Depois de mais de 20 anos, as mineradoras de areia, que formam uma das bases na cadeia produtiva da construção civil na Região Metropolitana, agora estão em compasso de espera para o retorno da exploração de areia no Guaíba. Foi o que definiu o zoneamento recentemente definido pela Fepam para a exploração no manancial. Uma medida que poderá aumentar a disponibilidade do material que é base para a produção de concreto, por exemplo, além de reduzir custos logísticos para o setor, que hoje compra o material das areeiras que atuam no Jacuí.
De acordo com o zoneamento, as empresas poderão explorar areia em um espaço de 20,5 quilômetros quadrados – 4% do total da área do Guaíba – na região de Guaíba, em direção à Barra do Ribeiro. Foi ainda autorizado o uso pelas empresas do setor da areia proveniente de ações de dragagem nos canais de navegação.
"A partir de agora, começa o processo de estudos e licenciamentos ambientais, além do loteamento das mineradoras autorizadas a atuar nessa região. É uma área pequena autorizada até o momento, e servirá para o setor agir de maneira correta e eficaz para seguirmos avançando. Hoje, temos condições de suprir o mercado da construção", diz o presidente do Sindicato dos Depósitos, Distribuidores e Comerciantes de Areia do Rio Grande do Sul (Sindareia-RS), Laércio Thadeu Pereira.
Segundo ele, a estimativa é de que ainda demore alguns meses para que seja formalizado o reinício da exploração de areia na Região Metropolitana. Algo que pode representar uma retomada ao setor que, além da restrição legal, foi diretamente atingido pela enchente de 2024. Em 1996, por exemplo, eram 36 depósitos de areia somente em Porto Alegre. Hoje, restaram apenas quatro na Capital. Hoje, do total de 50 empresas atuantes no setor em todo o Rio Grande do Sul, dez são da Região Metropolitana.
A possibilidade de fornecer areia mais próximo das empresas compradoras, que hoje chegam a perder até 16 horas entre ida e volta para a busca da área na região do Jacuí, Uruguaiana e no São Gonçalo, no Sul do Estado. A estimativa de quanto poderá ser barateado o produto para a construção ainda não foi feita pelo Sindareia.
A exploração de areia no Guaíba foi autorizada entre 1985 e 2003, quando uma ação judicial proibiu a prática. Em 2020, a ação finalmente teve sentença final, definindo que caberia ao órgão ambiental estadual definir um zoneamento para a mineração. Algo que só se concretizou neste ano.