A Macrorregião Metropolitana é a porção do território gaúcho que mais concentrava empregos formais em janeiro de 2026, com 42,6% do total de vínculos empregatícios do Rio Grande do Sul. Entretanto, a área está perdendo protagonismo, a partir do avanço do Norte do Estado. Os dados são do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), compilados pelo Departamento Estadual de Economia e Estatística (DEE-RS).
"A Macrorregião Metropolitana não apresenta variações de forma tão intensa, mas mostra a continuidade de uma perda gradual da sua centralidade diante de outros focos de dinamismo do RS. Enquanto isso, o Norte é um dos lugares que está tomando a frente na expansão do emprego. A área Metropolitana está perdendo população e sua relevância no cenário econômico, mas conseguindo manter suas atividades com variações próximas à média estadual", analisa o sociólogo e pesquisador do DEE-RS Guilherme Xavier.
Nesta década, entre janeiro de 2020 e janeiro de 2026, todas as macrorregiões do RS cresceram em número de vagas formais de trabalho. Entretanto, a fatia da Macrorregião Metropolitana registrou uma perda de 1 ponto percentual, passando de 43,6% dos empregos do Estado em 2020 para 42,6% neste ano.
Quem ganhou esse espaço foi a Macrorregião Norte, que tinha 15,5% dos empregos formais do Rio Grande do Sul em 2020 e, em janeiro deste ano, subiu para 16,6% das vagas de trabalho, avançando, assim, 1,1 ponto percentual na sua representatividade no total do mercado de trabalho gaúcho.
No caso dos empregos industriais, a situação preocupa. Embora a Macrorregião possua 54,6% do total estadual, a maioria deles (32,7% do total do Rio Grande do Sul) está concentrada no Vale do Sinos. Os outros dois Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes) dessa parte do Estado — Região Metropolitana e Litoral Norte — juntos, representam apenas 21,9%.
E, nesse contexto, a Macrorregião Norte avança a passos largos: em 2020, possuía 16,1% dos trabalhos industriais gaúchos e, em 2026, passou a ter 18,5%. No mesmo período, houve uma redução de 3,1% no número de postos de trabalho na indústria na Macrorregião Metropolitana.
"Você tinha uma visão antiga de que a Região Metropolitana concentrava muito o emprego industrial. Vemos que a indústria já está crescendo bem menos que o emprego total, e, dentro do território, tem uma perda relativa da metropolitana", avalia Xavier.
Apesar da perda de participação no total estadual, a Macrorregião foi capaz de ampliar os vínculos de trabalho formal no comparativo interanual. Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o número de empregados geral cresceu em 1,5% nessa parte do Rio Grande do Sul, em um índice próximo ao do Estado, que saltou em 1,3% no mesmo período.
Porto Alegre, a capital gaúcha, é a cidade mais populosa do Rio Grande do Sul. Por óbvio, também é a que mais possui vínculos empregatícios ativos: 591.818 contratos profissionais em janeiro de 2026. O número representa um avanço de 2,12% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O crescimento foi difuso, entre setores voltados ao serviço e à indústria.
Apesar disso, é possível verificar alguns destaques na cidade. No comparativo interanual, de 2025 e 2026, os principais saldos positivos estiveram nos serviços de escritório e apoio administrativo, com novos 3.448 empregos, e nas atividades e serviços de informação, com 1.447.
Já no aspecto negativo as atividades de vigilância, segurança e investigação tiveram uma perda de 1.744 postos de trabalho, enquanto o comércio varejista sofreu uma baixa de 279 vínculos profissionais.
Na Região Metropolitana, entretanto, há outros destaques. É o caso de Gravataí, que abriga a General Motors e possuía, em janeiro de 2026, 58.157 postos de trabalho, sendo que 39,4% estavam na indústria. No comparativo interanual, o aumento foi de 1,2% no total e uma queda de 0,5% nos empregos industriais.
Triunfo, sede do Polo Petroquímico, por sua vez, cresceu em 7,1% o número de postos de trabalho no período, indicador que sobe a 68,6% ao comparar os meses de janeiro de 2020 e 2026.
Já o Vale do Sinos, área de intensa industrialização, teve um mau desempenho no setor, com queda de 3% dos postos de trabalho industriais. Mesmo assim, algumas cidades avançaram na geração de empregos. É o caso de Canoas, que aumentou o número de postos de trabalho em praticamente 2% em janeiro de 2026 em relação ao mesmo mês do ano passado. O indicador foi puxado pelos serviços de escritório e apoio administrativo, as atividades de vigilância, segurança e investigação, e o comércio varejista.
Esteio, que sedia anualmente um dos principais eventos da agropecuária, a Expointer, teve um desempenho positivo puxado pela indústria, que ampliou em 4,1% o número de vínculos empregatícios. O indicador foi puxado justamente pelo setor de máquinas e equipamentos. No volume total de empregos, entretanto, a variação foi negativa em 2,6%.
O Litoral Norte é, entre os três Coredes, o que mais destoa. Afinal, além de ser a área do Estado que mais tem atraído população e a com o menor Produto Interno Bruto per capita, é também uma região pujante na geração de empregos, com uma variação de 2%, acima do Estado.
Torres foi uma cidade litorânea que se destacou nos indicadores. Principalmente, por ter crescido 3,9% no número de postos de trabalho formais, entre janeiro de 2025 e de 2026, e 24,5% no período de 2020 a 2026. O desempenho foi puxado pela construção civil e pelas atividades de atenção à saúde humana.
Ao analisar a Macrorregião Metropolitana em termos de setores das vagas de trabalho, no caso dos empregos industriais, a situação preocupa. Embora a Macrorregião possua 54,6% do total estadual, a maioria deles (32,7% do total do Rio Grande do Sul) está concentrado no Vale do Sinos. Os outros dois Conselhos Regionais de Desenvolvimento (Coredes) dessa parte do Estado — Região Metropolitana e Litoral Norte — juntos, representam apenas 21,9%.
E, nesse contexto, a Macrorregião Norte avança a passos largos: em 2020, possuía 16,1% dos trabalhos industriais gaúchos e, em 2026, passou a ter 18,5%. No mesmo período, houve uma redução de 3,1% no número de postos de trabalho na indústria na Macrorregião Metropolitana.
"Você tinha uma visão antiga de que a Região Metropolitana concentrava muito o emprego industrial. Vemos que a indústria já está crescendo bem menos que o emprego total, e dentro do território, tem uma perda relativa da metropolitana", avalia Xavier.
Apesar da perda de participação no total estadual, a Macrorregião Metropolitana ampliou os vínculos de trabalho formal no comparativo interanual.