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Publicada em 20 de Junho de 2026 às 00:25

Terminal em Canoas tem protagonismo na transição energética

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Eduardo Torres
Eduardo Torres Repórter
Em abril deste ano, pela primeira vez um navio carregado com BioGL – gás liquefeito obtido a partir de óleos vegetais e resíduos orgânicos – ingressou no canal de navegação que leva ao Terminal de Gás do Sul (Tergasul), em Canoas, para abastecer a rede de distribuição da Supergasbras e abrir caminho para a redução de emissões no consumo de gás também em residências.
Em abril deste ano, pela primeira vez um navio carregado com BioGL – gás liquefeito obtido a partir de óleos vegetais e resíduos orgânicos – ingressou no canal de navegação que leva ao Terminal de Gás do Sul (Tergasul), em Canoas, para abastecer a rede de distribuição da Supergasbras e abrir caminho para a redução de emissões no consumo de gás também em residências.
"A carga marcou o início da introdução de GLP com atributo ambiental no mercado, em um projeto piloto que temos levado adiante a partir de Canoas. Do ponto de vista técnico, não há diferença de desempenho em relação ao GLP tradicional, já que o BioGL é um combustível "drop-in", ou seja, pode ser utilizado na mesma infraestrutura, com eficiência equivalente", explica a gerente de supply e biocombustíveis da Supergasbras, Priscila Maziero.
Trata-se de uma carga importada da Europa, a partir da produção da própria controladora da Supergasbras naquele continente, com cerca de 1,7 mil toneladas. O objetivo, segundo a gerente, era testar a logística, a aceitação do mercado e os modelos de comercialização associados à descarbonização. Enquanto o GLP tradicional libera CO2 fóssil, o BioGL participa do ciclo natural da sua matéria-prima, ou seja, a queima dele libera o mesmo carbono absorvido durante o crescimento das plantas usadas na sua produção. Resulta em uma emissão zero de CO2.
Quem opta pelo BioGL, especialmente clientes corporativos, entra na cadeia de certificação ambiental internacional, que rastreia o caminho completo do combustível até o seu consumo. E aí, ter Canoas como porta de entrada para o produto inovador foi considerado estratégico pela empresa. O Tergasul é o primeiro terminal brasileiro certificado pelo ISCC plus, que monitora toda a cadeia produtiva do BioGL. A Supergasbras tem no terminal, além do ponto de partida para a distribuição de gás no Sul do Brasil, 720 toneladas de gás armazenadas.
"É um ponto estratégico para a recepção do gás, além disso, a localização do terminal no Rio Grande do Sul facilita o atendimento a regiões com demanda relevante e histórico de necessidade de complementar a oferta de gás", resume Priscila.
É neste cenário que o BioGL pode ganhar terreno. Por ser um projeto piloto, novas importações dependem da evolução da demanda que, segundo a gerente, tem demonstrado continuidade e expansão. O sucesso deste projeto aumenta a relevância de um dos terminais das operações portuárias da Região Metropolitana.
"Operar em Canoas traz vantagens logísticas importantes, como o acesso hidroviário e a proximidade a mercados consumidores relevantes no Sul. Para a Supergasbras, que atua há mais de 40 anos no Estado, é estratégico como ponto de transferência a partir de navios para a tancagem, de onde segue para a distribuição", explica o diretor de supply e excelência operacional da Supergasbras, Cláudio Azevedo Santos.
Por outro lado, a operação, como aponta o diretor, apresenta desafios operacionais, como a limitação do canal de navegação e da capacidade operacional. De acordo com o diretor de operações da Portos RS, Bruno Almeida, o canal do Rio Gravataí, que dá acesso ao Tergasul e às operações em Canoas é um dos quatro últimos a serem dragados ainda neste ano para a recuperação total do calado após a cheia de 2024. 
Mesmo antes dessa obra estrutural, o terminal de gás já foi diretamente beneficiado com um dos avanços nos canais de navegação da região neste ano: a liberação da navegação noturna.
Segundo Almeida, desde a liberação pela Marinha, pelo menos uma grande carga já chegou ao Tergasul.
"É uma operação que garante um ganho de dois dias na navegação interna. Isso representa ganho de eficiência e de competitividade. Desde a liberação, já foram três viagens até a Região Metropolitana. Existia uma lei estadual que limitava a circulação de cargas perigosas pelos canais no período noturno, essa lei caiu em 2026, mas ainda faltava infraestrutura nos canais e na sinalização náutica para garantirmos a liberação da Marinha", comenta o diretor.

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