As 316 famílias que vivem em um dos locais mais afetados pela enchente de 2024 – a Vila Costaneira, em Eldorado do Sul – receberam 44 novas moradias. A entrega foi realizada em solenidade nesta terça-feira (3). Junto com as casas, foram realizadas 200 melhorias habitacionais, erguidos 13 postes de iluminação solar e um Centro de Referência para a realização de eventos na comunidade. Além disso, 203 pessoas receberam capacitação profissional.
O investimento total foi de R$ 18 milhões, dos quais R$ 12 milhões foram de recursos privados oriundos de empresas patrocinadoras como a Gerdau e a Melnick, e R$ 6 milhões vieram da prefeitura de Eldorado do Sul. As obras são uma parceria entre o governo do Estado, a prefeitura e a ONG Gerando Falcões, entidade que conecta agentes públicos, empresas privadas e ONGs locais em projetos de superação da pobreza.
O projeto, que iniciou com o acolhimento das famílias afetadas logo após a enchente, termina em março de 2027, com a entrega da rede de saneamento básico e pavimentação das ruas. Segundo o vice-prefeito de Eldorado do Sul, Giovani Martins, a rede de saneamento e o asfaltamento das ruas devem ser concluídos com recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs).
O fundo foi criado para financiar obras de resiliência e reconstrução após a enchente. Ele é alimentado com recursos oriundos da suspensão da dívida do Estado com a União, cujas parcelas mensais giram em torno de R$ 300 milhões. Em outubro de 2026, o saldo do Funrigs passava de R$ 10 bilhões.
“O poder público não tem recurso para fazer tudo, especialmente após uma catástrofe como a enchente. Graças à parceria com a iniciativa privada e ao governo do Estado, conseguimos entregar as moradias”, afirmou Martins – em um evento na Vila Costaneira, onde diversas lideranças envolvidas no projeto apresentaram os resultados.
A moradora da Vila Costaneira Joana Darc Netto da Silva, cuja casa foi seriamente danificada durante a enchente, foi uma das contempladas com uma moradia. “A gente voltou para a dignidade. Não temos tudo o que queremos, mas temos tudo o que precisamos dentro de casa. Hoje meu marido está trabalhando, tenho um muro construído e uma casa que, para mim, é um palácio”, relatou Joana Darc.
A CEO do Instituto Ascendendo Mentes, Nina Cardoso, coordenou as atividades na comunidade de Eldorado do Sul. “Quando o projeto Favela 3D chegou à comunidade no mesmo mês da enchente, a comunidade estava passando por grandes danos físicos. O projeto tem dois anos de duração. O segundo ano é quando começa a parte de melhoria habitacional e novas moradias. Mas a transformação dessas casas, que já estavam muito ruins e se tornaram um risco após a enchente, foi um dos primeiros e principais desafios nessa comunidade”, relembrou Nina.
E completou: ”A dignidade passa pela questão da moradia, mas também por educação, geração de renda e várias outras frentes que o projeto atua. Por isso, mais de 200 pessoas foram formadas (em cursos de capacitação). Um dos desafios até o fim do projeto, em março, é trazer o transporte público para a região”.