Um novo player no cenário dos data centers da região tem perspectiva de entrar em operação ainda em 2026 na zona norte de Porto Alegre, entre os bairros Sarandi e Rubem Berta. Trata-se do projeto levado adiante pela Tecto Data Centers, que chegará, após algumas etapas de desenvolvimento, a R$ 700 milhões em investimentos.
Nesta primeira etapa, a empresa pretende entregar o TPOA1, com capacidade de megawatts (MW) e aporte de R$ 200 milhões. O projeto completo chegará a 20 MW de capacidade, em um terreno de 33 mil metros quadrados.
Há alguns anos a empresa pretendia instalar seu novo data center na Capital, inicialmente no Quarto Distrito. Plano que acabou abortado com a cheia de 2024. O objetivo da Tecto é atuar com infraestrutura de TI para organizações locais (servidores, redes e armazenamento).
A região já conta com dez data centers, e o interesse do setor é crescente em virtude da conexão do cabo submarino Malbec até Porto Alegre, com conclusão prevista para 2027. A conexão interliga Rio de Janeiro a Fortaleza, Venezuela, Colômbia, Estados Unidos e Bermudas com uma infraestrutura de 26 mil quilômetros de cabos submarinos executados pela V.tal. A Tecto é justamente a marca da divisão de data centers da empresa.
Um anel de fibra ótica vai passar pelos data centers da região. Entre eles, o megaempreendimento anunciado em 2024 em Eldorado do Sul pela Scala Data Centers, Scala AI City, que, no entanto, ainda avança a passos lentos, sem perspectiva de concretização. A exigência da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é de que projetos deste porte – são previstos 54 MW somente na primeira etapa do projeto – apresentem maiores garantias para acesso à rede de transmissão de energia, o que poderia onerar o projeto em Eldorado do Sul.
Ao todo, o Scala AI City é um projeto voltado à atuação em nuvem e Inteligência Artificial, com investimento na primeira etapa de até R$ 3 bilhões. Entre dez e 20 anos, a perspectiva é atingir uma capacidade de até 4,75 mil MW, energia suficiente para atender toda a atual demanda média do Rio Grande do Sul, com um investimento que poderia chegar a R$ 500 bilhões. Não à toa, é justamente o acesso à energia que tem sido polêmico e trava o avanço das licenças ao empreendimento. Até o momento, a Fepam sequer abriu formalmente o processo de licenciamento pela Scala em Eldorado do Sul.