Porto Alegre,

Publicada em 29 de Outubro de 2026 às 18:28

Aeroportos da Serra exigem estradas e desapropriações, dizem prefeitos

Presidentes da Amesne e da Amserra querem levar ao governador eleito, Luciano Zucco, demandas para viabilizar os terminais de Vila Oliva e de Canela

Presidentes da Amesne e da Amserra querem levar ao governador eleito, Luciano Zucco, demandas para viabilizar os terminais de Vila Oliva e de Canela

Prefeitura de Caxias do Sul/Divulgação/JC
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Lívia Araújo
Lívia Araújo Repórter
As regiões da Serra Gaúcha e Encosta Superior do Nordeste têm na infraestrutura aeroportuária uma das principais apostas locais para alavancar o turismo e os negócios dos municípios.
As regiões da Serra Gaúcha e Encosta Superior do Nordeste têm na infraestrutura aeroportuária uma das principais apostas locais para alavancar o turismo e os negócios dos municípios.
Tanto o futuro aeroporto em Vila Oliva, Caxias do Sul, que passará a receber e ampliar os voos comerciais hoje concentrados no Hugo Cantergiani, quanto a construção de um terminal em Canela demandam recursos que vão além do embarque e desembarque de passageiros ou da pista para pousos e decolagens. Ligações rodoviárias entre os aeroportos e as estradas da região, além de providências burocráticas como desapropriações, fazem parte da "lição de casa" necessária para viabilizar esses empreendimentos.
Nesse sentido, o presidente da Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste (Amesne) e prefeito de Fagundes Varela, Nelton Conte, e o prefeito de Nova Petrópolis, Daniel Michaelsen, que preside a Associação dos Municípios de Turismo da Serra (Amserra), pleitearão espaço com o governador eleito para apresentar as demandas, que vão de obras propriamente ditas à liberação de recursos para ações relativas a ambos os aeroportos.

Vila Oliva exige ligação com Caxias do Sul, Gramado e com a Rota do Sol

Presidente da Amesne afirma que vias estaduais de acesso ao futuro aeroporto estão em "estágio zero"

Presidente da Amesne afirma que vias estaduais de acesso ao futuro aeroporto estão em "estágio zero"

Fokuss Vídeojornismo/Prefeitura de Caxias/JC
Questionado sobre as prioridades da região a serem levadas ao governador eleito, Luciano Zucco, a partir de 2027, o presidente da Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste (Amesne) e prefeito de Fagundes Varela, Nelton Conte, aponta o aeroporto de Vila Oliva, em Caxias do Sul, como a principal demanda a ser discutida com o novo chefe do Executivo estadual. Segundo ele, o terminal precisa de ligações viárias com Caxias do Sul e com a região das Hortênsias, além da duplicação da Rota do Sol.
Na semana passada, a ordem de início das obras da primeira fase do terminal foi assinada durante a Mercopar, em Caxias do Sul. Conte explica que o aeroporto conta com investimento federal, mas que o acesso depende de duas vias estaduais: uma entre Caxias do Sul e Vila Oliva e outra entre o terminal e Gramado. O prefeito afirma que ambas estão em "estágio zero", sem pavimentação e sem início de obras. "Tem que começar a sair do papel do planejamento para a execução. Daí que entra forte o governo do Estado", diz.
Como o acesso ao aeroporto será feito pela Rota do Sol, o gestor defende que a rodovia seja duplicada. "Sem a duplicação da Rota do Sol, nós vamos ter um colapso. Não basta colocar o aeroporto em Vila Oliva sem dar a estrutura de logística para que possa ter esse acesso", afirma. Para Conte, sem essa estrutura o terminal ficaria com a facilidade de acesso comprometida.
O prefeito e presidente da associação avalia que a infraestrutura é o "gargalo" da Serra. Ele lembra que, em 2024, praticamente metade da região ficou isolada e que hoje há dependência de um trecho junto à Ponte das Antas: qualquer comprometimento ali deixa boa parte da Serra sem comunicação. Para ele, o aeroporto de Vila Oliva é "estratégico" para a economia e a indústria regionais.
Conte diz que ainda não houve avanço nas conversas com o futuro governo. Segundo o prefeito, Zucco indicou que começará a anunciar secretários e equipe a partir da eleição federal. A Amesne aguarda esse momento para iniciar os contatos ainda antes do fim do ano, já com os nomes das pastas definidos, como Saúde e Casa Civil.

Amserra projeta cerca de R$ 80 milhões para retirada de famílias e ampliação do terminal de Canela

Custo total, entre ampliação da pista e indenização de famílias, é de R$ 80 milhões, segundo associação

Custo total, entre ampliação da pista e indenização de famílias, é de R$ 80 milhões, segundo associação

Izaque Santos/Prefeitura de Canela/JC
Outra associação da região, a Associação dos Municípios de Turismo da Serra (Amserra) pretende pleitear ao governo do Estado, na gestão do governador eleito Luciano Zucco, recursos para indenizar famílias e ampliar a pista do aeroporto de Canela. O presidente da entidade e prefeito de Nova Petrópolis, Daniel Michaelsen, afirma que o projeto está entre as prioridades da região, ao lado do aeroporto de Vila Oliva, em Caxias do Sul.
Segundo Michaelsen, a ampliação da pista exige a desapropriação de áreas ocupadas por famílias, que precisam ser indenizadas. O prefeito estima que a ampliação e as indenizações somem R$ 80 milhões. Ele afirma que o aeroporto terá também operação comercial, e não apenas executiva, e que Gol e Azul já demonstram interesse em operar voos no local. "Quando a gente teve as enchentes em 2024, a gente viu como é carente de aeroporto", diz.
O pleito já foi apresentado aos governos federal e estadual, mas, até agora, "tudo está estagnado ", segundo o prefeito. Questionado sobre como o estado poderia liberar os recursos, Michaelsen disse que cabe ao governo definir o melhor caminho. "É um trabalho de muitas mãos", afirma.
O gestor diz que a apresentação da demanda ao governador deve ficar para depois da eleição e que a Amserra fará uma agenda com todos os prefeitos da região. Além do aeroporto, ele cita a duplicação da ERS-235 até o bairro Pousada da Neve, em Nova Petrópolis, que classifica como "um gargalo muito grande". O trecho tem sido utilizado como conexão para Gramado e, futuramente, pode englobar trânsito da Nova Centralidade da cidade vizinha. Michaelsen diz estar confiante no novo governo e lembra que o diálogo com a gestão atual sempre foi bom.

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