Porto Alegre,

Publicada em 03 de Novembro de 2026 às 17:37

Reserva Pró-Mata se alia aos atrativos de São Francisco de Paula

Sede do projeto Pro-Mata na cidade está instalado em área de 2,4 mil hectares, em área de transição da Mata Atlântica, e funciona como local de pesquisas regionais

Sede do projeto Pro-Mata na cidade está instalado em área de 2,4 mil hectares, em área de transição da Mata Atlântica, e funciona como local de pesquisas regionais

Alessandra Rech/ESPECIAL/CIDADES
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Nos dias de céu aberto se avista da sede, na localidade de Potreiro Velho, em São Francisco de Paula, as lagoas Itapeva e dos Quadros e a faixa litorânea que se estende de Arroio do Sal a Capão da Canoa. A 950 metros de altitude, o Centro de Pesquisas e Conservação da Natureza Pró-Mata, com 2,4 mil hectares, está em área de transição do bioma da Mata Atlântica, o que o torna um local privilegiado para a pesquisa pela confluência de três sistemas: os Campos de Altitude, a Floresta Ombrófila Mista (sistema integrado pelas araucárias) e Floresta Ombrófila Densa.

Nos dias de céu aberto se avista da sede, na localidade de Potreiro Velho, em São Francisco de Paula, as lagoas Itapeva e dos Quadros e a faixa litorânea que se estende de Arroio do Sal a Capão da Canoa. A 950 metros de altitude, o Centro de Pesquisas e Conservação da Natureza Pró-Mata, com 2,4 mil hectares, está em área de transição do bioma da Mata Atlântica, o que o torna um local privilegiado para a pesquisa pela confluência de três sistemas: os Campos de Altitude, a Floresta Ombrófila Mista (sistema integrado pelas araucárias) e Floresta Ombrófila Densa.

Essa configuração, que potencializa a biodiversidade de fauna e da flora, contribuiu para que cientistas do mundo todo desenvolvessem suas pesquisas no local nos últimos 30 anos. Agora, os encantos dessa área reconhecida como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) em setembro de 2019 (através da Portaria nº 433, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio) também podem ser usufruídos pelos amantes do ecoturismo. 

O local fica a 55 km da área central de São Francisco de Paula, a maior parte do trajeto por estrada de chão em boas condições. A abertura para a visitação, obrigatoriamente acompanhada por guias, é organizada pela advogada e guia de turismo Aline Pires, e teve início a partir de uma viagem de familiarização que reuniu operadores do setor. A missão de Aline, como responsável pelo desenvolvimento do Pró-Mata enquanto produto turístico de São Francisco de Paula, é garantir que os acessos se deem de forma segura e condizente com o respeito à natureza, fomentando, ao mesmo tempo, o desenvolvimento da atividade turística em São Chico e nos municípios vizinhos de Maquiné e Itati. Tanto assim que estão sendo credenciados guias das três localidades para o acompanhamento dos grupos.

Para adequação do ecoturismo no Pró-Mata, Aline conta com apoio do Programa Aventura Natural RS, iniciativa da secretaria de Turismo do Estado em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-RS). O programa foi estruturado para viabilizar a implementação, em empresas selecionadas, da norma ABNT NBR ISO 21101, referência internacional para atividades turísticas que envolvem risco controlado.

As atividades de Turismo Pedagógico no Pró-Mata vão acontecer por meio do projeto Loboguará, especializado em Educação Ambiental, que firmou parceria com o Instituto de Meio Ambiente (IMA) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs) no mês de junho. De acordo com a monitora e bióloga Cátia Dias, o Loboguará dispõe de equipe para comercialização e organização de visitações de grupos escolares. Biólogos capacitados em interpretação ambiental preparam a programação, de acordo com as faixas etárias das turmas, que pode ser personalizada a partir de demandas dos professores ou envolver de forma mais livre temas ligados à geologia, ecossistemas e sustentabilidade, incluindo visitas a laboratórios, estufas de mudas e experimentos em campo.    

