Em todo o Rio Grande do Sul, foram US$ 2,8 bilhões negociados em exportações de tabaco no ano passado, representando 12,8% de todas as exportações gaúchas, uma alta de 9,2% em relação a 2024. A origem do produto, após a industrialização, está no Vale do Rio Pardo, com Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires e Vera Cruz concentrando o maior volume de empresas do setor.
Um cenário que, de acordo com o presidente do Sindicato da Indústria do Tabaco (Sinditabaco), Valmor Thesing, tende a melhorar ainda mais com o acordo entre União Europeia e Mercosul, mesmo que os resultados de um possível acordo só seja pleno em torno de dez anos depois da assinatura.
"A nossa produção no Rio Grande do Sul, com a cadeia totalmente integrada de ponta a ponta e permanentemente recebendo investimentos em melhoria do produto que já é considerado de excelência, é diferenciada no mercado mundial. Hoje, 34% da exportação tem a Europa como destino, e pagamos 11% de taxa para que o nosso produto entre naquele mercado. A nossa expectativa é garantirmos maior competitividade no cenário europeu", aponta o dirigente.
O alvo está, por exemplo, no tabaco africano, que atualmente não paga taxas para entrar na Europa. E o reflexo, segundo Thessing, poderá ser visto no parque industrial gaúcho. "A abertura maior de um mercado como esse resultará em ainda mais investimentos no Rio Grande do Sul", resume.
Entre os países europeus, a Bélgica é a principal porta de entrada para o produto gaúcho. No ano passado, foram mais de US$ 700 milhões negociados pelos fabricantes de Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires com o país europeu. O mercado da Europa, porém, está longe de ser o único destino do tabaco gaúcho. Em Vera Cruz, por exemplo, para onde se expandem as indústrias do setor, a maior parte das exportações é destinada à Ásia, com 22,3% do produto destinado aos Emirados Árabes e 21,2% à China. Mesmo com cenário de guerra, o país árabe foi destino de 17% das vendas no Exterior do município em fevereiro deste ano.
O momento, como aponta Thessing, é favorável à busca de mercados externos. Isso porque a produção na lavoura e na indústria foi recorde na última safra e, neste ano, a perspectiva é de nova alta no Rio Grande do Sul. Dados da Associação de Fumicultores do Brasil (Afubra) mostram que, na safra 2024/25, 69,2 mil famílias cultivam o tabaco – 1,02% a mais do que na safra anterior –, com uma área de 131,7 mil hectares plantados – 4,6% a mais do que no ciclo anterior – e, o principal, garantiram uma alta de 38,1% na produção, chegando a 303,9 mil toneladas. A maior safra em quatro anos.
"É um ciclo. Houve muitas dificuldades dos produtores no setor de grãos, por exemplo, então as famílias acabaram voltando e optando pela segurança e rentabilidade do tabaco, que tem a cadeia integrada. A nossa expectativa é de que, nessa safra de 2025/2026, haja uma leve queda no número de produtores, mas a produção deve ter alta novamente", analisa o dirigente.
O desafio está, como em praticamente todos os setores produtivos da região, em encontrar mão de obra disponível, tanto no campo quanto na produção industrial. Em Santa Cruz do Sul, o Sinditabaco, que reúne 14 indústrias, tem estreitado o diálogo com o governo local para promover qualificação e fazer uma busca ativa de trabalhadores.
O caminho para manter a produção em alta é avançar cada vez mais na automação dos parques industriais. "O investimento destinado pelas nossas indústrias na região tem sido na aplicação de novas tecnologias que garantam a eficiência necessária, mesmo com déficit de trabalhadores. E é algo que não se resume à produção industrial. Na lavoura isso também tem avançado", resume Thessing.
A automação está presente desde o recebimento da produção. Entre as principais indústrias do setor, esta parte da operação já está automatizada. Na outra ponta, a do preparo do produto para a sua destinação, a robotização foi além, na preparação das caixas de 200 quilos de tabaco, destinadas à exportação. Até bem pouco tempo atrás, eram pessoas que as preparavam. Agora, os robôs estão em praticamente todas as linhas de produção, desde a montagem das caixas à estocagem.
