Tanto Lazzari quanto Zuanazzi concordam que não é possível estipular por quanto tempo as consequências da enchente na economia poderão ser sentidas. Afinal, haverá dois diferentes impactos que conflitam entre si: o positivo, proporcionado pela injeção de aportes e recursos voltados à retomada econômica e à resiliência; e o negativo, gerado pela perda de estoques de capital.
O impacto positivo da reconstrução pode ser, de certa forma, estimado pelo calendário do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), mas há ainda outros projetos de reconstrução e resiliência que geram impactos indiretos na economia. Entre eles, os efeitos multiplicadores: surgem mais empregos, gerando aumento de renda e, consequentemente, movimentando mais dinheiro.
Por sua vez, os impactos negativos são ainda mais difíceis de avaliar. "Uma indústria que teve os bens de capital destruídos por exemplo e optou por não repor. Ele não se endividou, desistiu. Ou então fechou e diminuiu sua capacidade de produção. Isso é permanente. E o percentual de indústrias que teve essa perda permanente de produção é algo que não temos", explica ainda o estatístico.
A situação é ainda mais complexa do que parece e a solução é realizar análises de longo prazo no próprio PIB: "Essa medição da perda do estoque de capital, da infraestrutura da economia, das fábricas, das máquinas, daquilo que gera a produção, temos estimativas para o Brasil, mas para os estados é bem difícil de fazer".