Um dos representantes locais presentes em uma missão gaúcha a Nova York em maio este ano era o prefeito de Alvorada, Douglas Martello. Nas suas mãos, ele levava um slogan para potenciais investidores: "Alvorada é hoje a melhor cidade para se investir na Região Metropolitana".
O município de menor PIB per capita da macrorregião e do Estado, somente no primeiro semestre deste ano foram criadas 2,5 mil novas empresas. "Eu digo sempre aos empresários que se interessam no nosso município: aponta em que fará o investimento que eu preparo a mão de obra", resume.
Foi assim, por exemplo, com a Fundição Ciron, que investe R$ 180 milhões e está em fase adiantada de obras para a sua nova planta industrial na cidade. O município organizou cursos de capacitação especialmente para o público jovem. A tentativa é de reverter o histórico da população – a sétima maior da macrorregião – que migra para trabalhar em Porto Alegre ou outras cidades da Região Metropolitana.
A criação de um novo eixo de desenvolvimento pleno é o grande objetivo do prefeito. Em maio deste ano, o município deu início ao investimento superior a R$ 40 milhões para revitalizar a Avenida Presidente Getúlio Vargas, a principal da cidade, com prazo para finalização em 15 meses.
"Nosso grande objetivo é transformar a avenida, com melhor fluidez, valorização de imóveis e negócios e melhoria da imagem da cidade como atração para novos investimentos", comenta o prefeito.
Neste primeiro momento, as transformações estruturais estão concentradas na criação de 13 alças de acesso ao redor da avenida. Depois, serão 5,4 quilômetros de revitalização total, incluindo o calçamento, iluminação, novo mobiliário e mais de mil árvores a serem plantadas.
"Será um caminho funcional e bonito. A nossa estimativa é de que a travessia terá o tempo reduzido de 14 para 6 minutos", aponta Martello.
Não há uma estimativa exata da valorização que deve resultar dessa revitalização, mas o governo local trabalha com exemplos próximos, como Gravataí e Cachoeirinha, que já fizeram intervenções em suas avenidas que ligam, pela via urbana, o tráfego com Porto Alegre, e a avaliação é de que os imóveis nas regiões tiveram entre 20% e 30% de valorização.
A avenida é encarada como uma espécie de vitrine para um novo corredor de desenvolvimento na Região Metropolitana. Um dos eixos para a instalação de novas empresas – e até mesmo a entrada no circuito dos condomínios logísticos – está na Estrada Caminho do Meio, que teve, no início de junho, as obras de duplicação iniciadas no trecho de Viamão. São R$ 138,5 milhões em investimentos estaduais neste trecho do Caminho do Meio, com 11,4 quilômetros entre Porto Alegre a ERS-040.
"O Caminho do Meio é um projeto estruturante, que integra municípios, melhora a mobilidade, aumenta a segurança e cria condições para atrair novos investimentos e gerar empregos. A vida das pessoas não respeita os limites entre os municípios: elas moram em uma cidade, trabalham em outra, estudam em outra. Por isso, é papel do Estado pensar soluções integradas para garantir mais qualidade de vida e desenvolvimento", disse o governador Eduardo Leite na ocasião do lançamento da obra, que prevê a implantação de novas pistas, canteiro central, ciclovias, passeios públicos, paradas de ônibus, sistema de iluminação e drenagem, ampliando a segurança de motoristas, ciclistas e pedestres, além de contribuir para o desenvolvimento urbano e econômico da região.
O projeto completo de transformação do Caminho do Meio, porém, chega a 23,08 quilômetros, com 4,38 quilômetros em Alvorada, contemplando a Estrada Frederico Dihl, e aí o investimento é de R$ 44,2 milhões e o prazo de execução estimado em 15 meses. É aguardada a homologação da licitação já realizada para a execução da obra.
"É um ganho histórico para colocar este eixo entre Porto Alegre, Alvorada e Viamão, definitivamente, no rumo do desenvolvimento. Hoje, esse trecho é uma região sem grandes oportunidades. Abre-se uma nova perspectiva econômica. Estamos mirando em potenciais investimentos na nova economia, que alia tecnologia e serviços", explica o prefeito.
Alvorada ainda figura como o menor PIB per capita da macrorregião e do Estado. Daí a importância de um plano local de desenvolvimento. Isso inclui, como explica o prefeito Douglas Martello, a redefinição de áreas como o distrito industrial que, no papel, tem ocupação, mas na prática, não se transformam historicamente em novas empresas que aproveitem a mão de obra local.
"Temos aproximado o diálogo com quem tem áreas no Distrito para compormos novos negócios nestes locais. A Gerdau, por exemplo, tem 400 hectares no Distrito de Alvorada. Queremos desenvolver com eles um projeto que garanta erguer algo ali e redesenhar a nossa área industrial. Temos nos movimentado intensamente para atração de investimentos", garante o prefeito.