Interditada desde outubro de 2023, a Plataforma de Atlântida, em Xangri-Lá, no Litoral Norte gaúcho pode receber um projeto de recuperação por meio de retrofit. A possibilidade surgiu a partir de um estudo do Laboratório de Ensaios e Modelos Estruturais (LEME), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), que apontou viabilidade técnica para recuperar e modernizar a estrutura. Agora, um grupo de empresários interessado no projeto deverá realizar estudos complementares para definir as intervenções necessárias, os custos e as condições para a execução.
A estrutura, que por décadas foi um dos principais pontos de referência do Litoral Norte, foi inaugurada em 1970 e chegou a 350 metros de extensão. Ao longo dos anos, passou a ser utilizada para pesca e turismo. Em 1975, foi incorporada à Associação dos Usuários da Plataforma Marítima da Atlântida (Asuplama).
Os primeiros sinais mais graves de deterioração surgiram ainda na década de 1990, quando um dos braços da estrutura desabou, alterando o formato original, semelhante a um "T". Nos anos seguintes, a plataforma acumulou problemas como corrosão e rompimentos.
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Em 2021, a prefeitura chegou a anunciar R$ 620 mil para uma reforma, mas a obra não avançou. A recuperação dependia também de autorizações patrimoniais e ambientais, já que a estrutura está localizada em área pertencente à União.
O quadro se agravou em outubro de 2023, quando a plataforma foi interditada após a identificação de risco de queda. Dois dias depois, parte da estrutura desabou, levando ao mar o restaurante que funcionava no local. Ninguém ficou ferido. O episódio levou o Ministério Público Federal a ajuizar uma ação civil pública contra a União, a Asuplama e o município, envolvendo medidas para a estrutura.
A partir do processo, a prefeitura contratou o Laboratório de Ensaios e Modelos Estruturais (LEME), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), para avaliar as condições da plataforma. O convênio foi assinado em 2024 e o estudo posteriormente incorporado ao processo judicial.
Concluído em 2025, o estudo apontou viabilidade técnica para um retrofit da plataforma, termo usado para definir a recuperação e modernização de uma estrutura existente. A conclusão, no entanto, não significa que a obra esteja autorizada ou contratada. Conforme o procurador-geral de Xangri-Lá, Thiago Serra, o estudo avaliou principalmente a questão estrutural e precisa ser complementado por outros levantamentos para definir o projeto de recuperação, as licenças necessárias e o investimento.
“Agora a gente precisa transformar essa conclusão técnica em um projeto, para saber exatamente o que precisa ser feito e quais são as condições para que isso possa avançar”, afirma.
A nova etapa envolve um grupo de empresários interessados em estudar a recuperação da plataforma. De acordo com a Prefeitura, o grupo manifestou formalmente interesse e deverá realizar os estudos complementares. O município está finalizando um protocolo de intenções que deverá estabelecer as etapas e o cronograma dos trabalhos.
A previsão é de aproximadamente sete meses de estudos. A etapa deverá detalhar como o retrofit poderá ser executado, quais intervenções serão necessárias, quanto deverá ser investido e qual modelo poderá viabilizar a recuperação. Depois, a possibilidade é que o municípie avance para um procedimento de manifestação de interesse e, posteriormente, para uma licitação com participação da iniciativa privada.
“Hoje seria mais um protocolo de intenções. Futuramente, aí, se convertido, será uma possibilidade de uma PPP”, explica Serra. Segundo o procurador, uma estimativa anterior indicava que a recuperação poderia consumir quase 10% do orçamento municipal, mas esse valor ainda precisa ser atualizado a partir dos novos estudos.
A estrutura também está em área de competência da União, o que faz com que uma eventual recuperação ou concessão dependa de autorização de órgãos federais responsáveis pelo patrimônio e de licenciamento ambiental. Segundo a Procuradoria do município, o Ministério Público Federal já se manifestou favoravelmente à suspensão do processo por sete meses para permitir o avanço dos estudos.