Produção de tabaco
_ Maiores áreas de plantio na região:
Venâncio Aires 8,2 mil hectares (3º RS)
Candelária 5,6 mil hectares (6º RS)
Vale do Sol 5,4 mil hectares (7º RS)
Santa Cruz 5,01 mil hectares (8º RS)
Arroio do Tigre 4,7 mil hectares (9º RS)
_ Maiores produções na região:
Venâncio Aires 15,1 mil toneladas (3º RS)
Vale do Sol 9,5 mil toneladas (7º RS)
Arroio do Tigre 9,4 mil toneladas (8º RS)
Agudo 8,8 mil toneladas (9º RS)
Santa Cruz 8,7 mil hectares (10º RS)
FONTE: AFUBRA 2024/2025
Venâncio Aires 8,2 mil hectares (3º RS)
Candelária 5,6 mil hectares (6º RS)
Vale do Sol 5,4 mil hectares (7º RS)
Santa Cruz 5,01 mil hectares (8º RS)
Arroio do Tigre 4,7 mil hectares (9º RS)
_ Maiores produções na região:
Venâncio Aires 15,1 mil toneladas (3º RS)
Vale do Sol 9,5 mil toneladas (7º RS)
Arroio do Tigre 9,4 mil toneladas (8º RS)
Agudo 8,8 mil toneladas (9º RS)
Santa Cruz 8,7 mil hectares (10º RS)
FONTE: AFUBRA 2024/2025
Maiores exportadores da região (2025)
_ Santa Cruz do Sul (2º RS) negociou US$ 1,9 bilhão (+11,3%/2024), 95,7% era tabaco e produtos de tabaco;
_ Venâncio Aires (4º RS) negociou US$ 1,2 bilhão (+9,2%/2024), 98,1% era tabaco e produtos de tabaco
_ Santa Maria (14º RS) negociou US$ 301,9 milhões (-46,4%/2024), 64,8% era soja e derivados
_ Cruzeiro do Sul (20º RS) negociou US$ 150 milhões (+14,7%/2024), 79,5% era gordura animal
_ Lajeado (24º RS) negociou US$ 136 milhões (+14,8%/2024), 43,1% eram partes de calçados, 29% eram doces, 19,9% eram carnes suínas
_ Cachoeira do Sul (25º RS) negociou US$ 128,5 milhões (-11,4%/2024), 48,7% eram tora e outros resíduos de óleo de soja
_ Encantado (37º RS) negociou US$ 89,4 milhões (+12,5%/2024), 62% eram mate
_ Vera Cruz (43º RS) negociou US$ 73,1 milhões (+11,4%/2024), 97,7% eram tabaco e produtos de tabaco
FONTE: Dados anuais de 2025, Ministério do Comércio Exterior
_ Venâncio Aires (4º RS) negociou US$ 1,2 bilhão (+9,2%/2024), 98,1% era tabaco e produtos de tabaco
_ Santa Maria (14º RS) negociou US$ 301,9 milhões (-46,4%/2024), 64,8% era soja e derivados
_ Cruzeiro do Sul (20º RS) negociou US$ 150 milhões (+14,7%/2024), 79,5% era gordura animal
_ Lajeado (24º RS) negociou US$ 136 milhões (+14,8%/2024), 43,1% eram partes de calçados, 29% eram doces, 19,9% eram carnes suínas
_ Cachoeira do Sul (25º RS) negociou US$ 128,5 milhões (-11,4%/2024), 48,7% eram tora e outros resíduos de óleo de soja
_ Encantado (37º RS) negociou US$ 89,4 milhões (+12,5%/2024), 62% eram mate
_ Vera Cruz (43º RS) negociou US$ 73,1 milhões (+11,4%/2024), 97,7% eram tabaco e produtos de tabaco
FONTE: Dados anuais de 2025, Ministério do Comércio Exterior