A interlocução dos prefeitos do interior com o governo do Estado e Federal, diretamente ou por meio dos parlamentares na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, é uma das rotinas principais para tentar destravar investimentos e garantir auxílios voltado ao desenvolvimento das diferentes regiões gaúchas. Com a obtenção de 58,05% dos votos na eleição estadual, Luciano Zucco (PL) foi vencedor já no primeiro turno, atraindo os holofotes para as medidas prioritárias nos primeiros meses do novo governo, após a gestão de Eduardo Leite ter sido a primeira, desde a redemocratização, a ter sua plataforma reeleita pelos gaúchos.
Para entender as prioridades número um das regiões, o Jornal Cidades ouviu associações de municípios das nove Regiões Funcionais (RFs) do Rio Grande do Sul. Na região Norte, foram duas: as associações dos municípios do Alto Uruguai (Amau) e Missões (AMM): a primeira tem no fortalecimento da rede local de saúde sua principal reivindicação; a segunda pleiteará ações na na infraestrutura logística suas principais reinvindicações. Indo além da universalização dos acessos asfálticos, os municípios querem novas ligações, pontes e outros itens necessários para reter talentos e fortalecer o turismo.
A Associação de Municípios do Alto Uruguai (Amau) pleiteia a construção de um novo hospital regional para o Alto Uruguai. A ampliação da infraestrutura da saúde regional é a pauta número um da associação, que reúne 32 municípios do Norte gaúcho, e será levada ao governador eleito, Luciano Zucco, informou o presidente da entidade e prefeito de Centenário, Genoir Florek.
Segundo Florek, a estrutura do Hospital Santa Terezinha limita a ampliação dos atendimentos, com falta de salas de UTI, e inviabiliza a oferta de novas especialidades. "Eu acho que o Santa Terezinha tem um bom quadro clínico e um bom atendimento, mas a infraestrutura acaba limitando o aumento dos atendimentos", afirma. A proposta é construir um hospital de referência, que pode ser o próprio hospitald e Erechim em outro local, com migração de profissionais e equipamentos.
O prefeito propõe financiar a obra com emenda de bancada e articulação política e criar um consórcio público-privado de gestão, sem deixar de atender o SUS. A ideia é que pacientes com condições de pagar contribuam para a manutenção da unidade, e que empresas da região e universidades sejam parceiras. "Eu inclusive tenho um entendimento de que se precisa criar uma nova forma de gestão de saúde pública, mas não sou especialista", diz.
Florek também defende regionalizar especialidades hoje concentradas na Capital. Pacientes de transplante de rim, por exemplo, viajam quatro ou cinco vezes antes da cirurgia e cerca de dez depois, e os de glaucoma fazem acompanhamento longe de casa por anos. Ele sugere credenciar especialistas, inclusive particulares conveniados ao Estado, para revisões na região. "A saúde precisa ser regionalizada", afirma. Sobre o SUS Gaúcho, diz que o programa precisa ser melhorado, com mutirões de cirurgias.
O consórcio Cirau, que atua hoje com produtos, pode passar a atender também profissionais, segundo Florek, que cita uma ação trabalhista como entrave anterior. O prefeito afirma ainda que o transporte de pacientes pesa nas prefeituras: a equipe de plantão passou de três para sete motoristas.
Como segunda frente, a Amau cita a infraestrutura viária. Foram conseguidos 11 acessos municipais em seis anos, e a associação trabalha em três ligações regionais. Infraestrutura e saúde foram as pautas mais fortes no programa Amau de Portas Abertas, que convidou candidatos ao Senado e ao governo. A pauta inclui ainda cofinanciamento a entidades de pessoas com deficiência e resiliência climática.
A infraestrutura rodoviária encabeça a pauta da Associação dos Municípios das Missões (AMM) entre as prioridades a serem levadas ao governador eleito, Luciano Zucco, conforme o presidente da entidade e prefeito de Rolador, João Alberto Aquino Gomes, que já busca uma agenda com Zucco ainda antes da posse.
Nesse sentido, embora o programa de universalização dos acessos asfálticos municipais, liderado pelo governo Leite, esteja quase concluído, ainda é fonte de preocupação para a entidade obras em três municípios: Garruchos, Pirapó e Rolador. Além disso, a AMM também pede a continuidade dos trabalhos relativos à ponte sobre o Arroio Pirajú, na ERS-165, entre Rolador e São Luiz Gonzaga; melhorias na RS-344, entre Santa Rosa e Entre-Ijuís; um novo acesso a Santo Ângelo, na BR-285; e uma outra ponte em Ubiretama.
Adicionalmente, Gomes pontua a necessidade de uma ampliação relativa à ERS-344. Segundo o prefeito, as prefeituras de Santa Rosa, Giruá e Santo Ângelo entregaram ao Daer um projeto de terceiras faixas, ainda sem solução.
Outro ponto de atenção é a saúde. Nesse caso, a lista inclui a UTI adulta do Hospital de São Luiz Gonzaga, em implantação, o fortalecimento do Hospital Regional das Missões, em Santo Ângelo, e uma unidade de queimados. No turismo, a associação quer aproveitar a visibilidade dos 400 anos das Missões. Os programas Pró-Missões 1 e 2 destinaram cerca de R$ 80 milhões a 25 municípios.
Sobre Zucco, destaca a reunião com ex-governadores: "Achei muito louvável por parte dele". Para o presidente da AMM, o governador eleito demonstra disposição ao diálogo mesmo com ampla votação: "Parece que ele está buscando diálogo". Gomes diz que demandas de educação, como melhorias em escolas, são mais localizadas e ficaram fora da pauta regional. Para o presidente, o próximo governo deve manter a proximidade com as prefeituras.