Entre as trilhas mais acessíveis, uma das atrações é a do Mirante do Vale das Bananeiras. “São cerca de 10 a 15 minutos de percurso pela mata até que se descortine a vista para o vale, onde há uma estrutura para contemplação com banquinhos”, informa Aline. No percurso, o visitante encontra sinalização e placas informativas com curiosidades acerca da natureza do entorno. Parte desse material está sendo requalificada para essa nova fase da unidade. “A gente brinca que o Pró-Mata é um grande mirante!”, afirma a guia, referindo-se à topografia da reserva, que favorece que boa parte das trilhas levem a amplas vistas do topo. 

Para as acomodações, o prédio principal, com cerca de 900 metros quadrados, tem quartos coletivos com capacidade para cerca de 40 pessoas, e quartos individuais com banheiro privativo, totalizando capacidade para 50 pessoas simultaneamente. A estrutura ainda abriga laboratórios, sala de aula e de reuniões, refeitório e serviços de apoio. O visitante encontra opção de refeições ou pensão completa. Já a Casa dos Pesquisadores, mais na entrada da unidade, tem cozinha e aloja até seis pessoas. “Outra modalidade de pernoite é o camping, que é ainda uma novidade para a gestão ambiental e os condutores turísticos, utilizando como apoio parte da estrutura da sede”, completa Aline. 


Trilhas existentes no Pró-Mata

Seis trajetos, com diferentes níveis de dificuldade, podem ser percorridos

Seis trajetos, com diferentes níveis de dificuldade, podem ser percorridos

Alessandra Rech/ESPECIAL/CIDADES
MIRANTE DA CASA DO PESQUISADOR
O que é: trilha ida e volta que atravessa campos nativos. Vista para cadeias de montanhas que formam os vales do litoral gaúcho.
Distância: 1,8 km (ida e volta)
Tempo médio a pé: 30 minutos.
Nível de dificuldade: fácil
TRILHA CAMPESTRE 
O que é: trilha circular que atravessa campos nativos e trechos de floresta de altitude, revelando a diversidade dos ecossistemas dos Campos de Cima da Serra. Proporciona uma experiência sensorial rica, com sons de aves, paisagens abertas e conexão direta com a natureza.
Distância: 1 km (ida e volta)
Tempo médio a pé: 20 minutos.
Nível de dificuldade: fácil.
TRILHA DO VALE DAS BANANEIRAS
O que é: trilha circular de 1,2 km que inicia com caminhada leve por áreas de mata nativa e paisagens típicas dos Campos de Cima da Serra. No início, o percurso leva a um mirante com vista para o Vale das Bananeiras. O retorno segue por um trecho sombreado, com a travessia de um pequeno rio e oportunidades para observação da fauna e sons da floresta.
Distância: 1,2 km (ida e volta).
Tempo médio a pé: 1h.
Nível de dificuldade: fácil.
TRILHA DO AÇUDE
O que é: A Trilha do Açude oferece uma caminhada por campos de altitude e mata nativa com araucárias. O percurso inclui um mirante com vista para o município de Itati e segue até um açude cercado por rica biodiversidade, ideal para contemplação e educação ambiental.
Distância: 3,2 km (ida e volta)
Tempo médio a pé: 1h30min.
Nível de dificuldade: Fácil a moderado. 
TRILHA DO MIRANTE ITATI
O que é: A Trilha do Mirante Itati oferece uma experiência de imersão nos Campos de Cima da Serra. O trajeto inclui o breve cruzamento de um rio e uma subida moderada de aproximadamente 240 metros, conduzindo até a vista panorâmica para o município de Itati e para os campos e fragmentos de mata nativa da região.
Distância total da trilha:
1,69 km.
Duração média: 40 minutos.
Nível de dificuldade: Fácil. 
TRILHA DA SERRARIA 
O que é: Com trechos mais longos, o percurso exige fôlego e atenção. Um dos destaques é a antiga máquina da serraria, vestígio do período em que a área onde hoje é o Pró-Mata fazia parte da exploração madeireira, marcado pela intensa extração de araucárias. Hoje, esse mesmo espaço é dedicado à conservação ambiental.
Duração média: 1h40min.
Nível de dificuldade: moderada. 

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