Porto Alegre,

Publicada em 22 de Setembro de 2026 às 21:00

Nova espécie de perereca é encontrada em São Borja

Perereca-leiteira foi identificada pela primeira vez no bioma em São Borja, ampliando para 64 o número de espécies conhecidas

Perereca-leiteira foi identificada pela primeira vez no bioma em São Borja, ampliando para 64 o número de espécies conhecidas

/Tiago G. dos Santos/Divulgação/JC
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Gabrieli Silva
Gabrieli Silva Repórter

O oeste do Rio Grande do Sul acaba de ganhar mais uma espécie conhecida de anfíbio. Pesquisadores registraram, pela primeira vez no Pampa brasileiro, perereca-leiteira (Trachycephalus typhonius), encontrada em uma lagoa temporária em São Borja, na fronteira com a Argentina. O registro eleva para 64 o número de espécies de anfíbios conhecidas no bioma.


A descoberta ocorreu durante um levantamento de campo, quando cerca de dez machos foram identificados vocalizando na área, a aproximadamente 4,65 quilômetros do rio Uruguai. Para confirmar a espécie, os pesquisadores analisaram tanto o canto dos animais quanto suas características físicas.


O nome popular da perereca vem de uma particularidade pouco convencional: quando é abocanhada por um predador, ela libera pela pele uma secreção tóxica, pegajosa e de aspecto leitoso, usada como mecanismo de defesa.


• LEIA TAMBÉM: Universidades defendem pesquisa como caminho para futuro do agro gaúcho


O registro foi documentado em estudo publicado na revista científica Herpetology Notes, assinado por Teilor C. Koscrevic, Letícia B. Miolo, Amanda J. C. Brum e Tiago Gomes dos Santos, professor associado da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e pesquisador da Rede Campos Sulinos no projeto PPBio Pampa.


O achado chama atenção para uma área do Estado ainda pouco conhecida pelos pesquisadores. Segundo Santos, o Oeste gaúcho foi historicamente pouco amostrado em levantamento de anfíbios e répteis. A presença da perereca reforça a possibilidade de que outras espécies ainda não registradas sejam encontradas na região.


A localização também é relevante por estar próxima ao rio Uruguai e à fronteira com a Argentina. “A presença da espécie nessa região mostra que o Oeste gaúcho pode funcionar como um corredor biogeográfico e uma zona de intercâmbio de fauna entre o Brasil, a Argentina e o Uruguai, conectando o extremo sul do Brasil ao Pampa dos países vizinhos. O achado também reforça que o oeste do Pampa ainda pode revelar uma diversidade de espécies pouco conhecida”, explica o pesquisador.


Outros registros no extremo oeste do Pampa já apontaram para esse intercâmbio de fauna, entre eles a sucuri-amarela, a cobra-papagaio, o sapinho-cururu e a rã-arlequim.

Apesar de ocupar também áreas agrícolas e próximas a habitações, a perereca-leiteira depende de ambientes com árvores e arbustos. A espécie tem ampla distribuição pela América do Sul e, atualmente, não é considerada ameaçada de extinção, embora necessite de ambientes arbóreos e arbustivos para viver.

O oeste do Rio Grande do Sul acaba de ganhar mais uma espécie conhecida de anfíbio. Pesquisadores registraram, pela primeira vez no Pampa brasileiro, perereca-leiteira (Trachycephalus typhonius), encontrada em uma lagoa temporária em São Borja, na fronteira com a Argentina. O registro eleva para 64 o número de espécies de anfíbios conhecidas no bioma.


A descoberta ocorreu durante um levantamento de campo, quando cerca de dez machos foram identificados vocalizando na área, a aproximadamente 4,65 quilômetros do rio Uruguai. Para confirmar a espécie, os pesquisadores analisaram tanto o canto dos animais quanto suas características físicas.


O nome popular da perereca vem de uma particularidade pouco convencional: quando é abocanhada por um predador, ela libera pela pele uma secreção tóxica, pegajosa e de aspecto leitoso, usada como mecanismo de defesa.


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O registro foi documentado em estudo publicado na revista científica Herpetology Notes, assinado por Teilor C. Koscrevic, Letícia B. Miolo, Amanda J. C. Brum e Tiago Gomes dos Santos, professor associado da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e pesquisador da Rede Campos Sulinos no projeto PPBio Pampa.


O achado chama atenção para uma área do Estado ainda pouco conhecida pelos pesquisadores. Segundo Santos, o Oeste gaúcho foi historicamente pouco amostrado em levantamento de anfíbios e répteis. A presença da perereca reforça a possibilidade de que outras espécies ainda não registradas sejam encontradas na região.


A localização também é relevante por estar próxima ao rio Uruguai e à fronteira com a Argentina. “A presença da espécie nessa região mostra que o Oeste gaúcho pode funcionar como um corredor biogeográfico e uma zona de intercâmbio de fauna entre o Brasil, a Argentina e o Uruguai, conectando o extremo sul do Brasil ao Pampa dos países vizinhos. O achado também reforça que o oeste do Pampa ainda pode revelar uma diversidade de espécies pouco conhecida”, explica o pesquisador.


Outros registros no extremo oeste do Pampa já apontaram para esse intercâmbio de fauna, entre eles a sucuri-amarela, a cobra-papagaio, o sapinho-cururu e a rã-arlequim.

Apesar de ocupar também áreas agrícolas e próximas a habitações, a perereca-leiteira depende de ambientes com árvores e arbustos. A espécie tem ampla distribuição pela América do Sul e, atualmente, não é considerada ameaçada de extinção, embora necessite de ambientes arbóreos e arbustivos para viver.

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