A duplicação da BR-290 (Freeway/Osvaldo Aranha), no trecho entre Eldorado do Sul e Pantano Grande, avança de forma desigual e ainda sem horizonte claro de conclusão integral. Considerada estratégica para a logística do Rio Grande do Sul, a obra está dividida em quatro lotes e soma 115,5 quilômetros, mas enfrenta paralisações em segmentos importantes, readequações de projeto após as enchentes de 2024 e impactos recorrentes das condições climáticas.
Atualmente, dois dos quatro lotes apresentam entraves significativos. O Lote 1, entre o entroncamento com a BR-116 e Eldorado do Sul, teve o contrato rescindido e passará por revisão de projeto, incluindo a construção de trecho elevado em função dos danos causados pelas enchentes. Já o Lote 2, entre Eldorado do Sul e Butiá, está paralisado por questões administrativas, com previsão de retomada ainda em 2026 e prazo estimado de três anos após o reinício.
Nos trechos em execução, o avanço também ocorre em ritmos distintos. O Lote 3, entre Butiá e Passo do Adão, atingiu pouco mais de 43% de execução e tem previsão de conclusão em 2027. Já o Lote 4, mais adiantado, entre o km 199 e Pantano Grande, supera 86% de execução e deve ser finalizado até agosto deste ano. As informações são do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes.
Em passagem da reportagem no dia 16 de abril, no trecho entre Pantano Grande, Rio Pardo, Minas do Leão e Butiá, foram observadas frentes de obra paralisadas em função da chuva, com máquinas fora de operação e interrupção de serviços de pavimentação.
A influência do clima é um dos principais fatores que afetam o cronograma. A aplicação de asfalto depende de condições secas, o que torna períodos de chuva — frequentes no outono e inverno gaúchos — um entrave direto à continuidade dos trabalhos. Além disso, a execução por lotes distintos contribui para a percepção de descompasso, com trechos já duplicados à espera de sinalização coexistindo com segmentos ainda em pista simples ou em fase inicial.
Outro ponto de atenção é a qualidade das condições provisórias de tráfego. Motoristas relatam irregularidades no pavimento, desgaste precoce e falhas de drenagem, além de sinalização considerada insuficiente em alguns pontos, fatores que impactam a segurança viária durante o período de obras.
Apesar dos avanços pontuais, especialmente no Lote 4, a ausência de cronograma definido para parte significativa da rodovia e a necessidade de reestruturação contratual mantêm a duplicação da BR-290 como uma obra em aberto.