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Publicada em 20 de Junho de 2026 às 00:25

Agricultura familiar impulsiona economia e preserva tradição rural de Lomba Grande

Denise Bárbaro da Rosa. Agricultura familiar. Crédito Arquivo pessoal

Denise Bárbaro da Rosa. Agricultura familiar. Crédito Arquivo pessoal

/Arquivo pessoal/Divulgação/JC
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Ana Esteves
* especial para o JC

Um bairro de Novo Hamburgo tem se destacado como polo produtivo para agricultores familiares: das cachaçarias à culinária típica alemã, passando pelo turismo rural e pelos produtos naturais e orgânicos, Lomba Grande virou febre e atrai não só moradores da região, em busca dos produtos coloniais nas feiras realizadas na região, mas também turistas, que aproveitam a proximidade de Porto Alegre e de municípios da região Metropolitana, para curtir momentos em meio à natureza. 
* especial para o JC
Um bairro de Novo Hamburgo tem se destacado como polo produtivo para agricultores familiares: das cachaçarias à culinária típica alemã, passando pelo turismo rural e pelos produtos naturais e orgânicos, Lomba Grande virou febre e atrai não só moradores da região, em busca dos produtos coloniais nas feiras realizadas na região, mas também turistas, que aproveitam a proximidade de Porto Alegre e de municípios da região Metropolitana, para curtir momentos em meio à natureza. 
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Vale dos Sinos, Maria Daniela Ronnau, diz que a região virou referência pela presença das agroindústrias familiares e dos sítios de turismo. “Os produtos são bem diversificados, do iogurte e leite orgânico às hortas, passando pela pecuária de corte. Temos iniciativas em turismo rural também, que têm crescido muito, tipo os ‘colha e pague’”, afirma.
A organização dos produtores da região começou há 37 anos e não parou mais. Hoje as produções são comercializadas em feiras na região e fora dela também, pelo aumento da procura por segurança alimentar e produtos saudáveis, em especial dos orgânicos. “As pessoas estão mais preocupadas em consumir mais saudável, investir em alimentos naturais e orgânicos, ao invés de ter que investir em remédios”, diz a proprietária da agroindústria Sítio Amigos da Terra, Denise Bárbaro da Rosa que tem uma produção 100% orgânica e integral, com pães, cucas e laticínios.
A dirigente destaca o crescimento da produção agroecológica e orgânica, pois embora nem todos os agricultores possuam certificação formal, muitos adotam práticas sustentáveis, reduzindo o uso de defensivos químicos e priorizando técnicas de manejo mais equilibradas. “A preocupação com a qualidade dos alimentos acompanha uma tendência crescente de consumo consciente e busca por produtos mais saudáveis”, diz Daniela.
Foi de olho nesse nicho de mercado que Denise se mudou para a Lomba, há 30 anos, para iniciar a produção leiteira que depois resultou na manufatura de iogurtes, para depois criar a padaria. Hoje o negócio cresceu e Denise participa de feiras de produtos orgânicos em Porto Alegre e em municípios da região Metropolitana. “A Lomba tem uma produção rica e muito farta. Esperamos cada vez mais valorização dessa produção e um crescimento. E hoje contamos com algumas frentes como o fornecimento para a merenda escolar, venda para hospitais”, diz Denise.
A proximidade de outras cidades representa uma vantagem competitiva importante: localizada entre municípios como São Leopoldo, Campo Bom, Sapiranga, Gravataí e Taquara, Lomba Grande permite acesso facilitado aos mercados consumidores. Ao mesmo tempo, os produtores enfrentam desafios cada vez maiores diante da expansão dos atacarejos e grandes redes varejistas, que conseguem oferecer produtos a preços muitas vezes inferiores aos praticados pelos agricultores familiares.
“Essa concorrência pressiona a rentabilidade das pequenas propriedades e dificulta a valorização de sistemas produtivos mais sustentáveis, que exigem maior dedicação e custos de produção mais elevados. Ainda assim, a organização coletiva, as feiras e as agroindústrias têm sido fundamentais para garantir a permanência das famílias na atividade”, diz Daniela.
A dirigente conta que na Lomba se observa o processo de sucessão rural de forma mais “tranquila e ao natural”, diferentemente de outras regiões rurais do Estado, mais distantes dos centros urbanos. Ali, muitas famílias estão na terceira geração de agricultores que se mantém na terra, mantendo a tradição e qualidade dos produtos. “Observamos os jovens imprimindo novas tecnologias no processo produtivo”, diz Daniela.
Nos últimos anos, outro movimento vem chamando atenção: o retorno dos jovens ao meio rural. Incentivados por cursos técnicos, graduações ligadas ao agronegócio e pelo avanço das tecnologias aplicadas à agricultura, muitos filhos de agricultores passaram a enxergar novas oportunidades no campo. O resultado é uma renovação gradual das propriedades, com adoção de técnicas mais modernas e foco em produtividade, sustentabilidade e agregação de valor.
Além da produção agrícola, a região também investe no turismo rural com o projeto Caminhos de Lomba que reúne empreendimentos ligados à gastronomia, lazer, agroindústrias e experiências no campo, ampliando as oportunidades econômicas para as famílias rurais e fortalecendo a identidade local. “A agricultura familiar produz alimentos ao mesmo tempo em que preserva o patrimônio cultural e mantém viva uma tradição que atravessa gerações no Vale dos Sinos”, diz Daniela.

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