As regiões da Serra Gaúcha e Encosta Superior do Nordeste têm na infraestrutura aeroportuária uma das principais apostas locais para alavancar o turismo e os negócios dos municípios.
Tanto o futuro aeroporto em Vila Oliva, Caxias do Sul, que passará a receber e ampliar os voos comerciais hoje concentrados no Hugo Cantergiani, quanto a construção de um terminal em Canela demandam recursos que vão além do embarque e desembarque de passageiros ou da pista para pousos e decolagens. Ligações rodoviárias entre os aeroportos e as estradas da região, além de providências burocráticas como desapropriações, fazem parte da "lição de casa" necessária para viabilizar esses empreendimentos.
Nesse sentido, o presidente da Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste (Amesne) e prefeito de Fagundes Varela, Nelton Conte, e o prefeito de Nova Petrópolis, Daniel Michaelsen, que preside a Associação dos Municípios de Turismo da Serra (Amserra), pleitearão espaço com o governador eleito para apresentar as demandas, que vão de obras propriamente ditas à liberação de recursos para ações relativas a ambos os aeroportos.
Questionado sobre as prioridades da região a serem levadas ao governador eleito, Luciano Zucco, a partir de 2027, o presidente da Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste (Amesne) e prefeito de Fagundes Varela, Nelton Conte, aponta o aeroporto de Vila Oliva, em Caxias do Sul, como a principal demanda a ser discutida com o novo chefe do Executivo estadual. Segundo ele, o terminal precisa de ligações viárias com Caxias do Sul e com a região das Hortênsias, além da duplicação da Rota do Sol.
Na semana passada, a ordem de início das obras da primeira fase do terminal foi assinada durante a Mercopar, em Caxias do Sul. Conte explica que o aeroporto conta com investimento federal, mas que o acesso depende de duas vias estaduais: uma entre Caxias do Sul e Vila Oliva e outra entre o terminal e Gramado. O prefeito afirma que ambas estão em "estágio zero", sem pavimentação e sem início de obras. "Tem que começar a sair do papel do planejamento para a execução. Daí que entra forte o governo do Estado", diz.
Como o acesso ao aeroporto será feito pela Rota do Sol, o gestor defende que a rodovia seja duplicada. "Sem a duplicação da Rota do Sol, nós vamos ter um colapso. Não basta colocar o aeroporto em Vila Oliva sem dar a estrutura de logística para que possa ter esse acesso", afirma. Para Conte, sem essa estrutura o terminal ficaria com a facilidade de acesso comprometida.
O prefeito e presidente da associação avalia que a infraestrutura é o "gargalo" da Serra. Ele lembra que, em 2024, praticamente metade da região ficou isolada e que hoje há dependência de um trecho junto à Ponte das Antas: qualquer comprometimento ali deixa boa parte da Serra sem comunicação. Para ele, o aeroporto de Vila Oliva é "estratégico" para a economia e a indústria regionais.
Conte diz que ainda não houve avanço nas conversas com o futuro governo. Segundo o prefeito, Zucco indicou que começará a anunciar secretários e equipe a partir da eleição federal. A Amesne aguarda esse momento para iniciar os contatos ainda antes do fim do ano, já com os nomes das pastas definidos, como Saúde e Casa Civil.
Outra associação da região, a Associação dos Municípios de Turismo da Serra (Amserra) pretende pleitear ao governo do Estado, na gestão do governador eleito Luciano Zucco, recursos para indenizar famílias e ampliar a pista do aeroporto de Canela. O presidente da entidade e prefeito de Nova Petrópolis, Daniel Michaelsen, afirma que o projeto está entre as prioridades da região, ao lado do aeroporto de Vila Oliva, em Caxias do Sul.
Segundo Michaelsen, a ampliação da pista exige a desapropriação de áreas ocupadas por famílias, que precisam ser indenizadas. O prefeito estima que a ampliação e as indenizações somem R$ 80 milhões. Ele afirma que o aeroporto terá também operação comercial, e não apenas executiva, e que Gol e Azul já demonstram interesse em operar voos no local. "Quando a gente teve as enchentes em 2024, a gente viu como é carente de aeroporto", diz.
O pleito já foi apresentado aos governos federal e estadual, mas, até agora, "tudo está estagnado ", segundo o prefeito. Questionado sobre como o estado poderia liberar os recursos, Michaelsen disse que cabe ao governo definir o melhor caminho. "É um trabalho de muitas mãos", afirma.
O gestor diz que a apresentação da demanda ao governador deve ficar para depois da eleição e que a Amserra fará uma agenda com todos os prefeitos da região. Além do aeroporto, ele cita a duplicação da ERS-235 até o bairro Pousada da Neve, em Nova Petrópolis, que classifica como "um gargalo muito grande". O trecho tem sido utilizado como conexão para Gramado e, futuramente, pode englobar trânsito da Nova Centralidade da cidade vizinha. Michaelsen diz estar confiante no novo governo e lembra que o diálogo com a gestão atual sempre foi bom.