Pouco evoluíram até agora as conversas entre o governo municipal de Guaíba e a Receita Federal para que o município seja sede de um novo posto aduaneiro no Rio Grande do Sul. A estrutura é considerada fundamental para consolidar ainda mais o papel de porta de entrada e saída da produção na Região Metropolitana. E os dados da balança comercial local justificam. Enquanto Guaíba figura, conforme os números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), como o terceiro maior exportador gaúcho entre janeiro e abril, mesmo com uma redução de mais de 8% nos valores negociados de celulose e papel produzidos na CMPC com o Exterior, também é o município líder nos valores negociados em importações gaúchas. Quase 100% destes produtos são os veículos trazidos ao País a partir da estrutura em Guaíba, desde a Argentina, pela Toyota.
No primeiro quadrimestre de 2026, foram movimentados US$ 581,6 milhões em entradas desses produtos, representando 7% a mais do que o movimentado no mesmo período de 2025 e 60% a mais do que os valores negociados em exportações no mesmo período.
A montadora asiática nacionaliza os modelos picape Hilux e o SUV SW4 em Guaíba. Desde 2024 o município também negocia um possível investimento da Toyota para ampliar a sua atuação local, com a ampliação da área de operação. Até o momento, porém, a multinacional não confirmou ampliação das suas operações, mesmo com os números positivos dos primeiros meses do ano. Entre as condições deste investimento estaria a presença do posto aduaneiro local, que facilitaria os trâmites de entrada dos veículos para receberem peças locais e ingressarem no mercado brasileiro.
Os planos de Guaíba para consolidar seu papel na região incluem ainda a construção do arrojado Hub Logístico. Apresentado ano passado como um projeto público privado, em parceria entre o município e financiamento do Banco Asiático, com investimento de US$ 70 milhões – R$ 362,6 milhões – em uma estrutura voltada especialmente aos setores que já são vocação de Guaíba, como papel e celulose e aeroviário, além de saúde, máquinas agrícolas e bens de consumo.
Até agora, porém, de acordo com a Prefeitura de Guaíba, não houve o aporte fundamental do banco para dar início à licitação e às obras, que deveriam iniciar neste ano para o início das operações em 2027.