A Arena Gramadense, complexo esportivo multiuso do Centro Esportivo Gramadense, será inaugurada na próxima sexta-feira (16), em Gramado, na Serra Gaúcha, com a entrega da primeira fase da obra a tempo da Copa Gramado Laghetto Sub-16, a Copinha, torneio que reúne clubes de todo o país. Em paralelo, o Hawi Group, responsável pela gestão de eventos, negocia com uma empresa de tecnologia o que seria o primeiro naming rights de um estádio esportivo do Rio Grande do Sul.
O investimento é de cerca de R$ 40 milhões, com recursos do clube e de investidores trazidos pelo Hawi Group, sem incentivo público. Segundo Fabio Bolico, cofundador do grupo e sócio-operador da Arena, o clube tem “zero dívida” e a intenção é evitar “um elefante branco” restrito aos jogos do Gramadense, de agenda curta e público pequeno. O grupo reúne as empresas Experiência Z e Bolico Produções, e assumiu a gestão por contrato firmado no ano passado, enquanto Sandro Bazzan, presidente do clube, segue à frente do futebol.
A estrutura, em área de 15 hectares a cerca de oito minutos do centro pela RS-235, terá 3,5 mil m² construídos e capacidade para até 20 mil pessoas. O campo, com gramado homologado pela Fifa, comporta 15 mil pessoas em pé, e há arquibancadas fixa, para 3,5 mil, e móvel, para 2 mil. Os 25 camarotes e as quatro salas de convenções, de 350 lugares cada, completam o complexo, que ainda terá estacionamento externo para 1,5 mil veículos.
Depois da Copinha, o calendário inclui, em dezembro, o jogo de D’Alessandro, com Oscar como convidado. “Já a nossa agenda de eventos, de shows, começa com um grande festival. Não podemos abrir ainda, mas ele acontecerá em março de 2027”, adianta. Segundo Bolico, com a capacidade da arena, será possível ter os mesmos shows que a Capital tem condições de receber. “Esse é um número que, se a gente fala do Guns N' Roses em Porto Alegre, que deu 18 mil (pessoas), tranquilamente o Guns N' Roses poderia fazer o seu show aqui na Arena Gramadense”, compara.
Um estudo feito em janeiro por uma empresa do Rio de Janeiro, segundo Bolico, prevê a possibilidade de realização de seis shows nacionais e um internacional no primeiro ano, e dois internacionais no segundo. A Ticketmaster, responsável pela venda de ingressos, é ligada à Live Nation, que, conforme Bolico, já incluiu a arena em seu sistema. O prazo de retorno do investimento (payback) não foi estimado na entrevista, e Bolico se comprometeu a enviar o estudo depois.
Sobre os naming rights, Bolico diz que o material está com a diretoria da empresa, que sinalizou positivamente, e que há outros interessados. Produtores já procuraram o grupo, entre eles a Trilha Produções, do Rio. Para ele, empresas voltam o olhar para Gramado, que recebeu 8 milhões de turistas no ano passado. A expectativa é de retorno da empresa em poucos dias. As salas de convenção serão locadas por três ou quatro dias, e os camarotes, vendidos por evento. Não há valores definidos: “cada caso é um caso”, resume.
Bolico afirma que o Howi Group e a Ticketmaster aportaram R$ 9 milhões na fase final da obra. Já Bazzan explica que o clube deixou o antigo estádio, no centro, em um negócio que rendeu 21% do valor geral de vendas do empreendimento: 40% em dinheiro e 60% em unidades, como lojas e vagas, que geram receita recorrente ao clube, garantindo sua sustentabilidade financeira. O dinheiro financiou a compra do terreno e as obras até aqui. O gramado custou R$ 3,2 milhões, contra R$ 1 milhão previstos, e a pandemia elevou os custos de insumos. Com contrato de cinco anos com o Hawi Group, o clube antecipou receitas para concluir a etapa e evitou esperar de dois a três anos.
“O mais difícil nós fizemos. Está aqui, está pago”, diz Bazzan. Segundo ele, o clube mantém a gestão e as datas da arena, pois captar eventos não é seu negócio, e o foco segue nos projetos sociais, no esporte e na educação. Sobre receitas, o dirigente se diz “de pé no chão” e afirma não depender delas: se vierem, servirão para potencializar o que o clube já faz. Para ele, o gramado permitirá uso diário pelos projetos sociais, hoje limitados por campos naturais sobrecarregados no inverno.
O Centro Esportivo Gramadense afirma que a Arena Gramadense, em Gramado, foi instalada fora do centro da cidade para reduzir o impacto no trânsito em dias de jogos e grandes eventos. O complexo fica a cerca de oito minutos do centro pela RS-235, em uma área que, segundo o presidente do clube, Sandro Bazzan, já era indicada pelo município para grandes estruturas.
Bazzan explica que o antigo Estádio dos Pinheirais, no centro, que foi demolido em 2017, tinha limitações de espaço e gerava problemas de mobilidade e estacionamento nos dias de evento. O clube deixou o local por volta de 2015, segundo o dirigente. O novo terreno fica próximo a outros grandes empreendimentos turísticos da cidade e tem acesso pela RS-235 e pela RS-115, além da ligação pela perimetral. "Quem vem de Porto Alegre pela 115 não precisa criar problema lá no centro", afirma. Quem chega pela RS-235 vai direto à arena.
Bazzan também pontua que a região da futura nova centralidade, no Mato Queimado, chegou a ser sugerida por algumas pessoas, mas ele contesta a ideia: questionou como o público chegaria lá em partidas de novembro e dezembro, período do Natal Luz. Ele reconhece que as estradas da Serra seguem sobrecarregadas, o que classifica como um problema a ser gerenciado pelo poder público, mas avalia que o estádio está no melhor lugar possível e pode ajudar a cidade, ao levar para lá eventos que poderiam sobrecarregar o centro.
Fabio Bolico, cofundador do Hawi Group e sócio-operador da Arena, diz que o grupo está alinhado com a prefeitura. Segundo ele, em conversa com o prefeito, o chefe do Executivo disse estar "com vocês para o que der e vier". Segundo o projeto do empreendimento, haverá um estacionamento externo para 1,5 mil veículos, além de espaços para carga e descarga e áreas para o escoamento do público.