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Publicada em 20 de Junho de 2026 às 00:25

Biometano já abastece a produção industrial da região

TK Elevator inaugurou em junho sua nova central de gás abastecida com biometano

TK Elevator inaugurou em junho sua nova central de gás abastecida com biometano

/TK Elevator/Divulgação/JC
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Eduardo Torres
Eduardo Torres Repórter
Pode parecer contraditório, mas é a partir do Pólo Petroquímico de Triunfo que a região dita o ritmo da transição energética do Rio Grande do Sul a partir do uso de biometano na produção industrial. A partir de janeiro deste ano, a Sulgás passou a injetar na sua rede o biometano produzido pela Bioo e sua usina em Triunfo, onde o gás renovável é produzido a partir de resíduos de agroindústrias próximas.
Pode parecer contraditório, mas é a partir do Pólo Petroquímico de Triunfo que a região dita o ritmo da transição energética do Rio Grande do Sul a partir do uso de biometano na produção industrial. A partir de janeiro deste ano, a Sulgás passou a injetar na sua rede o biometano produzido pela Bioo e sua usina em Triunfo, onde o gás renovável é produzido a partir de resíduos de agroindústrias próximas.
Diariamente, a parceria garante até 30 mil metros cúbicos de biometano no gasoduto, depois de um investimento de R$ 6 milhões da companhia para a construção de novos quatro quilômetros de dutos e na adaptação do citygate de Triunfo. O material é fornecido para o próprio Pólo, mas vai além na rede abastecida pela Sulgás, sob a forma de um blend de gás, misturado ao gás natural normalmente fornecido pela companhia.
“Estamos comprometidos com um futuro sustentável para o Rio Grande do Sul. A injeção de biometano na rede é um marco que conecta inovação, responsabilidade ambiental e desenvolvimento econômico para o Estado”, destacou no começo do ano o CEO da Sulgás, Marcelo Leite.
Um estudo técnico realizado pelo Instituto do Petróleo e dos Recursos Naturais da Pucrs (IPR/PUCRS) confirmou a viabilidade da injeção do biometano na rede de gás natural, demonstrando que a mistura entre os dois é homogênea e segura, com variações mínimas nos parâmetros de qualidade.
A usina de biometano da Bioo começou a operar no final o ano passado, após um investimento de R$ 200 milhões. E agora, o modelo deve ser replicado no Norte do Estado.
A tendência à geração de biometano a partir de resíduos na Região Metropolitana como forma de descarbonizar a indústria não fica isolada à Bioo e à Sulgás. Na Braskem, por exemplo, o fornecimento de biometano, que já está substituindo parte do gás natural nos processos industriais locais, é feito pela Ultragaz, que compra o produto fornecido pela Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos (CVRV), hoje gerado no aterro de MInas do Leão, na região Centro-Sul, a partir de resíduos urbanos.
A operação da Ultragaz no Pólo Petroquímico tem capacidade de até 46 mil metros cúbicos por dia. Em breve, com previsão de início do uso comercial neste segundo semestre, o fornecimento do biometano pela CRVR também acontecerá a partir do aterro de São Leopoldo, que recebeu um investimento de R$ 100 milhões. Somente no município do Vale do Sinos, haverá capacidade para produzir 100 mil metros cúbicos de gás por dia, mesma quantidade hoje produzida em Minas do Leão.
"O biometano é do Brasil para os brasileiros. Pode ser produzido em qualquer lugar do País, o que lhe dá uma vantagem logística impressionante. Os aterros ainda são pouco explorados e é uma das alternativas, assim como os rejeitos da agropecuária e da indústria. No Rio Grande do Sul, temos todas essas alternativas que agora, a partir desses últimos três anos, e com as incertezas de preços internacionais, entram nessa zona de oportunidade. É competitivo no preço, na qualidade da energia e na capacidade de descarbonizar cadeias produtivas", diz o diretor de gases renováveis da Ultragaz, Erik Trench.
Na Braskem, o gás renovável faz parte da estratégia de descarbonização da empresa, que inclui o aumento da eletrificação e do uso de combustíveis de baixo carbono até 2030. Situação semelhante à TK Elevator, que inaugurou em junho a sua nova central de gás, abastecido agora com biometano, para movimentar os equipamentos de pintura na linha de produção de elevadores. A iniciativa reduzirá em 95% as emissões da indústria de Guaíba.
"É um material que praticamente zera as emissões tanto na indústria quanto em frotas logísticas, por exemplo. A procura de clientes tem se concentrado entre essas duas áreas", explica Trench.
Ao todo, a empresa contabiliza dez grandes contratos de fornecimento do novo gás. A frota que transporta hoje 100 mil metros cúbicos diários de biometano no Rio Grande do Sul e 750 mil metros cúbicos em todo o Brasil pela Ultragaz, por exemplo, é movimentada por este combustível.
A tendência, aponta Tench, é que o combustível ganhe mais espaço no meio urbano, como em frotas do transporte público.

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