Ainda na fase de licenciamentos para o seu arrojado projeto de criar em Cachoeirinha, na Região Metropolitana, um complexo industrial para a encapsulamento e testes de chips (semicondutores), o Grupo Tellescom projeta iniciar as obras da primeira fábrica – o projeto prevê quatro unidades em dez anos na área da antiga Cientec – entre janeiro e fevereiro de 2027, com aporte de US$ 170 milhões (R$ 861,9 milhões). A expectativa, de acordo com o CEO da Tellescom, Ronaldo Aloise Júnior, é iniciar a produção no município em até três anos, mas isso não significa que o projeto anunciado no ano passado está em espera.
"Já iniciamos a busca ao mercado de futuros clientes e fornecedores, especialmente nos setores automotivo, de telecomunicações e energia. A demanda está muito maior do que projetamos nos planos iniciais do investimento, há três anos, especialmente na área que estamos priorizando, de semicondutores de 'não memória', sem envolver, por exemplo, a inteligência artificial", aponta o executivo.
Por isso, a produção, de fato, já deve iniciar no final deste ano, mas longe daqui, em uma linha de produção montada na Malásia, onde atua um dos financiadores e parceiros no futuro empreendimento da Tellescom. Parte do futuro time de engenheiros e outros especialistas, inclusive, embarcará para o país asiático.
Por aqui, a Tellescom agora trata de concretizar contratos de parceria em pesquisa com o Tecnopuc, o ITT Chip, da Unisinos, e também com o Ceitec. E há ainda os contatos, especialmente com grandes montadoras automotivas e seus sistemistas.
"Serão nessas estruturas que pretendemos operar os primeiros projetos de design e integração de circuitos. A ideia é fomentarmos o cluster completo de chips da região e desenvolvermos a próxima geração de veículos, modems ou roteadores", conta Aloise Júnior.
Além da fábrica que, nesta primeira unidade, deve ocupar até quatro hectares, chegando a 20 hectares com as quatro unidades fabris, a Tellescom pretende criar em Cachoeirinha um centro tecnológico próprio, com área educacional e um parque disponível para outras empresas do setor.
"Tudo começará a ficar mais próximo da concretização quando tirarmos do papel a primeira fábrica, que servirá como uma vitrine para o desenvolvimento de um complexo em Cachoeirinha", diz.