, resultado de avanços tecnológicos e de manejo que elevaram significativamente os índices nos últimos anos. “O que produzimos não atende toda a demanda do Estado, apenas 60%, outros 40% vêm de fora. Temos apenas algumas experiências de exportação para outros estados de orgânicas, mas muito incipiente”, diz diretor técnico da Emater-RS/Ascar, Luís Bohn. O especialista destaca que, entre as variedades, predomina o cultivo da banana Prata, que representa cerca de 87% da área plantada, enquanto a banana Caturra aparece em menor escala, devido à maior vulnerabilidade ao vento e às condições climáticas do litoral.
O produtor de banana do município de Mampituba, Arnaldo Luís da Silva afirma que o mercado não está muito favorável ao produtor, em função da “limitação dos preços”. Ele cultiva as variedades Prata e Caturra há mais de 15 anos, através do manejo convencional e beneficia as frutas com higienização e embalamento. A produção de banana também faz parte da história da família da agricultora Rosana Selau, já que o cultivo iniciou com os pais dela, há mais de 50 anos e que hoje ela dá continuidade junto com o marido e os filhos. “É uma tradição na Prata e na Caturra. A grande vantagem é poder trabalhar em família com uma cultura que tem, que enfrentar um mercado cada vez mais exigente e preços que poderiam ser um pouco mais elevados ao produtor”, aponta.
Outro ponto de destaque é a forte presença da produção orgânica, impulsionada pela baixa incidência da Sigatoka-negra, a doença fúngica mais destrutiva da cultura da banana, causada pelo fungo Pseudocercospora fijiensis. Ela ataca as folhas da bananeira, causando manchas que evoluem para necroses generalizadas e pode causar perdas de até 100% na produção. “O Rio Grande do Sul tem um diferencial, pois a doença chega mas não consegue se desenvolver, assim conseguimos produzir orgânicas, enquanto boa parte do País não tem sucesso pela alção da doença”, explica Bohn. No Rio Grande do Sul, as condições climáticas também contribuem para minimizar a incidência de algumas doenças. As áreas produtoras localizadas próximas à Serra Geral apresentam temperaturas mais amenas e menor amplitude térmica, fatores que dificultam o desenvolvimento da Sigatoka-negra. Essa característica representa uma vantagem competitiva importante para os produtores gaúchos, especialmente aqueles voltados à produção orgânica.
Segundo o pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Hermínio Rocha, o programa de melhoramento genético desenvolvido desde a década de 1980 já disponibilizou ao setor variedades capazes de reduzir significativamente os impactos da Sigatoka-negra e Sigatoka-amarela, oferecendo maior segurança ao produtor e reduzindo a necessidade de intervenções químicas. Conforme dados da Emater, a região conta com cerca de 200 produtores de banana orgânica, embora parte deles também abasteça sistemas convencionais de comercialização. A resistência genética das novas variedades tem papel fundamental nesse processo. Além de reduzir custos de produção, permite ampliar sistemas de cultivo mais sustentáveis, alinhados à crescente demanda dos consumidores por alimentos produzidos com menor uso de defensivos agrícolas.
O abacaxi mais doce e popular do Rio Grande do Sul também vem do litoral Norte: é o município de Terra de Areia, no Litoral Norte do Estado, que dá sobrenome ao abacaxi queridinho dos gaúchos e que ocupa cerca de 364 hectares cultivados. “O destaque absoluto é para a variedade Pérola, plantada em Terra de Areia, que concentra aproximadamente 340 hectares com a fruta e se consolidou como principal polo da cultura”, afirma Bohn. A produtividade média varia em torno de 20 a 30 toneladas por hectare, dependendo do manejo e das tecnologias adotadas. A produção é marcada por frutos menores e mais doces, fortemente associado à identidade local e ao consumo regional. O cultivo de maracujá também desponta na região próxima ao mar, com cerca de 255 hectares plantados em municípios como Torres, com 120 hectares, 1,6 mil toneladas colhidas ao ano e 74 unidades produtoras.
O segundo colocado em área é Mampituba com 70 hectares e 2,8 mil toneladas colhidas em 2025 por 42 unidades produtoras. Aproximadamente 95% da produção é destinada ao mercado paulista, especialmente para o abastecimento de centrais de distribuição como a CEAGESP, evidenciando a inserção da região em cadeias comerciais interestaduais. A pitaya também vem ampliando sua presença, ainda de forma pulverizada, com cerca de 143 hectares distribuídos em diferentes municípios do Estado. No litoral Norte, destacam-se Mampituba com 12 hectares, produção de 240 toneladas e 15 unidades produtoras e Morrinhos do Sul com seis hectares de área cultivada, 90 toneladas de produção anual e seis unidades produtoras. Apesar do baixo volume em comparação a outras culturas, a fruta ganha espaço em mercados especializados e feiras. Outro produto relevante é o açaí de juçara, de caráter majoritariamente extrativista, integrado a sistemas agroflorestais e à produção de banana orgânica. Embora sem dados consolidados de área, sua presença é reconhecida como parte da biodiversidade produtiva da região.
 

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